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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Os 200 anos de imigração no estado de São Paulo são detalhados em atlas lançado pela UNICAMP



Atlas sobre os 200 anos de imigração em São Paulo é lançado pelo Núcleo de Estudos de População da Unicamp, em ação coordenada pela cientista social da Unicamp Rosana Baeninger, contando com o apoio da FAPESP e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)

A qualidade cosmopolita e empreendedora de São Paulo tem como raiz a herança imigrante. Com o objetivo de mapear a dinâmica migratória de 1794 a 2010, revelando as mudanças e particularidades das trajetórias migrantes nos vários períodos econômicos do estado paulista, o Núcleo de Estudos de População da Universidade Estadual de Campinas (Nepo-Unicamp) lançou, em dezembro, o Atlas temático do Observatório das Migrações em São Paulo.Ao longo de mais de 200 anos, o tecido social paulista foi moldado de maneira singular pela chegada de mais de 5 milhões de migrantes de várias nacionalidades e regiões do Brasil. As idas e vindas dessas comunidades provocaram profundas alterações na dinâmica social e serviram como potentes motores econômicos da indústria e da agricultura do estado. A capital paulista foi espaço privilegiado deste movimento. Seus bairros mais tradicionais são testemunhos vivos do desenvolvimento urbano pautado por influxos italianos, japoneses, portugueses e, mais recentemente, bolivianos, coreanos, senegaleses e haitianos.

O Atlas é resultado de um projeto temático iniciado em 2009 e que concluiu sua primeira fase em 2013. O estudo das migrações em São Paulo envolveu 16 pesquisadores do Nepo, do Instituto de Economia, do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas e da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp e das universidades Estadual Paulista (Unesp), Federal de São Carlos (UFSCar), Federal de São Paulo (Unifesp) e da Faculdade Anhembi-Morumbi, além de 40 estudantes de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado. O trabalho incluiu mais de 500 entrevistas com famílias de imigrantes e a coleta de dados censitários, registros do porto de Santos, estudos demográficos e certidões de casamento.

O próximo passo da pesquisa é avançar no estudo das migrações contemporâneas, investigando o impacto social, econômico e urbano das novas levas imigrantes em São Paulo, como os coreanos instalados da região industrial de Piracicaba e no setor de semijoias em Limeira, os haitianos na construção civil de Campinas e Franca, e os bolivianos nas confecções de São Paulo, Americana e Indaiatuba. “O Observatório das Migrações notou que, depois de 200 anos de imigração, São Paulo continua sendo a porta de entrada das imigrações internacionais no Brasil”, diz Rosana.

Reflexos na economia
O objetivo do Atlas é recuperar as distintas fases das migrações do estado desde 1794 até os dias atuais e articular as levas imigrantes e seus reflexos nas diversas fases da economia paulista. O primeiro período histórico contemplado no Atlas, de 1794 a 1888, envolve as migrações internas de cerca de 500 mil homens livres e escravos, bem como os primeiros imigrantes europeus, trazidos para trabalhar nas lavouras de café. A falta de censos demográficos desse período levou os pesquisadores a investigar os registros de casamentos e dados paroquiais de Campinas e São Carlos, por meio dos quais perceberam que parte significativa dos escravos dessas regiões vinha do quadrilátero do açúcar e do sul de Minas Gerais, assim como das províncias do Rio de Janeiro e da Bahia,muito interligados que continuam a impactar a formação social paulista”, explica Rosana.

Padrões de ocupação


Cada nacionalidade assumiu um padrão de ocupação diferente. Enquanto a de portugueses em São Paulo acompanhou a expansão da fronteira agrícola para oeste, os japoneses tiveram uma dispersão maior pelo estado, reunindo suas famílias nas cidades próximas ao porto de Iguape, no Vale do Ribeira, até a região entre Araçatuba e Presidente Prudente. O rico conjunto de mapas que compõe o Atlas detalha a dinâmica de imigração de todas as nacionalidades de imigrantes entre os anos de 1920 e 2010.

Em 1927 foi encerrado o subsídio à imigração internacional e a crise econômica global alterou a dinâmica imigratória. A elite industrial paulistana cresceu e o empresariado de origem imigrante estabeleceu raízes em Ribeirão Preto, Franca, São Carlos e Bauru, criando ricos polos industriais nas regiões. Os anos 1970 testemunharam a crescente pulverização dos fluxos migratórios rumo ao interior, padrão que continua até hoje por conta da melhor qualidade e menor custo de vida. Em razão da modernização agrícola e difusão da indústria, orientada pela instalação de eixos rodoviários do estado, o interior vem ganhando progressivamente uma relevância populacional, política e econômica.

A pesquisa mostra, por exemplo, como a presença de libaneses e japoneses estimulou o florescimento de zonas de comércio, ao passo que os italianos, portugueses e alemães cultivaram a agricultura e impulsionaram a indústria de São Paulo. Entre 1872 e 1950 estima-se que mais de 1 milhão de italianos entraram no estado, seguidos por 1 milhão de portugueses, 600 mil espanhóis, 200 mil japoneses, 200 mil alemães e 100 mil libaneses.

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