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domingo, 19 de janeiro de 2014

O autêntico “Samba de Ipirá” foi a atração principal do “Reis” da Fazenda Floresta, em Ipirá BA

João Batista e grupo, na Fazenda Floresta
A tradição do “Samba de Ipirá” remonta ao início do século passado e, desde então, vem sobrevivendo através de gerações, exatamente da forma como surgiu, sem introdução de outros elementos, exceção aberta apenas para uma pequena caixa amplificado que realça o som da viola
No último final de semana, a tradição foi mantida na Fazenda Floresta, em Ipirá, onde a nata do samba se reuniu para resgatar uma outra vertente dessa manifestação cultural: o “Reis roubado”. Esse “roubo” acontece quando o dono da fazenda anuncia o “Reis” para uma determinada data e um grupo se reúne para “roubá-lo” dias antes. Na nova data, todos chegam em absoluto silencio no local, sempre por volta da meia-noite e o “roubo” é anunciado através de fogos de artifício, com os sambadores cantando o “Reis” enquanto o dono da casa dorme é apanhado de surpresa. Aí é acordar, esperar o canto do “Reis”, abrir a porta e receber os convidados que, costumeiramente, sambam até a tarde do dia seguinte.

Grupo “A Praça é Nossa”

O “Reis” do último sábado contou com a presença dos maiores nomes do “Samba de Ipirá” como João Batista e grande parte dos componentes do grupo que faz cantorias de samba, no centro da cidade. O que hoje é uma forte manifestação cultural, começou como um simples encontro de um pequeno grupo de amigos que se reunia nos fins de tarde para bater papo na Praça Roberto Cintra em Ipirá (BA). A prática evoluiu e surgiu então à ideia de formar uma pequena roda de samba para manter viva a tradição de alguns sambadores do passado que tanto alegraram as festas de Cosme e Damião, entoando as letras que podem falar tanto de amor, quanto tragédias rurais e que arrebatam os participantes ao som palmas vigorosas e ritmadas.

O movimento também relembra ícones do samba como: Teófilo da Viola, Herculano da Viola, Geraldo de Pedro da Lagoa, Jonas do São Roque, Bento, Badinho, Passarinho, Chico Manchinha do Malhador, Roque do Garrote e tantos outros que serviram de inspiração para Raimundo Sodré, - o representante maior da música ipiraense, - levar a cultura do povo de Ipirá para o mercado internacional.

O movimento foi ganhando força e virou tradição o samba na Praça em Ipirá, graças ao incentivo de pessoas como João Batista e seu grupo, que vem fazendo um belo trabalho para revigorar a mais autêntica manifestação cultural da região.

Renovação

O que deixa os admiradores do “Samba de Ipirá” bastante satisfeitos é quantidade de pessoas jovens que abraçaram a causa. Na Fazenda Floresta, pudemos verificar que vários jovens já podem ser classificados como “sambadores”, uma vez que manejam com habilidade os instrumentos que compõem o espetáculo, como a cuia, o prato, o pandeiro e a viola. Outra novidade que nos chamou à atenção foi a introdução de dois outros instrumentos: um ganzá improvisado com três molas e o triângulo, aquele mesmo utilizado no forró “pé de serra”. A presença dos instrumentos não chega a descaracterizar a tradição de quase dois séculos, pois dão uma sonoridade extra ao espetáculo, sem interferir no âmago das chulas e batuques interpretados.

E viva a verdadeira cultura popular brasileira!

Euriques Carneiro

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