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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Morreu o poeta argentino Juan Gelman, um revolucionário na escrita e na vida





Escritor deixa uma obra marcada pelo amor, a dor e a morte. Lutou contra a ditadura militar responsável pelo assassinato do seu filho e foi forçado ao exílio em 1976. Nunca deixou de se bater pelos direitos humanos, contra qualquer forma de poder absoluto


“Não creio que chegue aos 100 anos”, disse ao jornal espanhol. “E ainda que queira ver casar os meus netos e ter algum bisneto, acredito que Deus, se existe, deve estar entediadíssimo com a sua eternidade.”Disse numa entrevista ao diário El País no ano passado, quando já estava muito doente, que não desprezava a vida, mas que também não temia a morte. Depois de décadas de poesia e de resistência, marcadas pela morte do filho às mãos da ditadura, o argentino Juan Gelman morreu esta terça-feira, na Cidade do México, onde vivia. Tinha 83 anos.

Gelman, que segundo a imprensa espanhola morreu tranquilamente, rodeado de familiares, sofria de uma disfunção ligada à medula óssea. “Cada día/ me acerco más a mi esqueleto”, escreve num poema em que fala da morte que se aproxima, disponível no site do El País. “Esqueleto saqueado, pronto/ no estorbará tu vista ninguna veleidade./ Aguantarás el universo desnudo.”

Autor de uma vasta obra em que a crítica social e política, assume papel de destaque, foi por amor que começou a escrever, dedicando os seus primeiros poemas às paixões de juventude em Buenos Aires, onde nasceu. Esqueceu-se desses primeiros versos, mas não se esqueceu do nome de uma delas – Ana –, conta o El País.

Gelman trabalhou como jornalista, colunista e tradutor, e publicou várias recolhas de textos em prosa, mas foi essencialmente um poeta, tendo publicado mais de vinte livros de poemas. Violín y otras cuestiones(1956), El Juego en que andamos I (1959), Velorio del solo (1961), Cólera Buey (1965),Fábulas (1971) e Hacia el Sur (1982) estão entre os seus títulos mais populares, num percurso que lhe valeu vários prémios, como o Cervantes (2007), o mais importante das letras espanholas, o Neruda (2005) ou o Rainha Sofia de Poesia Latino-americana (2005).

Ao mesmo tempo em que trabalha em várias revistas e jornais e vai publicado os seus poemas, adere ao peronismo revolucionário e torna-se militante do movimento Montoneros. É numa missão ao serviço deste grupo que sai do país, em 1975, numa viagem à Europa que o golpe de Estado de Março de 1976 transformaria num longo exílio forçado. Gelman ainda reentra clandestinamente na Argentina logo após a implantação da nova e sangrenta ditadura das juntas militares, que irá ser responsável pelo desaparecimento de cerca de 30 mil pessoas.

Logo em Agosto desse ano, o regime rapta a filha de Juan Gelman, Nora Eva, de 19 anos, o seu filho Marcelo Ariel, de 20, e ainda a mulher deste, que estava grávida. Nora foi libertada alguns dias mais tarde, mas Marcelo, saber-se-á depois, foi torturado e executado em Outubro de 1976.

Dois anos mais tarde, Gelman é informado em Roma, por uma figura do Vaticano, que a sua nora, María Claudia, teria dado à luz num campo de concentração e que a criança estaria viva.

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