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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

John Le Carré: o retorno do espião atual e eficiente como nunca



John Le Carré volta à cena com um novo romance e a reedição do seu clássico maior "O espião que saiu do frio", mostrando atualidade e eficiência do autor como os dos grandes do gênero

As consequências políticas e econômicas da revelação que agências do governo dos EUA bisbilhotava meio mundo, entre e além de suas fronteiras, servem de combustível para noticiários de todo o mundo. Um efeito colateral, marginal aos olhos dos analistas, quase passa despercebido até você abrir um romance de espionagem.

Cena da adaptação de clássico "O espião que saiu do frio"; e o autor do romance, o inglês John Le Carré

Ninguém tinha dúvida quanto à flexibilidade ética dos métodos dos serviços de inteligência. Mas poucos tinham a certeza de que eles eram empregados de forma maquinal, tediosa até. Programas de computador rastreavam palavras e expressões ditas em milhares de conversas grampeadas; cravam-se tabelas para tabulação dos dados e, quase sempre, estes serviam para beneficiar empresas em suas empreitadas nos mercados externos. Não havia heroísmo, anti-heroísmo ou sequer vilania.

Quando Edward Snowden, ex-analista de inteligência a serviço dos EUA, vazou informações sobre os procedimentos de seus antigos contratantes, não encontraram nenhum espião bem vestido, à James Bond. Tampouco quem estava por trás era algum criminoso excêntrico, mas sim aquela multinacional que já te vendeu alguma coisa. No mundo da moderna espionagem, o agente secreto James Bond teria pouca utilidade. A criação de Ian Fleming tornou-se não apenas exagerada, mas completamente inverossímil. Melhor se saiu o também inglês John Le Carré, que sempre preferiu o suspense, a tensão e os jogos de poder nos bastidores do que a aventura que temperava as histórias de 007.

O clássico e a novidade

Por coincidência, exatamente quando o tema da espionagem está em moda, Fleming e Le Carré voltaram às livrarias. O primeiro, em reedições dos romances protagonizados por seu personagem mais famoso. Já Le Carré retorna com um clássico, "O espião que saiu do frio" (1963), e um novo trabalho, "Uma verdade delicada" (publicado em inglês em abril do ano passado). As histórias contadas nestes dois romances captura a atmosfera política dos períodos em que foram escritas e no qual decorrem suas ações.

O primeiro se dá na Guerra Fria em seu auge, com uma delimitação clara dos lados em conflito. O segundo, no caótico cenário atual, em que os interesses de governos e empresas são cada vez mais semelhantes - e que as ideologias não servem sequer de disfarce para os objetivos dos envolvidos. Em comum, têm a habilidade de Le Carré de conduzir uma trama - e de prender a atenção do leitor - em que as ações são econômicas, como em um jogo de xadrez.

"Uma verdade delicada" tem sido saldado com o retorno do escritor à boa forma. Talvez seja efeito da trama ser mais tradicional, com elementos clássicos do romance de espionagem que rarearam em livros mais recentes. Seu protagonista é Toby Bell, secretário de um alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores britânico. Ele descobre que as informações oficiais acerca de uma operação secreta de antiterrorismo jihadista estão longe de retratarem o que aconteceu em campo.

A fórmula não é muito distante daquela de seu romance de 1963. "O espião que sabia demais" foi o terceiro livro publicado por Le Carré, escrito quando ele ainda fazia trabalhos burocráticos para a inteligência britânica e aprovado por seus superiores. Nos anteriores, o autor também versava sobre o mundo da espionagem, e até apresentaram seu "herói" mais recorrente, o veterano George Smiley. Mas foi com a trama do espião decadente que volta a campo para uma última missão que o escritor converteu-se em sinônimo de romance de espionagem.

Sua trama representa bem as tramoias militares de russos e americanos que aterrorizaram o mundo por décadas. Hoje, pode não ser um retrato muito último, mas se mantém como entretenimento de alto nível e de parábola de um mundo paranoico e de moral cada vez mais duvidosa.

Fonte: diariodonordeste




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