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domingo, 19 de janeiro de 2014

Filha do poeta João Cabral, Inez fala um pouco sobre o pai



"É uma luta inglória. Mas como sou uma pessoa otimista, não pretendo desistir", diz Inez sobre as dificuldades para captar recursos para “O frade”, filme digital de baixo orçamento
Quando Inez Cabral recebeu do pai, João Cabral de Melo Neto, os manuscritos do autoinacabado A casa de farinha, encontrou um rico trabalho de pesquisa e estudos que indicavam o processo criativo de um dos poetas mais importantes do Brasil. O pai já dava indícios de cegueira em estágio avançado, o que o impossibilitou de terminar a obra. Inez organizou um livro: Notas sobre uma possível A casa de farinha; e roteirizou O auto do frade para o cinema. Atualmente, tenta captar recursos para O frade, filme digital de baixo orçamento. "É uma luta inglória. Mas como sou uma pessoa otimista, não pretendo desistir", diz Inez, que contou ao Correio episódios da infância, da adolescência e curiosidades sobre o poeta pernambucano, como o medo de avião, a mania por remédios e a paixão por leitura e escrita.

Filha do poeta

Tive uma infância feliz. Fui uma adolescente rebelde, como costumam ser os adolescentes. Quanto a ser filha de João Cabral de Melo Neto, pelo fato de vivermos fora do Brasil, não tinha noção da importância literária dele. Para mim, ele era o meu pai, e isso era tudo. Lembro-me dele na mesa de jantar, com um batalhão de remédios, pílulas e cápsulas, ele era bastante hipocondríaco. Comia apenas para manter-se em pé. Gostava de conversar, e quando não trabalhava, estava lendo, ou então, trancado no escritório, escrevendo. Não gostava de festas, essa era para ele a parte difícil de sua profissão.

Na adolescência, eu não lia João Cabral. Meus escritores prediletos eram Victor Hugo, Émile Zola, Boris Vian. Meus ídolos eram os Beatles, os Rolling Stones, Bob Dylan, Françoise Hardy etc. Só tive noção da importância dele ao assistir a Morte e vida Severina num festival de teatro universitário em Nancy, França. A montagem foi maravilhosa, a música do Chico, uma obra-prima, e, pela primeira vez, prestei atenção num texto escrito por ele. E amei. Fiquei orgulhosíssima, claro.
Fonte: CB

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