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domingo, 15 de dezembro de 2013

Paulo Markun revive história em talk-show do Canal Brasil



No programa ‘Retrovisor’, do Canal Brasil, o premiado jornalista Paulo Markun conversa com atores na pele de personagens que fizeram a diferença no País e dá um novo alento à desgastada programação da TV brasileira

A cada edição, o apresentador se ‘teletransporta’ para a época de cada um dos entrevistados e faz um recorte de um dos períodos da vida de líderes políticos e artistas. “Você tem de estar concentrado em um momento da vida do personagem. Não é um balanço, pois muito assunto complica”, explica Markun, de 61 anos, dos quais 42 dedicados ao jornalismo em atrações como o Roda Viva.

Entrar em uma máquina do tempo é a sensação que um grupo de pessoas que anda frequentando a Biblioteca Mario de Andrade, no Centro, tem vivenciado. É lá que o jornalista Paulo Markun grava Retrovisor, novo programa do Canal Brasil, previsto para estrear em março, em que entrevista figuras importantes da história do País, interpretadas por atores.

Na gravação acompanhada pela reportagem, o convidado da vez era o escritor Euclides da Cunha, correspondente de guerra do Estadodurante o conflito de Canudos, entre anos de 1896 e 1897. Quem incorporou o autor foi Aury Porto, que esteve nas montagens de Os Sertões no Teatro Oficina. “Convivo com Euclides desde o ano 2000. Mesmo assim, dá um medo de fazer”, confessa o ator. Durante a entrevista, gravada sem interrupções, Porto reage da maneira com que imaginava ser o escritor. “Pelo modo de escrever, dava para ver que ele era sério, desconfiado e hipocondríaco. Ele não se divertia, vivia achando que tinha tuberculose”, palpita.

Para o programa, Markun e os atores se reúnem pelo menos três vezes antes de gravar, para saber o caminho a tomar na hora da entrevista. <IP9,0,0>A cada duas semanas, a produção se volta para a pesquisa de cada figura histórica. “Não é uma fala decorada, tenho de oferecer informações para o ator. Penso no processo e experiência que tenho, pois é desconstruir uma entrevista. Em cinco minutos, as pessoas já embarcaram. Até pela caracterização.”

Se Jô Soares tem seu sexteto para receber o convidado, Markun conta com um pianista clássico que, vestido de fraque, anima a chegada da plateia. Em seguida, uma projeção no palco traz uma breve explicação sobre o entrevistado.

Na contramão dos outros talk-shows, o público também participa com perguntas ao final do bate-papo. “É improviso. As perguntas da plateia não são combinadas. E não tem nenhuma gracinha nem curiosidades. Tudo que ele fala tem fonte bibliográfica consistente”, reforça o apresentador.

Antes das perguntas, a produção avalia se as questões cabem naquele contexto do entrevistado. “Têm coisas engraçadas, pois as pessoas querem passar pelo século 21, perguntam sobre a internet. Estamos no ano de cada personagem. Mas ele não fica espantado pelo fato de haver energia elétrica, as câmeras e eu com um tablet na mão”, diz. Para não haver problemas com direitos autorais, os convidados são de períodos de pelo menos 70 anos atrás. “É divertido e com rigor de pesquisa. O objetivo é atrair público para conhecer nossa história.”


Referência: estadao

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