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sábado, 21 de dezembro de 2013

“O homem das multidões” foi selecionado para a mostra Panorama do Festival de Berlim

Diretores Cao Guimarães e Marcelo Gomes
O filme “O Homem das Multidões “, inspirado em um conto do escritor britânico Edgar Allan Poe, rodado em Minas Gerais e dirigido em dupla por Cao Guimarães e Marcelo Gomes, foi indicado para o Festival de Berlim 

Adaptada do conto homônimo de Edgar Allan Poe, a trama segue Juvenal (Paulo André), maquinista de metrô em Belo Horizonte, e Margô (Sílvia Lourenço), controladora do fluxo dos trens. Embora mal se falem, além dos assuntos do trabalho, são o que de mais próximo têm em termos de amizade. Então resta a Margô convidar seu único amigo, Juvenal, para ser padrinho do seu casamento, com um noivo que ela conheceu pela Internet.

Quem conhece o diretor Cao Guimarães pelos filmes de experimentação, como Andarilho, talvez chegue em O Homem das Multidões com alguma hesitação, o que seria uma pena. Por trás de suas arriscadas apostas formais, o longa que Guimarães dirige com Marcelo Gomes é basicamente um boy-meets-girl, o subgênero mais acessível do mundo.

A janela escolhida para o filme, quase quadrada, que deixa a imagem mais vertical do que horizontal, ganha uma cara de Instagram com a fotografia de filtros esmaecidos de Ivo Lopes Araújo. Ora parece que estamos enxergando os personagens por uma janela de fato, espiando suas intimidades, ora eles parecem expostos numa máquina de fazer retratos (literalmente, em certo ponto do filme) - de qualquer forma, é o desconforto da claustrofobia, das invasões de privacidade, que o filme busca de início.

Eleger como protagonistas dois "donos" do vaivém, duas pessoas que por ofício são obrigados a lidar diariamente com a transitoriedade da gente anônima, é a segunda forma, depois da opção estilística, de tornar O Homem das Multidões uma versão hipersensível do mundo de solidões em que vivemos. Um mundo em que fazer uma opção pelas máquinas e não pelas pessoas ("a máquina você formata como quer, já o ser humano é complicado, né?", diz Margô) parece muito natural e mesmo inevitável.

Essa hipersensibilidade pode passar por afetação - a câmera que se move em zigue-zague no apartamento de Juvenal, como se fosse um sistema de vigilância, talvez enerve alguns espectadores, pelo teatro "automatizado" - mas os diretores sem dúvida têm olho para identificar o que aflige hoje a vida na cidade. Quem se comove com outros boy-meets-girl urbanos, como Medianeras, tem tudo para achar em O Homem das Multidões uma alma gêmea, basta se dispor ao encontro.

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