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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Inventário de Obras de Arte em Logradouros Públicos da Cidade de São Paulo


 Quem passa pela Praça das Guianas, nos Jardins, na Capital Paulista, pode observar uma escultura que se destaca na paisagem por suas cores e formas: o monumento a Federico Garcia Lorca (Fuentevaqueros, 1898 – Viznar, Espanha, 1936)
Exilados espanhóis, membros do Centro Cultural Garcia Lorca, resolveram homenagear o poeta morto por forças franquistas, sob acusação de ser comunista, durante a Guerra Civil Espanhola. Lorca, no entanto, não era vinculado a ideologias ou partidos políticos. Dizia-se um homem livre, sem preconceitos, que lutava contra a opressão e pelos direitos das minorias.

O escritor Paulo Duarte foi convidado a participar e colocou o Centro em contato com o escultor e arquiteto Flávio de Carvalho (Amparo da Barra Mansa, RJ, 1899 – Valinhos, SP, 1973). O projeto da escultura foi enviado à Serralheria Diana, de propriedade de espanhóis no bairro do Tatuapé, onde Flávio de Carvalho acompanhou sua execução passo a passo. Depois de pronta, a Praça das Guianas foi escolhida para a implantação.

A cerimônia de inauguração, no dia 1º de outubro de 1968, foi prestigiada pelo poeta chileno Pablo Neruda, que fez um caloroso discurso elogiando o amigo Garcia Lorca e o autor da escultura. Uma exposição na Biblioteca Mário de Andrade e um espetáculo no Theatro Municipal com a participação de Chico Buarque, Geraldo Vandré, Sérgio Cardoso e outros completaram a homenagem, com repercussão internacional.

Na madrugada de 20 de julho de 1969, uma explosão danificou a escultura. Nunca se apurou o responsável pelo ato, que, no entanto, foi atribuído ao CCC (Comando de Caça aos Comunistas). Folhetos deixados junto à obra informavam sobre a destruição do monumento ao poeta "comunista e homossexual", no dia da Revolução Cubana.

Os destroços da escultura foram levados a um depósito da Prefeitura. Em 1971, Flávio de Carvalho restaurou-a para levá-la à Bienal de Arte de São Paulo. Com muito custo e sem o apoio das autoridades responsáveis, conseguiu colocá-la do lado de fora do prédio da Bienal, no Parque Ibirapuera, onde ficou apenas dois dias. O embaixador da Espanha reclamou da presença da "escultura do comunista" e ela voltou ao depósito.

Dispostos a devolver a obra ao espaço público, alunos da Escola de Comunicações e Artes e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo falsificaram documentos e a roubaram em 1979. Durante três meses, trabalharam na sua recuperação e a depositaram no vão livre do MASP (Museu de Arte de São Paulo), estrategicamente, no dia em que o prefeito Olavo Setúbal participava de um evento no museu. Pietro Maria Bardi, diretor do MASP, e o prefeito não aprovaram o ato. Dias depois, finalmente, a obra foi reimplantada na Praça das Guianas, seu local de origem.

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