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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Confeitaria Colombo: a arte de alimentar o corpo e enaltecer a alma em pleno centro do Rio de Janeiro



Já abordamos aqui no Artecultural espaços gastronômicos famosos como o Café Tortoni, em Buenos Aires e o Restaurante Leite, em Recife, com seu quase sesquicentenário de história. Desta vez, falaremos de uma joia incrustada de sabores e história, situada no Rio de Janeiro: a Confeitaria Colombo

Tudo na Colombo é de primeiríssima qualidade: das estantes de Jacarandá aos móveis talhados pelo artista Antonio Borsoi, tudo isso emoldurado com o que há de melhor e mais saboroso da culinária portuguesa no Brasil.
 Mas o maior patrimônio da casa é imaterial. Trata-se do garçom Orlando Duque, de 76 anos, que em julho completa 61 anos de Confeitaria Colombo. “Quando comecei a trabalhar aqui só se entrava de terno e gravata. E foi assim até o início da década de 70. Até gorjeta era proibido”, relata Duque.
A Confeitaria Colombo, fundada em 1894 pelos portugueses Joaquim Borges de Meireles e Manuel José Lebrão, funciona no centro do Rio de Janeiro, em uma região que ficou conhecida no início do século passado como uma “Paris Sulamericana”, englobando as ruas do Ouvidor, com seu comércio, e Primeiro de Março, com suas igrejas muito próximas umas das outras, para demonstrar a força das ordens religiosas que se confundiam como autoridade daquela que, à época, ostentava o status de Capital Federal.

Seguramente um dos funcionários mais longevos do país em um mesmo emprego, Duque relembra os tempos em que servia cafezinho ao presidente Getúlio Vargas nas mesas de mármore italiano, impecavelmente decoradas com talheres de prata e louças Vista Alegre ostentando o logotipo da casa. Dentre outros clientes tipo VIP, Orlando serviu os presidentes Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves. Ele cita ainda famosos nacionais que frequentaram o local como Chiquinha Gonzaga, Lima Barreto, Olavo Bilac e, mais tarde, políticos como Carlos Lacerda.

Antigamente, lembra Orlando Duque, a casa não abria nos feriados, mas hoje recebe cerca de 5 mil pessoas em busca das maravilhas da culinária portuguesa que enfeitam os balcões, enchem os olhos e dão água na boca. Os números são de impressionar: 34 variedades de doces e salgados, com destaque para o pastel de nata, o quindim de camisola, o mil folhas, as bombas e a grande novidade: o pastel de caipirinha. 
A média de vendas é de cerca de 50 mil doces e a mesma quantidade de salgados por mês que, para o feitio, consome cerca de 4 toneladas de farinha, 3 toneladas de açúcar e 25 mil ovos. Tamanha variedade e sabor inigualável renderam o livro de receitas Confeitaria Colombo – sabores de uma cidade.

A casa dispõe ainda de variados souvenires que vão de uma caixa com a iguaria Leque, um biscoito waffer sem recheio, receita da casa que vem em uma clássica lata de alumínio desde 1921, ou porta-copos, potes de vidros cheios de balas coloridas, além de livros que contam a história do estabelecimento que, aliás, já foi contada em mais de 10 novelas e minisséries gravadas no local.

Se a sua intenção é apenas admirar a beleza, a tradição e o cabedal cultural da casa, basta pedir uma mesa, degustar um saborosíssimo café e solicitar uma folha de papel com a história da Colombo. Com versões em português, inglês, francês, espanhol e alemão, é uma ótima oportunidade para mergulhar na história do estabelecimento.
 Prazer único e inigualável de apreciar algo tão belo e tão rico culturalmente que, felizmente, não aderiu às modernidades e ao estilo high tech da maioria das casas da espécie.

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