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sábado, 23 de novembro de 2013

Octagenário se recusa a devolver obras recolhidas por nazistas


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O negociador de arte Cornelius Gurlitt   tinha em seu apartamento mais de mil obras de arte confiscadas pelo regime nazista. Elas foram confiscadas, mas ele as quer de volta

Cornelius Gurlitt escondeu por décadas, em seu apartamento, centenas de obras de arte confiscadas por oficiais nazistas. O negociador de arte de 80 anos finalmente quebrou o silêncio, depois que a descoberta repercutiu por todo o mundo. Ele afirmou que não irá devolver as obras, nem quer negociar com os antigos donos e herdeiros.

Gurlitt declarou à revista alemã Der Spiegel que funcionários do governo estão tentando negociar, mas que ele não está interessado. “Quando eu morrer eles podem fazer com eles o que quiserem”. O comentário do negociador, o primeiro que ele fez sobre o assunto, veio depois que o ministro da Justiça da Baviera disse que espera chegar a um acordo para evitar uma luta legal longa e agilizar a restituição das obras.

Acervo valioso

Foram mais de 1.400 obras de arte encontradas, incluindo obras-primas de Henri Matisse e Otto Dix. A descoberta foi feita há dois anos, mas só foi tornada pública há duas semanas. Funcionários da Baviera dizem acreditar que mais de 500 peças podem ter sido roubadas pelos nazistas.

A recusa de Gurlitt a considerar uma solução amigável pode complicar a restituição das obras. No direito alemão, Gurlitt é o dono do acervo encontrado em seu apartamento até que se prove o contrário. Alguns especialistas questionam até mesmo se as autoridades tinham base legal para divulgar os nomes das obras na coleção de Gurlitt ao público, como fizeram com 25 obras na semana passada. Também não está claro por quanto tempo as autoridades podem manter o acervo.

Crimes prescritos

Mesmo que pudesse ser provado que certas obras foram roubadas, qualquer crime que possa ter sido cometido em conexão com a coleção prescreveu décadas atrás. A confusão envolve também acordos internacionais que a Alemanha assinou sobre como agir em relação a obras roubadas por nazistas. Enquanto as autoridades alemãs argumentam que as diretrizes se aplicam apenas a museus e não a indivíduos, Stuart Eizenstat, secretário especial do Estado sobre questões do Holocausto, discorda, o que gera pressão internacional para uma resolução.

Ainda sim, o negociador está irredutível. Gurlitt declarou que a perda dos quadros foi extremamente dolorosa, mais do que a morte de seus pais. Ele contou que teve de ver as obras sendo levadas e que, nas últimas duas semanas, teve pesadelos. “O que essas pessoas querem de mim? Eu só queria viver com as minhas pinturas”, disse Gurlitt que se referiu a seu pai, um ex- negociante de arte para os nazistas, como um herói que salvou as obras do nazismo, dos americanos e dos russos.

A descoberta das obras ocorreu por acaso. O idoso foi investigado depois que as autoridades o pararam durante um controle fronteiriço de rotina, embarcando da Suíça para a Alemanha, e notaram que ele estava carregando nove mil euros em dinheiro, ou pouco menos dos dez mil permitidos por lei. As suspeitas aumentaram quando se descobriu que Gurlitt não tinha uma conta bancária alemã, nem seguro social ou de saúde, e que seu endereço não era registrado na cidade de Munique, uma exigência para todas as residências alemãs
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