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sábado, 9 de novembro de 2013

Descoberto um autêntico tesouro amealhado a partir da coleta de peças de arte feitas pelos nazistas, inclusive pelo próprio Führer


Autoridades foram criticadas pela demora em revelar a descoberta de tesouro nazista que contém obras-primas até então desconhecidas. Catálogo também inclui obras que se pensava que estavam destruídas
Há muitas histórias – a maioria lendárias – sobre tesouros nazistas ocultos. Elas vão desde barras de ouro em fundos de lagos a fantásticas somas de dinheiro transportadas para a América do Sul via Lisboa.

Mas agora, na semana em que se “comemora” o 75º Aniversário da Krystallnacht – Noite dos cristais, contra sinagogas e lojas judaicas – veio à luz o que parece ser, de fato, a descoberta de um autêntico tesouro amealhado a partir da coleta de peças de arte feitas pelos nazistas, inclusive pelo próprio Führer.

A revista Focus foi a primeira a revelar que algum tempo atrás as autoridades policiais haviam descoberto cerca de 1.500 pinturas guardadas secretamente num apartamento na cidade, na casa de um certo Cornelius Gurlitt, um cidadão que vivia completamente isolado, como um ermitão, sem família nem amigos. Tudo o que se segue é ainda objeto de investigação, mas os indícios são muito contundentes sobre a veracidade do que vai se contar.

Tudo começou em 1934, na cidade de Zwickau, onde um diretor de museu perdeu seu emprego por ter ascendência judaica: Hildebrand Gurlitt, o pai de Cornelius. Apesar desta primeira queda em desgraça, Hildebrand conseguiu se recuperar graças a seus conhecimentos no mundo e no mercado de artes. Já nesta época Hitler desejava criar um “Führersmuseum” em Linz, na Áustria, perto de sua cidade natal, Braunau am Inn. Uma das principais seções do museu seria dedicada àquilo que os nazistas consideravam como “arte degenerada”, em geral de modernistas, mas também de judeus, comunistas, e outros seres “indesejáveis”. E Gurlitt tornou-se um dos encarregados de coletar obras para este fim.

As “coletas” eram feitas através de confisco ou de compras – em geral a preço reduzido, no caso de obras vendidas, por exemplo, por proprietários judeus que desejavam fugir dos fascistas, muitas vezes literalmente “comprando” a sua liberdade através destas vendas rebaixadas. As obras assim coletadas foram reunidas provisoriamente num “Sonderauftrag”, na cidade de Dresden, enquanto se esperava a construção do museu em Linz.

Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, a construção do museu foi postergada e depois postergada para sempre, com a derrota dos nazistas. Hildebrand declarou que as obras que ele coletara foram todas transportadas para Dresden, e acabaram destruídas no bombardeio de 15 de fevereiro de 1945, que arrasou o centro da cidade com bombas explosivas e incendiárias. E a coisa ficou por isso mesmo, inclusive porque em 1956 Hildebrand morreu num acidente de carro, deixando o filho, Cornelius, como o único herdeiro.

Finalmente, há a questão do que fazer com Cornelius que, no momento, saiu de sua casa para destino ignorado. Ele está com 80 anos e, além de guardar irregularmente estas obras, apresenta sintomas de alguma perturbação emocional. Consta que enquanto os policiais vasculhavam a sua casa, em 2012, ele ficou fechado num quarto escuro. Seu único comentário teria sido: “Vocês poderiam ter esperado que eu morresse. Iriam ficar com as obras de qualquer jeito”.

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