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domingo, 3 de novembro de 2013

Cat Stevens (ou Yusuf Islam), vem pela primeira vez ao Brasil: 16 e 17.11, em São Paulo e 20.11, no Rio de Janeiro




Agora conhecido como Yusuf Islam, o músico Cat Stevens , um dos grandes nomes do folk norte-americano na década de 1960, se apresenta dias 16 e 17 de novembro no Credicard Hall, em São Paulo e dia 20 de novembro no Citibank Hall, no Rio de Janeiro

Steven Demetre Georgiou nasceu em 1948. Apesar do nome, é londrino, filho de pai grego e mãe sueca. Começou a carreira com 18 anos cantando * Love My Dog*, já contratado pela Decca/Deram, que se encantara com sua voz e sua pegada no violão. Em janeiro do ano seguinte, Cat já estava novamente na parada com um novo single, Matthew And Son. Seu maior sucesso dessa primeira fase da carreira seria The First Cut Is The Deepest, lançada em 1968.

Tudo ia bem até que Stevens contraiu tuberculose e precisou se internar por três meses num hospital e de um ano para se recuperar totalmente. Depois desse episódio, sua forma de compor mudaria, suas letras seriam mais pessoais e ele romperia seu contrato com a Deram.

Ao longo dos anos 70, Cat Stevens seria uma das maiores estrelas de uma espécie de folk britânico meio místico, meio pop, algo personalíssimo e capaz de atrair grandes multidões. Contratado pelo selo Island, sua nova carreira começaria em 1970, com Mona Bone Jakon. Este primeiro disco teria Lady D'Arbanville como primeiro single, mas um grande empurrão seria dado pela gravação de "Wild World" por Jimmy Cliff, o que deu origem ao segundo disco, Tea For The Tillerman, que veio recheado de futuros sucessos. Além da versão autoral para Wild World, temos pérolas como Father And Son, Sad Lisa e Where Do The Children Play.
Estes sucessos levaram o álbum a ultrapassar a barreira do Disco de Ouro e posicionou Cat como uma resposta britânica a nomes como James Taylor e Carole King. Um ano depois, mais um disco veio para consolidar a posição de Stevens. Teaser And Firecat, inspirado num conto infantil, vem com outra leva de canções belíssimas. Se tornam hitsMorning Has Broken, Moonshadow e Peace Train.

Em meio à doideira total, canções como Banapple Gas mostravam que talvez a carreira de Cat iniciasse a proverbial subida no telhado. Os dois discos seguintes, Izitso (1977) e Back To Earth (1978) dão a noção exata de um declínio como compositor. A vida na estrada, a fama, o dinheiro, tudo isso aos 30 anos de idade, fez com que o jovem cantor e compositor inglês saísse de cena e se convertesse ao islamismo, saindo de cena pouco tempo depois.

Poucos poderiam imaginar que ele voltaria ao disco. A surpresa vinda com o lançamento de An Other Cup, em 2006, foi imensa. Com o nome adquirido após 28 anos de conversão ao islamismo, Yusuf Islam agora surgia para o mundo. A voz permanecia a mesma. O bom gosto na escolha das músicas, também. As agruras retratadas em Back To Earth, no distante ano de 1978, pareciam superadas e incorporadas a um manto de sabedoria que sua figura agora parecia ostentar. Sereno, com uma barba longa e grisalha, além do olhar plácido e tranquilo. Yusuf, definitivamente, não era mais um popstar ou algo no gênero.
Parecia um menestrel. A canção que abre An Other Cup, Midday, é de uma beleza profunda, cheia de discretos flertes com ritmos caribenhos sem nunca revelar isso completamente. Além dela, uma cover sensacional para Don't Let Me Be Misanderstood, dava o ensejo de que o sujeito não estava ali para doutrinar ninguém, apenas para dar prosseguimento a uma carreira de meteórico sucesso.

Um novo disco viria três anos depois. Roadsinger aprimorou a forma de An Other Cup e deu a Yusuf a garantia de que seu retorno não era uma ação caça-níqueis baseada na nostalgia. Aqui estava um homem voltando a cantar, a sentir vontade de se expressar em forma de música. Durante seu tempo de ausência da indústria musical, Yusuf lançou vários discos com canções em árabe, além de um disco infantil, A Is For Allah, motivado pelo nascimento de sua filha.

Finalmente ele vem tocar no Brasil. Seus shows ao redor do mundo não procuram evitar a nostalgia e sua banda consegue não só recriar arranjos originais como atualizá-los sem que isso resulte num modernismo vazio. O potencial de uma apresentação recheada de hits, entremeados por novos futuros clássicos, credencia as apresentações de Cat/Yusuf para as listas de melhores do ano.

Em recente entrevista a um canal fechado brasileiro, ele falou da sua conversão ao islamismo e de como esta atitude mudou a sua vida. “Hoje eu componho colocando para fora o meu estado de espírito”, disse. O que poucos sabem é que ele morou no Brasil, em meados da década de 70, no Rio de Janeiro, fugindo dos impostos da Inglaterra. Tempos depois, ele se confessou arrependido e doou esse dinheiro para UNESCO. Sobre a sua estadia no Brasil ele comentou: “o que sei é que o Brasil de hoje é um país bem mais justo, onde a distância entre os mais ricos e os mais pobres foi reduzida e as classes menos favorecidas gozam de condições substancialmente melhores”.

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