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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Os ritmos gravados por Luiz Gonzaga foram muito além do baião por ele inventado



Nas últimas semanas, aproveitando as minhas viagens diárias entre Feira de Santana e Alagoinhas, fiz uma releitura da obra de Gonzagão e ouvi cerca de 700 músicas por ele gravadas, o que me fez relembrar verdadeiras preciosidades que a maioria das pessoas sequer imaginam que ele tenha cantado

O pernambucano de Exu, Luiz Gonzaga inventou e eternizou o baião e foi responsável pela divulgação dos demais ritmos correlatos: o forró, o xaxado, o arrasta-pé e tantos outros derivados. Evidentemente, a sua discografia mostra que a imensa maioria das suas músicas passeiam por esses gêneros e ritmos, mas também navegou por outros mares musicais, sempre com a mestria que norteou a sua trajetória artística.

Foi nessas andanças que conferi gravações de Luiz “Lua” Gonzaga, de ritmos diversos ou de sucesso recentes que poucos sabem que remontam à décadas passadas, quando o mundo ainda tinha o privilégio de ter o Nordestino do Século XX, gozando de boa saúde.

Neste rol, podemos incluir “Tamborete de Forró” que fez grande sucesso na voz de “Santana, o Cantador” na década passada, mas que foi composta há muito tempo e gravada por Gonzagão.

Daquele que considero o terceiro maior compositor que influenciou a carreira do mestre, (os primeiros são Humberto Teixeira e Zé Dantas), João Silva, ele gravou “Prá não morrer de tristeza”, um meio samba meio bolero, que foge aos padrões gonzagueanos.

Do cantor e compositor Zé Geraldo, ele gravou “Cidadão”, um exemplar da música regional, com claros sintomas de protesto e indignação pelas discriminações sofridas pelo cidadão que dá nome à canção.

Do gênero 'caipira”, autoria de Angelino de Oliveira, ele gravou "Tristeza do Jeca", eleita recentemente a melhor música caipira de todos os tempos. Nessa canção, Gonzaga empresta o seu vozeirão carregado de uma legítima tristeza, como se estivéssemos ouvindo o próprio “Jeca” imaginado pelo autor.

Classificada como “lamento”, a composição de Julio Ricardo e O. de Oliveira denominada “Ave Maria Sertaneja” é uma das mais emocionantes gravações de Gonzaga. Até hoje, não entendo como as rádios do Nordeste, às 18 horas, tocam “Ave Maria” de Gounod, ou de Bach e até mesmo em ritmo sertanejo, quando temos este belíssimo exemplar de louvação, com letra e melodia tão afetas à nossa realidade.

Por último, mas não menos importante, destaco a luxuosa gravação da obra maior de Geraldo Vandré, “Caminhando (Prá não dizer que não falei das flores)", realizada em 1980, onde Luiz Gonzaga dá um banho de interpretação, sendo luxuosamente acompanhado por uma orquestra. Não fosse uma figura com a imponência de Gonzagão, soaria estranho ele cantar o hino da resistência contra a ditadura implantada no país, em meados da década de 60. Como é de conhecimento de todos, o artista nordestino marchou ao lado dos militares, sendo este um dos motivos das desavenças com o filho Gonzaguinha, este sim, um ferrenho opositor ao regime implantado em 1964.

São pérolas do cancioneiro popular, que na voz de Luiz Gonzaga, ganharam nova roupagem e se perpetuaram na história da música popular brasileira.


Euriques Carneiro

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