domingo, 6 de outubro de 2013

Modernidade periférica: “O que faz uma caixa de sabão em pó, um interruptor, um mictório, uma sala cheia de terra ou de pipocas ser aceita como arte contemporânea?”



“Americanos são muito estatísticos
têm gestos nítidos e sorrisos límpidos
olhos de brilho penetrante que vão fundo no que olham, mas não no próprio fundo
os Americanos representam grande parte
da alegria existente neste mundo”.


Americanos, Caetano Veloso, 1992.


Quando olhamos a historia da arquitetura latino-americana no século XX o movimento moderno se destaca como aquele que misturou as características internacionais com aspectos da cultura local e que, de alguma maneira, mostrou que a arquitetura latina estava atualizada com a arquitetura dos países centrais do ocidente. Essa arquitetura foi amplamente divulgada no cenário internacional, fato que proporcionou o reconhecimento dos arquitetos que a desenharam e os colocaram em debate com os arquitetos internacionais daquele período.

Pelo menos dois fatos foram fundamentais para que isso ocorresse: o fortalecimento da critica das artes e da arquitetura nos EUA provocada pelo enfraquecimento do mercado da arte na Europa, que havia sido devastada pelas Grandes Guerras; e a vontade dos norte-americanos em se afirmarem como centro do mercado das artes e, conseqüentemente, da critica internacional.
Brazil Builds

Nos anos 1940, o MoMA realizou uma exposição cujo tema foi a arquitetura brasileira: Brazil Builds: Architecture New and Old (1943), que mostrava a arquitetura brasileira a partir de exemplos em nove estados: Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Paraíba, Pernambuco, Pará, Ceará(5). A história da arquitetura brasileira foi apresentada em três períodos distintos, o colonial, o ecletismo e o moderno, que se iniciava.

Para apresentar o Brasil, Goodwin (1943) descreve o olhar do viajante, que sobrevoa o país:

"O enorme avião prateado atravessa velozmente o rio Amazonas. Quilômetros e quilômetros de água sinuosa serpeando pântanos e contornando ilhas, a perder de vista. Prossegue depois através de tufos de nuvens, por sobre terras desertas e virgens do passo humano, apenas pontilhadas de colinas verdes.

Goodwin (1943) contava então a história em três momentos: o colonial, onde foi apresentada, predominantemente, a arquitetura religiosa; o ecletismo, com a arquitetura da missão francesa e do ciclo da borracha; e por fim, o moderno, onde foram mostrados os primeiros exemplos da arquitetura moderna que se iniciava e os (parcos) registros da modernização do país.

No que diz respeito ao período colonial, o autor apresenta o poder da igreja católica, a importância do trabalho escravo:

"A vida e arquitetura brasileira sofreram três influencias principais: a da igreja, quase tão poderosa no Brasil como o próprio rei; a do ouro descoberto em Minas Gerais no fim do século XVII; e a da escravidão negra importada da África, destinada aos trabalhos nas cidades e nas grandes fazendas.

E a maneira como os brasileiros alteraram o modelo do colonizador, o que gerou uma independência da referência européia:

"Em comparação com as igrejas barrocas da metrópole, as igrejas coloniais do Brasil são mais simples, os exteriores ornamentados sem exagero. Usualmente, a igreja brasileira apresenta linhas gerais severas, enriquecidas por verdadeiras jóias de talha e, amiúde, especialmente na Bahia e em Minas Gerais, manifesta uma certa independência em relação ao modelo português.

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