terça-feira, 1 de outubro de 2013

Estiagens prolongadas e incêndios florestais são ameaças à sobrevivência da Amazônia



Segundo o IPCC, a Amazônia pode perder 70% da área até o fim do século, vítima das agressões promovidas por atividades humanas decorrentes da ocupação econômica nas últimas três décadas
Especialistas mostram-se preocupados com a crescente diminuição das chuvas sobre a Floresta Amazônica observada nos últimos anos. A redução das chuvas é apontada como o resultado dos fenômenos mais frequentes e intensos de aquecimento superficial dos oceanos Pacífico Equatorial (corrente marítima El Niño) e Atlântico Norte, que acontecem devido ao aquecimento do planeta.
Com menos chuvas é grande o risco dessa mata densa e exuberante, que se espalha por quase sete milhões de quilômetros quadrados na América do Sul, se transformar em uma vegetação mais baixa, rala e seca, com aparência que fará lembrar o Cerrado do Brasil Central.As ameaças são representadas, principalmente, por desmatamentos associados à especulação de terras, crescimento das cidades, abertura de estradas, expansão da pecuária bovina, exploração irregular de madeira, agricultura familiar e agricultura mecanizada. Não bastassem esses agravantes, a Floresta Amazônica ainda é duramente impactada pelas mudanças climáticas globais em curso.

Pesquisas conduzidas pela Embrapa em uma floresta manejada atingida por incêndios em 2005, localizada no Projeto de Colonização Pedro Peixoto, no Estado do Acre, mostram que, apesar de haver uma grande quantidade de árvores em processo de restabelecimento à ação do fogo, especialmente quanto à reconstituição da folhagem, uma quantidade ainda maior de árvores não resistiu e morreu.

As pesquisas mostram ainda uma redução de 15% na diversidade de espécies de árvores na floresta incendiada. Embora ainda não conclusivas, as pesquisas da Embrapa indicam que, pelos padrões de danos causados, a floresta foi modificada para uma condição inferior em termos de retenção de carbono, biodiversidade, serviços ambientais, etc., tornando-a, entre outros efeitos danosos, mais suscetível a novos incêndios, os quais poderão ser determinantes para a sua inteira degeneração, talvez irreversível.

Nas últimas décadas, muitas foram as previsões alarmistas sobre op futuro do planeta que, conforme os “Nostradamus” do século XX, estaríamos vivendo hoje em um mundo transformado em um caldeirão fervente, que poderia até mesmo ameaçar a sobrevivência das espécies. Alarmismos à parte, é certo que, se não fizermos algo de urgente em termos de conservação dos recursos naturais da terra, talvez a nossa geração não seja tão afetada, mas certamente deixaremos um planeta bem mais inóspito para os nossos descendentes.

Euriques Carneiro

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário será publicado após análise.
Obrigado!