quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Box com 20 CDs, batizada de "Ary Barroso – Brasil Brasileiro", mostrará o legado do compositor mineiro


Ary Barroso , conhecido por ser durão e intransigente com quem revelasse gosto ou opinião musical diferente da sua, revelou em seus programas de calouros nomes que viriam a fazer história na música brasileira, como Dolores Duran, Elza Soares ou Elizeth Cardoso



Compositor-ícone da era do rádio e maior nome do samba-exaltação, Ary Barroso nasceu em Ubá (MG) e aos 18 anos foi para o Rio de Janeiro estudar Direito. Levou nove anos para se formar e nunca exerceu a profissão. No Rio foi obrigado a tocar piano em cinemas e cabarés para se sustentar, e passou a se interessar pelo teatro musical, então em ascensão. Entrou no rádio em 1933, pela Rádio Philips, e comandou programas de sucesso no rádio e mais tarde na TV, como Calouros em Desfile e Encontro com Ary. Ainda na década de 30 iniciou carreira como locutor esportivo, profissão que nunca mais foi a mesma depois de Ary Barroso.

A partir dos anos 1930, Ary Barroso (1903-1964) ficou conhecido não apenas por seus sucessos musicais, mas também pela fama de carrasco que construiu ao comandar o programa Calouros em Desfile. Ranzinza, reprovou nomes como Luiz Gonzaga, Nelson Gonçalves e Ângela Maria, além de ridicularizar tantos outros, como Elza Soares e ninguém menos que Vinicius de Moraes.

Autor de clássicos como Aquarela do Brasil, No Rancho Fundo, Risque, Na Baixa do Sapateiro, Morena Boca de Ouro, É Luxo Só e Pra Machucar Meu Coração, não poderia imaginar que sua obra seria de certa forma “gongada” por seu próprio país durante muito tempo. Em novembro, mês que marcam os 110 anos de seu nascimento, as primeiras gravações de seu cancioneiro serão lançadas após uma batalha de mais de sete anos em busca de patrocínio. Enquanto nomes que em nada acrescentam ao cancioneiro popular recebem polpudas cotas em shows e gravações, um ícone do quilate de Ary Barroso não consegue um níquel para a reedição de seu grandioso legado musical.

O pesquisador Omar Jubran, que organizou e remasterizou as gravações originais de todas as músicas do compositor, chegou a um acordo na última segunda-feira com o Museu da Imagem e do Som (MIS), de São Paulo, para lançar uma caixa com 20 CDs, batizada de Ary Barroso – Brasil Brasileiro.

O box, que teria tiragem inicial de 2 mil cópias, caso tivesse sido viabilizado o patrocínio, sairá com apenas mil unidades. Serão 316 das 321 músicas de Ary Barroso, já que cinco desses fonogramas não foram localizados. O 'pesquisador levanta a hipótese de que tais canções foram de fato compostas, segundo levantamento do cancioneiro de Ary, mas podem não ter sido prensadas e lançadas.

“Trabalhos como este estão na essência do Museu da Imagem e do Som: a recuperação de um dos maiores compositores do País, com obra tão brilhante”, diz André Sturm, diretor-executivo do MIS.

Segundo Sturm, essas primeiras cópias serão distribuídas pelo MIS. Uma parte irá para instituições do estado de São Paulo parceiras da Secretaria de Estado da Cultura, e, outra, ficará no museu para uso cultural. Foi feito um acordo, dizendo que a Novodisc (selo que fabrica os CDs de Jubran) poderá fazer quantas outras edições quiser por sua conta desde que conste que o projeto recebeu apoio do MIS e da Secretaria do Estado da Cultura. O preço do box para o público ainda não foi definido.

“Não sou um entusiasta do Ary Barroso, que muito deve aos arranjos e às orquestrações do Radamés Gnattali, mas louvo o trabalho do Jubran. É um trabalho de relojoeiro, e muito necessário, esse de recuperar com os recursos de hoje as gravações daquela época, que tinham suas deficiências”, diz José Ramos Tinhorão, pesquisador e renomado crítico musical .

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário será publicado após análise.
Obrigado!