domingo, 22 de setembro de 2013

Versões restauradas com extras dão nova vida a 'Deus e o Diabo...' e 'Terra em Transe'



Sempre que se fala em cinema nacional duas obras são citadas com destaque: "Deus e o Diabo na Terra do Sol" e "Terra em Transe", do cineasta baiano Glauber Rocha

"Deus e o Diabo na Terra do Sol", lançado em 1964, projetou o cinema brasileiro para o mundo e misticismo do sertão nordestino para o glamour de Paris e Cannes. O filme narra a história do vaqueiro Manuel e sua mulher Rosa que vagam pelo sertão, encontrando um deus negro, um diabo loiro e o temível Antônio das Mortes.O que já era bom ficou ainda melhor. Duas obras-primas do cinema brasileiro, "Deus e o Diabo na Terra do Sol" e "Terra em Transe", de Glauber Rocha (1939-81), foram restauradas e remasterizadas digitalmente. A genialidade de Glauber Rocha foi preservada, realçando imagens e trilha sonora originais.

O trabalho de edição e remasterizaçao de "Deus e o Diabo..." traz, nos extras, entrevistas com dona Lúcia Rocha, mãe de Glauber, e pessoas ligadas à produção e do elenco.

Críticas e matérias da época, roteiro --com trechos do manuscrito, anotações e desenhos--, cenas de bastidores e pesquisa de locação, esboços originais da arte do pôster de Rogério Gomes e anúncios originais do filme em jornais e revistas completam os extras.


O Festival de Cannes de 1967 marcou a premiação de "Terra em Transe", que é considerado o mais importante filme de Glauber. Com elenco recheado de monstros sagrados do como Danusa Leão, Francisco Milani, Glauce Rocha, Hugo Carvana, Jardel Filho, José Lewgoy, Paulo Autran e Paulo Gracindo, o longa apresenta o transe político pelo qual os países latino-americanos passavam na segunda metade do século passado.

O documentário inédito "Depois do Transe", de Paloma Rocha e Joel Pizzini, com o debate no Museu da Imagem e do Som (MIS) do Rio, em 1967, compõe os extras de "Terra em Transe".

Glauber de Andrade Rocha nasceu em Vitória da Conquista (BA), em 14 de março de 1939. Escritor, ator e cineasta, ele cursou até o terceiro ano de direito, mas abandonou as leis para se dedicar às filmagens. Glauber morreu no dia 22 de agosto de 1981, aos 42 anos, no Rio.


O irrequieto Glauber sempre controvertido, sempre pensou e respirou cinema. Sob o seu prisma, o cinema tinha que ser uma arte engajada ao pensamento e pregava uma nova estética, uma revisão crítica da realidade. Era visto pela mentores da ditadura militar que se instalou no país, em 1964, como um elemento subversivo e nocivo aos preceitos militares da época.

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