terça-feira, 10 de setembro de 2013

Elogiado documentário de Joel Pizzini, sobre o cantor Ney Matogrosso, será exibido amanhã, 11 no Cine Ceará



O próprio Ney participou do processo de realização do filme, isso não implicou nenhum tipo de censura. "Ney é extremamente detalhista e suas observações após a montagem apontavam para pontos desconcertantes que só ele podia perceber", justifica o diretor


Entre as dezenas de filmes que compõem a programação do 23º Cine Ceará, e, mais especificamente, entre os oito que disputam o troféu Mucuripe na Mostra Competitiva Ibero-Americana de Longa-Metragem, "Olho Nu" é um dos mais aguardados pelo público, a ser exibido amanhã, às 20 horas, no cinema do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC).

Dirigido por Joel Pizzini, o documentário brasileiro revela aspectos do processo criativo e faz um recorte da vida e carreira do cantor Ney Matogrosso, ícone da história da MPB e do rock nacional. A estreia em circuito comercial está prevista para março de 2014.

Por si só, o personagem já é suficiente para garantir um bom filme. Filho de militar, nascido numa pequena cidade do Mato Grosso do Sul, Ney tornou-se um audacioso showman, responsável por apresentações que hipnotizam o público - inicialmente no pioneiro grupo Secos e Molhados; depois, em bem sucedida carreira solo.

Some-se à riqueza do tema uma oportuna abundância de material e pronto: meio caminho andando. Foi assim com "Olho Nu", construído a partir de mais de 500 horas de fitas gravadas, pertencentes ao próprio Ney. Garimpados e tratados, esses registros foram combinados a outros mais recentes, realizados na propriedade do artista em Sampaio Corrêa (distrito de Saquarema, Rio de Janeiro) e durante turnês de shows pelo Brasil e Europa.

O cineasta rejeita o tipo de documentário musical que privilegia a celebridade e não o personagem. "Um filme que aborda esse universo não pode depender do tema e, antes de tudo, ele precisa de ritmo. A música deve ser tratada como personagem. Há que se experimentar todas as potencialidades da linguagem", complementa o realizador.

Não é a primeira vez que Pizzini e Ney Matogrosso trabalham juntos. Em 1988, o cantor protagonizou um curta do diretor, dedicado ao poeta Manoel de Barros. "Foi a porta de entrada que culminou em ´Olho Nu´, que ele confiou a mim, abrindo-se completamente para recriar sua trajetória, sem nenhuma expectativa biográfica", explica Pizzini.


Perfeccionismo

O próprio Ney participou de etapas da edição do material. "Era preciso que ele se reconhecesse neste autorretrato que compus, a partir de todo este imaginário imenso. O que desafinou foi pontuado por ele, e recriado com toda liberdade", avalia Pizzini.

"Ele segue desconcertando a todos, recusando a cômoda fórmula do sucesso fácil. Há muitos filmes possíveis sobre o Ney. Procurei fazer um com e não sobre ele. Espero que proporcione uma experiência estética atemporal", avalia. Leia mais na página 6


O que: 23º Cine Ceará.

Quando: Até 14 de setembro

Onde: Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC)

Informações: www.cineceara.com




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