domingo, 22 de setembro de 2013

Cidade da Cultura, em Feira de Santana, sediou neste domingo 22, uma autêntica “Bata de Feijão"

O anfitrião Asa Filho sendo entrevistado pela TV Subae

Dono da casa, me dê cachaça / se não me der eu mato na pirraça / é na pirraça, na pirracinha / se não me der eu lhe chamo de canguinha.../ Esta uma das ‘cantigas’ que costumam acompanhar as batas de milho e feijão, quando a chuva permite que haja safra na inóspita região nordestina

O ano é 1940 e o cenário uma “Bata de Feijão”, na zona rural de Ipirá - BA. Amigos reunidos, mais de 20 homens participando do adjutório e o Sr. Francisco, após acender o cigarro de palha, pergunta para o seu compadre Tarcisio: “compadre, estou querendo parar de fumar, qual o remédio?”. Em alto e bom som, para que todos os presentes ouvissem o compadre responde de forma compenetrada: “vergonha na cara, compadre...” Francisco jogou o cigarro fora e nunca mais fumou.

Neste domingo, o maior promoter de arte e cultura de Feira de Santana, Asa Filho, abriu as portas da sua Cidade da Cultura que foi palco de uma “Bata de Feijão, com todos os ingredientes desta manifestação cultural, tão comum nestas bandas do Nordeste. Uma quantidade de feijão ‘mulatinho’ que rendeu algo em torno de 5 sacos, vários pessoas que vivem esta realidade no seu dia a dia, muitos convidados que viram pela primeira vez como se retira o feijão das vagens e inúmeras figuras ligadas à arte e à cultura da cidade princesa.


Iniciado o processo, homens e mulheres seguram os porretes e, de forma ritmada, batem no amontoado de pés de feijão que foram arrancados da roça. Até aí não haveria nada demais, mas as pauladas são acompanhadas de cantos típicos, oriundos do samba e das brincadeiras de roda tão comuns no interior baiano. As letras e as melodias nos levam a uma linguagem algo inteligível e que têm suas raízes ainda na colonização do Brasil. Não guardam nenhuma consonância com o samba de roda tradicional, mas com uma manifestação cultural típica dos sertões e que podem ser comparadas com os ritmos entoadas pelo grupo da Quixabeira, de Feira de Santana, ou pelo Samba de Ipirá, com Badinho, Soares e outros sambadores daquele município.

O inusitado evento teve cobertura da TV Subaé, que colheu depoimentos mais que autênticos daqueles que foram as estrelas da festa: os batedores de feijão e puxadores da trilha sonora que embalou o trabalho. Estiveram presentes ainda nomes ligados à cultura feirense como Cessé, Janio Rego e Reginaldo Tracajá entre outros que foram prestigiar a bela iniciativa de Asa Filho e Jaci, timoneiros competentes daquele que é o mais efervescente espaço cultura de Feira de Santana.

Texto e fotos: Euriques Carneiro


Um comentário:

  1. muito bom! não sabia como era e presenciei, achei o resgate dessa cultura muito boa iniciativa. Parabéns Asa Filho!

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