segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Centro Cultural Banco do Brasil, sedia Festival de Cultura Inclusiva com atores portadores de deficiência



Segundo os idealizadores do projeto, a ideia é mostrar a capacidade criativa e produtiva das pessoas com deficiência e incluí-las nos espaços culturais resgatando uma característica desse grupamento de artistas que não se limita a habilidade da técnica e se utilizam com maestria a habilidade do coração

Lurdinha é mãe do pintor e artista plástico Lucio Piantino, que tem síndrome de Down. Ele também é ator e está na peça de teatro Diversos Dias, encenada no festival. Piantino tem ainda trabalhos na exposição. A artista plástica explicou que o preparo para organizar o festival, com recursos do Fundo de Amparo à Cultura (FAC) e da Petrobras, começou em janeiro deste ano. “Fizemos oficinas de pintura, papel machê, escultura em argila e teatro. 

A gente foi preparando o material para este festival. Há trabalhos de aproximadamente 30 pessoas, a grande maioria deficiente”, disse.Uma peça de teatro encenada por cadeirantes, portadores de síndrome de Down e deficientes visuais e auditivos e uma exposição com pinturas e esculturas também confeccionadas por pessoas com deficiência fazem parte do 1º Festival de Cultura Inclusiva do Distrito Federal, realizado até 22 de setembro no Centro Cultural Banco do Brasil.

De acordo com Lurdinha, entre os alunos e professores das oficinas atuam deficientes e não deficientes. “A nossa proposta é estabelecer uma relação entre pessoas com e sem deficiência. As aulas de escultura em argila foram ministradas por um escultor cego, o Flávio Luís. A professora de cerâmica foi a Marta Guedes, que é deficiente visual. A peça de teatro foi construída em conjunto com a diretora Mônica Gaspar, a partir das vivências dos participantes”, explicou.

Alguns objetos da exposição também têm relação com as vivências de seus idealizadores. É o caso do alfabeto Braile em cerâmica. O espaço tem ainda toda a acessibilidade necessária, como áudio descritor das peças expostas e intérprete da Linguagem Brasileira de Sinais (Libras). A proposta do festival impressionou visitantes como o servidor público Anderson Araújo Couto, de 30 anos.

“Eu percebi que eles [deficientes visuais] retratam bastante as mãos. Talvez porque as usam para sentir, visualizar. É curioso ver também trabalhos do pessoal com hanseníase, que tem a visão mas não a sensibilidade nas mãos. É justamente o oposto dos deficientes visuais. É um outro olhar. Não é um artista que tem a habilidade da técnica. Eles têm a habilidade do coração”, disse.

Após a temporada no Centro Cultural Banco do Brasil, o 1º Festival de Cultura Inclusiva segue para o espaço Cia. Lábios da Lua, no Gama, cidade a 30 quilômetros de Brasília. De acordo com Lurdinha Danezy, depois disso a ideia é buscar apoio para levar o evento a outras cidades.

Fonte: EBC


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