Construção - Reforma - Manutenção

Construção - Reforma - Manutenção
Clientes encantados é a nossa meta!

domingo, 4 de agosto de 2013

"Os Pássaros": 50 anos de uma das maiores obras de Hitchcock


 

"Os Pássaros" foi o primeiro filme feito pelo diretor depois do sucesso de Psicose (Psycho, 1960), lançado três anos antes. Após se dedicar um tempo à sua série de TV, Hitchcock estava mesmo atrás de um novo desafio que se equiparasse à sua obra-prima anterior

A oportunidade surgiu quando o diretor deu de cara com o conto de Du Maurier e uma série de notícias duvidosas publicadas em jornais da época, que retratavam episódios envolvendo supostos ataques de pássaros, sem qualquer motivo aparente. Aí, a mente do diretor voou longe.

Engraçado que Os Pássaros é um filme que, até hoje, divide opiniões de muita gente. Há os que amam, os que odeiam, os que simplesmente o relegam ao balaio de filmes secundários de Hitchcock. Talvez por ser uma produção mais voltada ao terror do que ao suspense característico do diretor, que privilegia aqui o horror encarnado na figura dos pássaros e os efeitos assustadores – foram ao total 371 trucagens visuais (nada de efeitos de computador na época), que misturaram pintura matte, pássaros mecânicos e reais, filmagens em estúdio e em locação. Uma empreitada desafiadora, já que, no decorrer da trama, somos convencidos sem grande esforço de que aquelas centenas de pássaros são reais e, sim, oferecem perigo.

A história se desenrola ao redor de um casal – uma esbelta socialite loira e um advogado – que se conhece por acaso em uma pet shop em San Francisco. A loira fica encucada com o rapaz e resolve lhe fazer uma visita surpresa na pequena cidade litorânea de Bodega Bay, onde o rapaz mora com a mãe e a filha. O que poderia ser a premissa de uma comédia romântica – com um homem viril e atencioso tendo a atenção disputada por diversas mulheres – se transforma em uma série de episódios de terror, onde não há nenhuma explicação a respeito. De um momento para o outro, os pássaros se rebelaram e, unidos, passam a botar os humanos pra correr.

Azar da modelo Tippi Hedren, que, em seu primeiro filme, sofreu um bocado nas mãos de Hitchcock – a relação tempestuosa entre os dois virou até trama de filme, o recém lançado The Girl (2012). Em um dos momentos mais tensos de Os Pássaros, a personagem de Tippi entra em um quarto e é furiosamente atacada pelos pássaros que tomaram o ambiente, o horror estampado em closes no rosto da atriz e nas bicadas que devastam seu corpo e roupa – difícil não pensar na famosa cena do chuveiro de Psicose. A cena, que dura apenas dois minutos e 10 segundos, demorou longos cinco dias para ser filmada, levando a Hedren à exaustão e ao hospital.

Há quem diga, inclusive, que a longa filmagem foi uma espécie de “pegadinha” de Hitchcock, um castigo pela atriz ter resistido ao avanços libidinosos do diretor – versão que, até pouco tempo, continuava sendo descartada por Hedren, talvez para não criar polêmica. O fato é que, antes da filmagem, Hitchcock havia prometido que a sequência seria feita com pássaros mecânicos. Somente no dia de rodar as cenas Tipi Hedren descobriu que o que a aguardava eram pássaros de verdade, em grande parte – a possibilidade de recorrer a bonecos nunca havia passado pela cabeça do diretor.

A aterrorizante cena – difícil não esconder os olhos diante do ataque dos pássaros – é crucial para o desenlace do filme. Com a bela loira gravemente ferida, o advogado vivido por Rod Taylor decide tentar escapar da cidade, acompanhado da mãe e da filha. E aí surge o polêmico final. Os sobreviventes saem de casa e dão de cara com todo o território à sua frente tomado pelas aves silenciosas e ameaçadoras. Com muito cuidado, entram no carro, dão a partida e começam a seguir pela estrada. E é isso. The End. Fim da história.

Conseguiram chegar sãos e salvos a San Francisco? O ataque dos pássaros se restringiu à cidade litorânea ou tomou o mundo? Afinal, o que levou os bichos a atacarem? Hitchcock nos priva de respostas. E, assim, possivelmente torna o fim da história muito mais icônico e impactante do que qualquer outro final mais convencional faria.

Vale destacar que, aqui, o diretor não seguiu o roteiro. A história escrita por Evan Hunter ia mais longe e acompanhava um pouco mais o trajeto de carro dos quatro sobreviventes. Em certo momento, os pássaros atacavam a cobertura de lona do carro, os bicos surgindo acima das cabeças dos ocupantes, até que a capota, reduzida a trapos, subia e deixava todos à mercê dos animais. Rod Taylor então acelerava o carro e conseguia escapar da perseguição.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário será publicado após análise.
Obrigado!