quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Obras de Pablo Picasso em Oslo, correm o risco de demolição



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Desde que um grupo de especialistas recomendou a demolição do complexo e a remoção dos murais do pintor espanhol Pablo Picasso, o debate na Noruega e está dividindo a opinião pública no país

Os painéis de betão do mestre modernista, projetados entre os anos 50 e 70, estão instalados num complexo de edifícios governamentais atingidos pelos atentados à bomba na capital do país, Oslo, em 2011.

Como as estruturas dos prédios foram abaladas pelos ataques, um grupo de especialistas recomendou a demolição do complexo e a remoção dos murais. Mas a sugestão não agrada aos críticos de arte, que argumentam que os murais, instalados nos blocos H e Y do complexo, foram criados especificamente para esses prédios, não podendo ser meramente removidos e instalados noutro lugar.

Uma pesquisa recente do jornal Verdens Gang mostrou que 39,5% das pessoas concordam com a recomendação dos especialistas, mas 34,3% acham que os murais e os edifícios devem ser restaurados e permanecer onde estão.

A possível demolição tem sido comemorada por quem sempre viu no complexo uma série de edifícios com traços de gosto duvidoso. “É uma oportunidade de ouro” para nos vermos livres daquela “arquitetura degradante, brutal e feia”, provoca o artista Dag Hol.

Há quem veja nos prédios, no entanto, um significado histórico, como Joern Holme, chefe do departamento de Património Cultural. “Não podemos demolir o melhor (momento) de uma era (da arquitetura moderna) apenas porque achamos isso feio hoje em dia”, disse. O governo norueguês irá decidir o destino dos edifícios até o início do ano que vem.

As obras estão entre as primeiras experiências de Picasso com murais em betão. À época, a execução das obras, presentes no interior e no exterior dos prédios, ficou a cargo do artista norueguês Carl Nesjar. Os direitos sobre as obras pertencem hoje aos herdeiros de Picasso, que deverão ser consultados sobre o destino delas. Eles ainda não foram oficialmente contactados, mas já disseram estar “abertos ao diálogo” para discutir a questão.

O complexo foi o alvo de um atentado à bomba perpetrado pelo radical de ultradireita Anders Breivik em 2011. A explosão fez oito mortos no local e antecedeu a segunda e mais sangrenta parte do atentado, o ataque a tiros contra jovens que participavam num encontro de um partido de esquerda na ilha de Utoeya. O massacre terminou com 77 mortos, a maioria adolescentes, e chocou o mundo. O que se discute na Noruega é que a arte de um mestre como Picasso não pode ser objeto de demolição pura e simplesmente, mas a pendenga promete ser longa e exaustiva.

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