quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Movimento Cultural Roraimeira: semente plantada na década de 80 ainda rende frutos para a cultura de Roraima



O Movimento Cultural Roraimeira, iniciado na década de 1980, reuniu músicos, escritores, dançarinos, poetas, fotógrafos, entre outras expressões artísticas voltadas para construção cultural de uma identidade para o povo de Roraima, baseada, sobretudo, nos elementos da cultura e da paisagem natural existentes no Estado

O movimento uniu músicos, escritores, poetas, artistas visuais do norte do país e lançou um manifesto. Seus integrantes acreditam que foi o último movimento antropofágico do Brasil no século 20. Com forte tendência na música, a Roraimeira resistiu durante quase 20 anos e permanece escondido no meio da mata amazônica.


Roraimeira é o nome de uma música do cantor e compositor paraense Zeca Preto. Esta música foi classificada em 2º lugar no II Festival de Música de Roraima que aconteceu em julho de 1984. É a primeira música que fala do povo e da paisagem de Roraima. O sucesso foi imediato.


O músico Eliakin também fazia música regionalista e já conhecia Zeca Preto. Outro compositor que abordava a mesma temática era o Neuber Uchôa. Então resolveram se juntar e fazer um show com as suas composições que falavam de Roraima e da Amazônia.


A estreia do show foi em agosto de 1984 no Teatro Amazonas, em Manaus. Batizaram o show de Roraimeira e a primeira apresentação foi realizada em Manaus porque Eliakin era estudante de Filosofia na Universidade do Amazonas, já se apresentava e fazia shows na cidade.
O show em Boa Vista foi em outubro de 1984. O sucesso foi estrondoso. Casa lotada, as pessoas emocionadas de ouvirem pela primeira vez um repertório que falava da cultura e da paisagem natural da região.


Outros artistas, de outras linguagens artísticas, que também utilizavam a temática local nas suas obras, se juntaram ao grupo e nasceu aí o Movimento Cultural Roraimeira, inspirado no Movimento Modernista e no Movimento Tropicalista, com o objetivo de construir uma estética local e começar a esboçar e revelar uma identidade cultural para o povo de Roraima.


A sociedade local é plural e de fronteira, já que em Roraima vivem brasileiros de todas as partes do país e mais os estrangeiros da Venezuela e Guiana. A proximidade com o Caribe, a forte influência nordestina em Roraima, a marcante presença dos povos indígenas e a distância do resto do Brasil, tudo isso foi configurando um movimento cultural (música, literatura, fotografia, artes plásticas, dança) que reconhecia e acomodava todas as diferenças e apontava para a diversidade e a pluralidade como a marca da nossa identidade.


Em 2000, foi gravado o CD ao vivo “O CANTO DE RORAIMA E SUAS INFLUÊNCIAS INDÍGENAS E CARIBENHAS” e encerrou-se um ciclo, mas outros artistas, em outras linguagens deram continuidade. Hoje é denominada de arte Roraimeira qualquer manifestação que tenha Roraima como temática principal.

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