sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Livro de autoria de juiz sergipano afirma que cangaceiro Lampião era gay


 

Em 2008, visitei em companhia do forrozeiro Quininho de Valente, a Fazenda São Miguel, no município de Serra Talhada, cerca de dois quilômetros  da casa onde nasceu Virgulino Ferreira, o Lampião 

No seu torrão natal, o cangaceiro Lampião é endeusado e ícone naquele pedaço do agreste pernambucano. Duvidar da sua masculinidade, nem pensar. É motivo para cem anos de briga e, se o juiz aposentado Pedro de Morais aparecer por lá com as suas insinuações sobre a opção sexual de Virgulino, sua estadia será deveras complicada.

A vida de Virgulino Lampião que viveu no início do século passado e atuou no sertão nordestino, tido como herói por uns, e assassino e ladrão por outros, virou mais um livro. O cangaceiro que viu seus pais serem assassinados e espalhou uma onda de vingança e terror pela região seria gay, segundo livro.

O personagem é tema do livro “Lampião, o Mata Sete” do juiz aposentado e advogado Pedro de Morais, que seria lançado no próximo dia 1° de Dezembro, na sede da OAB de Sergipe, e que defende que o rei do cangaço era homossexual. Padre Cícero, emboscadas, perseguição policial e o ambiente carente do sertão são pontos abordados pelo livro que vai além e conta o dia a dia no bando de ladrões que viraram heróis por combater o poder estabelecido e coronelista da época.


Não é o primeiro trabalho que afirma que o homem temido por uns e adorado por outros era do bordado e não do babado. É sabido que Lampião era hábil costureiro e confeccionava suas próprias vestimentas e calçados. Há até boatos de que um de seus homens, Corisco, era seu amante e que Maria Bonita só foi aceita no bando para afastar a fama de baitola do chefão. A fama de feia da tal Maria Bonita, mulher macho sim senhor também é abordada no livro.


O livro apresenta diversos relatos e estudos sobre a teoria de que Lampião era um homossexual. Entre elas, a teoria do professor Luiz Mott, doutor em antropologia, do Grupo Gay da Bahia, que força teses anteriores de que Lampião não era machão em sua intimidade e adorava perfume francês, usava um lenço de seda e muitos anéis nos dedos.


Ao ser morto em 1938, Lampião, Maria Bonita, Corisco e outros do bando tiveram suas cabeças decepadas e exibidas em praça pública. Por décadas as famílias não conseguiram dar um enterro digno a estas figuras lendárias da história brasileira. Parece que até hoje eles estão condenados a não descansarem em paz.


Ação na justiça


A família de Lampião conseguiu na Justiça sergipana impedir o lançamento do livro ‘Lampião, o mata sete’, de Pedro de Morais, que sustenta que o cangaceiro era gay.

Em Aracaju, vivem uma filha de Lampião, Expedita, e netos. Segundo o cineasta Zoroastro Sant'Anna, que fez um filme sobre Lampião, há 186 livros sobre o valentão, mas, nenhum questionou sua sexualidade.

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