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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Glória Pires vive triângulo homossexual em novo filme de Bruno Barreto



“Foram 17 anos esperando o projeto acontecer”, disse a atriz sobre Flores Raras, que conta a história de amor da arquiteta Lota de Macedo Soares e da poetisa Elizabeth Bishop

“Quando recebi o e-mail, não acreditava na minha sorte de ter o papel e de vir para o Brasil e fiquei maravilhada com a estética e cinematografia”, disse Miranda, logo no começo da entrevista. “Eu não sabia muito sobre Elizabeth Bishop e quando li o roteiro fiquei encantada com essas mulheres.”As atrizes Miranda Otto e Glória Pires, o diretor Bruno Barreto e a produtora Paula Barreto participaram de uma coletiva no início da tarde desta segunda, 5, em São Paulo, para promover o filme Flores Raras, que conta uma versão da história de amor real vivida pela arquiteta Lota de Macedo Soares (Glória) e a poetisa norte-americana Elizabeth Bishop (a australiana Miranda) nos anos 50.

O projeto nasceu há quase duas décadas, quando Lucy Barreto, mãe de Bruno, comprou os direitos do livro Flores Raras e Banalíssimas – A História de Lota de M. Soares e Elizabeth Bishop, de Carmen Lucia Oliveira. Logo pensou em Glória Pires para o papel de Lota, mas teve dificuldade de encontrar um diretor.

“Minha mãe me ofereceu e eu não me interessei, aí ofereceu para o Hector Babenco e ele também não se interessou. Quando minha ex-mulher Amy Irving fez o monólogo da Marta Góes Um Porto para Elizabeth Bishop, lá nos Estados Unidos, senti uma ‘cosquinha’”, contou Barreto. Só então nasceu a vontade de trabalhar no projeto. “Fui ler o livro e passei anos tentando achar o ângulo. Aí me ocorreu que o que permeava tudo aquilo era a perda. A pessoa forte, resolvida, vai perdendo tudo e a pessoa alcoólatra, perdida, vai se fortalecendo porque aprende a lidar com a perda”, define Barreto.

Glória aceitou o papel desde o início. “Foram 17 anos esperando o filme acontecer. Para mim foi um presente”, afirmou a atriz. “O que me atraiu até hoje em um personagem não foi a semelhança comigo, mas que tipo de vivência poderia ter com ele, que interpretação faria. E, claro, roteiro, diretor, a gente vai se cercando de coisas legais. Ela é muito mais aberta do que eu, sou muito mais comedida. Ela [Lota] pensava algo e ia atrás de realizar, eu sou mais de refletir.”

Flores Raras, como quase sempre é o caso, não é uma cinebiografia 100% fiel aos fatos da vida real. Há concessões e liberdades artísticas muito bem-vindas. “O compromisso maior da ficção é com a verossimilhança e não com a realidade. Às vezes, você coloca a verdade na tela e não fica verossímil”, explicou o diretor.

Por mais que a perda seja, de fato, a temática de maior peso no longa – algo que ele deixa abundantemente claro em todas as cenas e reforça até mais do que o necessário no final –, os relacionamentos de três mulheres homossexuais caiu como uma luva ao atual cenário político do Brasil. “O filme veio em um momento bom, quando essas questões já estavam em discussão. Ele acrescenta, mostra duas mulheres em uma vida conjunta absolutamente comum, desmistifica um pouco”, define Glória. Bruno acrescenta que as filmagens terminaram há cerca de um ano e meio, antes de essa ser uma pauta tão quente no país.

“Se fosse a pauta do dia, seria mais fácil”, contou ele, que, ao lado da irmã Paula, teve dificuldade para captar dinheiro por causa da temática homossexual. “O Itaú, conservador, participou. O banco onde a gente tem conta não quis patrocinar”, disse. “Foi o maior investidor privado que tivemos. Não fosse isso, não teríamos pagado as dívidas”, complementou Paula, afirmando que foram R$ 13 milhões de investimento. “Filme de época é sempre caro”, disse sobre o projeto, que tem cenografia e figurinos caprichados e muitos efeitos especiais para deixar o Rio de Janeiro com cara de década de 50.

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