segunda-feira, 5 de agosto de 2013

De Rubem Fonseca a Marcelo Rubem Paiva: dois momentos da literatura nacional



“Feliz Ano Novo”, é de 1975 (Rubem Fonseca) e “Feliz Ano Velho” foi publicado 1982. Apenas sete anos separam as duas publicações, mas as semelhanças literárias ficam apenas nos títulos das duas obras, pois o conteúdo têm tons absolutamente equidistantes
Feliz Ano Velho é um relato de Marcelo Ruben Paiva, do acidente que o deixou tetraplégico poucos dias antes do Natal de 1979. Jovem paulista de classe média alta, sem problemas financeiros, ele vê sua vida se transformar num pesadelo em questão de segundos.

Como em diversos acidentes da espécie, durante um passeio com um grupo de amigos, Marcelo resolve dar um mergulho no lago. Meio metro de profundidade. Uma vértebra quebrada. O corpo não responde. Começa ali, naquele mergulho, a história de 'Feliz Ano Velho'. Apesar do tema trágico, 'Feliz Ano Velho' tem momentos de humor, ternura e erotismo. Marcelo se encarrega de colocar em palavras a relação de amor e respeito à mãe, o carinho das irmãs, a camaradagem e o encorajamento da turma, as festas e fantasias diversas.


Logo após o lançamento, o livro virou best-seller embora sem nada profundo, mas com narrativas sinceras a respeito do acidente, dos primeiros dias no hospital, da reação da família, dos amigos e da sua própria consciência de ter cometido uma bela “burrada”.

E a partir daí, começa o período de recuperação e adaptação ao novo modo de vida, sempre se entremeando com relatos e lembranças da infância e da juventude, como por exemplo o dia em que militares entraram em sua casa e levaram seu pai, que ele nunca mais voltou a ver.


O que chama à atenção no livro de Paiva é que, em nenhum momento ele tenta se tornar um exemplo, um herói ou tenta passar alguma lição. Parece até que quer mostrar seus defeitos e fraquezas. Dessa forma, ele consegue transmitir as dificuldades que uma pessoa com deficiência passa para conseguir se inserir na sociedade, para recuperar um pouco de sua antiga vida, para enfrentar os problemas e o medo dessa nova situação, mas sem ficar com aquela de “eu sou um coitado, mas eu vou vencer”.

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