terça-feira, 6 de agosto de 2013

Contando om o apoio de catadores, Eduardo Eloy reúne o material no lixão para desenvolver o seu trabalho


 

O artista plástico visual cearense Eduardo Eloy - contemplado pelo Programa Internacional de Residências Artísticas da Fundacion Ace, de Buenos Aires, para onde segue no próximo dia 18 -, celebra o convite que recebeu do Ministério das Relações Exteriores (MRE)

Fragmentos dentro de fragmentos. Imagens dentro de imagens. Coisas dentro de coisas. O universo de formas simbólicas construído pelo artista plástico cearense Eduardo Eloy, 53, é um mergulho em objetos, tempos, lugares, memórias que se metamorfoseiam e se combinam. Cada conjunto de seres e traços inventados se transfigura em expressão de quem vasculha o seu mundo interior. Com mais de 30 anos de carreira, o desenhista, pintor, fabricante de papel artesanal e gravador vive hoje uma plena maturidade artística, ciente das suas circunstâncias e contribuições, mas não menos preocupado em não se deixar levar pelas ilusões de macetes e fórmulas de sucesso. “Já tenho uma estrada, sou um artista experiente. O meu medo, na verdade, é a repetição de formas que eu já criei ou de técnicas e manuseios”, conta.


Da saturação à reinvenção é que nasceu o seu mais recente trabalho, a série Os Impossíveis (2008), que reúne trabalhos de técnica mista sobre cartão - um deles estampa a capa do Vida & Arte de hoje. Desde o último domingo (25), o projeto Intervenção celebra os 20 anos de aniversário do caderno Vida & Arte, em que seis artistas plásticos e um coletivo criam setes imagens para as capas publicadas ao longo desta semana até sábado (31). Além de Eduardo Eloy, participam Siegbert Franklin (edição de ontem), Maíra Ortins, Herbert Rolim, Ana Cristina Mendes, Marina Barreira e o grupo Acidum, responsável por grafites como os que preenchem as molduras de alvenaria ou cercaduras do Centro de Humanidades I, da Universidade Federal do Ceará. A curadoria fica a cargo da pesquisadora Ana Valeska Maia.

Trajetória


Surgido nos anos 1970, o artista plástico trocou Fortaleza pelo Rio de Janeiro em busca de inovações artísticas. Na capital carioca, estudou na prestigiada Escola de Artes Visuais do Parque Lage, um dos principais núcleos brasileiros de formação em artes visuais. Nos anos 1980, de volta à capital cearense, Eduardo Eloy desenvolveu uma obra sempre em diálogo com o cenário nacional, mas centrada na sua própria identidade. Não somente preocupado com a expressão de sua própria criação, Eduardo Eloy também desempenhou (e o faz até hoje) importante papel na formação de outros artistas. Coordenou o curso de graduação em Artes Visuais da antiga Faculdade Gama Filho, ministrou e implantou oficinas em todo o Estado e teve, entre outros alunos, Milena Travassos, Yuri Firmeza, Waléria Américo, Jaqueline Medeiros e a própria Ana Valeska Maia, nomes da nova geração de artistas plásticos do Ceará. Por muitos deles, Eduardo Eloy é tido como “mestre da gravura”, linguagem plástica a qual se dedicou com desenvoltura.

Dentro das artes gráficas, Eloy fundou e coordenou a oficina Tauape, que deu origem a um grupo homônimo de gravadores, e criou o Instituto da Gravura do Ceará (INGRAV) e o grupo Aranha de pintura mural, que fez intervenções de grafitagem nos muros da cidade. As habilidades na gravura foram levadas para seus desenhos e pinturas. Nos trabalhos mais recentes, mistura pintura, gravura e arte digital, vistos na série Instabilidade (2006), onde imagens antigas que habitam seu repertório são pinçadas em uma nova imagem em impressão digital. Ao longo das três décadas de carreira, Eloy expôs em vários países, tais como França, Espanha, Portugal, Itália, Alemanha, e tem obras em acervos pelo Brasil e pelo mundo, como no Museu de Gravura de Buenos Aires (Argentina), Coleção Armando Gonteri (Suíça) e Museu Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro). Entre os prêmios, foi vencedor do 32º Salão de Abril (1982) e Salão Norman Rochwell (1997), ambos em Fortaleza. Atualmente mantém a produção artística no seu ateliê, no bairro Papicu, e colabora com a Secretaria da Cultura do Estado (Secult) no desenvolvimento do centro de estudos de gravuras do Ceará, que, segundo ele, deve ser inaugurado este ano.


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