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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A arte de fazer política, não necessariamente partidária

Casa dos Froes da Motta, em Feira de Santana

No final dos anos 70, tive a honra de conhecer uma pessoa absolutamente lúcida e com um tirocínio aguçadíssimo. Estou falando de Eduardo Froes da Motta, Prefeito e um dos ícones da política de Feira de Santana – BA

Em um tempo em que a Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS ainda se chamava Fundação Universidade de Feira de Santana e não era gratuita, eu dirigia o meu táxi nas ruas pavimentadas a paralelepípedos da “Princesa do Sertão” para, entre outras despesas, custear o curso de Economia da FUFS.

Pelo menos em um sábado por mês, eu tinha uma viagem garantida: apanhar uma empregada do Dr Eduardo Froes da Motta e levá-la para visitar um filho que residia na zona rural, próximo ao distrito de Humildes. Confirmada a viagem, eu parava o Fusca na porta da residência do patriarca situada na praça que levava o nome da sua família, “Froes da Motta”, e esperava a minha passageira contumaz.

Numa destas tardes de sábado, ela mandou avisar que iria demorar um pouco para sairmos e pediu que eu entrasse e aguardasse. Fui conduzido a uma ampla sala de estar, onde o Dr. Eduardo encontrava-se em uma cadeira de balanço. Apresentei-me e, no desenrolar da conversa eu disse que estava no 4º semestre de Economia na FUFS e ele achou bastante interessante o fato de um taxista frequentar universidade, parabenizando-me pelo êxito alcançado.

A conversa fluiu para a sua atuação como Prefeito de Feira de Santana e ele então me narrou uma passagem da sua administração que guardo como uma lição de gestão. Esta lição torna-se ainda mais expressiva, se levarmos em conta que o fato ocorreu na década de 40 do século passado, quando gestão de pessoas e relacionamento humano ainda figuravam no terreno da ficção e, mais do que nunca, valia a máxima “manda quem pode e obedece quem tem juízo”.

Como à época, a Praça da Matriz não passava de um modesta igrejinha com muito capim à sua volta, os proprietários de animais deixava-os a pastar nas cercanias do templo. Dr. Eduardo chamou então um “guarda municipal” e deu-lhe a seguinte instrução: “Prenda todos os animais que estiverem pastando na Praça da Matriz e só os libere mediante o pagamento da respectiva multa”. Dias depois, o prefeito recebe no seu gabinete, a visita de um compadre, com cara de poucos amigos e já inquirindo: “Compadre, o Senhor mandou prender minhas ovelhas que estavam na Praça da Matriz e o guarda me disse que só libera se eu pagar a multa. Vou ter que pagar mesmo?” Do alto da sua sabedoria e perspicácia política, ele pediu licença, saiu da sala e procurou o guarda: “Você prendeu as ovelhas do meu compadre?” o servidor público já gaguejando: “Prendi Doutor, mas o Senhor ordenou que eu trancafiasse qualquer animal que lá estivesse...” Recebeu como resposta: “Muito bem! Você cumpriu integralmente a sua obrigação. Tome aqui o dinheiro, pague a multa e solte os animais do compadre”.

Para mim, à época com 20 anos e mesmo hoje com mais de meio século de vida, aquela foi uma belíssima lição: não tirou a autoridade do Guarda Municipal, não revogou a norma estabelecida e preservou a amizade do compadre. É ou não é uma aula de como se fazer política? Não estou falando aqui de política partidária mas de se relacionar politicamente com as diversas forças com as quais convivemos diariamente.

Obrigado Dr Eduardo Froes da Motta. Que Deus o tenha em bom lugar.


Euriques Carneiro

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