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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

“7 dias em Havana”: uma Cuba não idealizada pelo castrismo



Com o filme dividido em sete capítulos, a ação passa-se numa semana e cada capítulo decorre num dia, dando a conhecer a cidade e os seus habitantes de uma maneira própria, com os seus bairros, atmosferas, gerações e culturas através da sensibilidade particular do seu autor


Benicio Del Toro abre o filme com "Yuma", conto sobre um jovem ator (Josh Hutcherson, de Jogos Vorazes3:10 to Yuma (Galante e Sanguinário Glenn FordFilmes coletivos podem não agradar a todos, tudo depende da matemática final, se o número de curtas bons supera o de ruins. Nas contas de 7 dias em Havana, o resultado é positivo: das sete histórias, apenas duas não mantêm o nível da semana.

A semana segue com “Jam Session”, do argentino Pablo Trapero. O diretor sérvio Emir Kusturica

"A Tentação de Cecilia", do espanhol Julio Medem é a primeira queda de 7 Dias em Havana. O curta tenta mostrar o drama cubano da busca por uma vida melhor fora da ilha nas dúvidas da jovem que é seduzida por um empresário europeu (Daniel Brühl). A história, porém, fica apenas no romance folhetinesco e o bolero que dialoga com a trama acaba deixando o filme de Medem com cara de mero capítulo de novela.

Na quinta-feira, o diretor palestino Elia Suleiman sobe o nível com "Diário de um Principiante”. Suleiman coloca-se no centro da história na pele de um visitante que aguarda ser recebido por Fidel Castro. Enquanto espera o término de um longuíssimo discurso, o cineasta passeia pela cidade, contempla os locais e cria situações de humor tão ricas quanto sutis. Logo depois, mais uma queda com o episódio assinado por Gaspar Noé. “Ritual” foca em um exorcismo homofóbico, uma filha submetida a um rito de purificação depois que os pais a surpreendem na cama com outra garota. Enquanto o curta de Suleiman consegue emocionar sem dizer apenas uma palavra, contudo, o filme de Nóe cria um silêncio constrangedor, onde o que se vê em tela são apenas as fixações do diretor.

O final de semana tem bons momentos, começando com “Doce-amargo”, do cubano Juan Carlos Tabío. A história mostra a odisseia de um casal - ela psicóloga, ele um militar aposentado - para reforçar a renda familiar com a venda de alguns doces. O humor fica por conta do grau de dificuldade que a tarefa simples ganha em Havana: não há ovos suficientes, falta luz e o casal não tem autorização para fazer doces, logo, a farinha precisa ser contrabandeada por um amigo. As mesmas dificuldades aparecem no domingo com “A Fonte", do francês Laurent Cantet. Focado no sincretismo religioso cubano, o curta bem-humorado acompanha o esforço dos moradores de um cortiço para atender os desejos de uma mãe de santo: uma fonte para a Virgem Maria no meio da sua sala.

A música, a religião e o sexo são os três temas que unem os curtas, muito mais que os pequenos pontos em comum forçados às tramas para fingir consistência. Nos sete dias passados em Havana, o espectador tem a chance de ver uma Cuba não idealizada pelo regime castrista, mas ainda assim romantizada. É uma ilha apaixonante, povoada por personagens exóticos, enérgicos e, apesar de tantas dificuldades, muito bem-humorados.

Apesar de quase um ano do lançamento, o filme ainda gera algumas polêmicas e discussões entre os cinéfilos de plantão. De qualquer forma, trata-se de um bom programa, até para se ver a realidade cubana sob um prisma diferente.


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