quinta-feira, 11 de julho de 2013

São João de Campina Grande: cultura nordestina na sua essência

O Parque do Povo, em Campina Grande sedia uma das maiores manifestações culturais do Nordeste, nos 30 dias de festa que homenageia os santos do mês de junho, Santo Antônio, São João e São PedroDepois de ver em 2007 o São João de Caruaru, fui conferir neste ano os festejos de Campina Grande. O primeiro auto define-se como “o maior do Brasil” e o segundo não deixa por menos e intitula-se “o maior do Mundo”. Sem entrar no mérito, (não vou tomar partido nessa ‘briga’ entre pernambucanos e paraibanos), analisarei aqui a estrutura e a grandiosidade da festa de Campina Grande – PB.

O Parque do Povo, como é chamado o espaço onde se realiza os 30 dias de forró no interior da Paraíba, é uma mega estrutura onde tudo é pensado e voltado para a grandiosidade da festa. O espaço onde se situa o palco principal é menor que o de Santo Antônio de Jesus, na Bahia, por exemplo, mas com a diferença de dispor de piso em toda a área, enquanto na cidade baiana ele é coberto com uma camada de brita. Mas a estrutura do Parque do Povo vai muito além do palco principal e dos seus camarotes fixos. No espaço em frente, existe algo semelhante a um ginásio de esportes onde se apresentam as quadrilhas juninas e outras expressões da arte e da cultura paraibana.


Após esse espaço, descortina-se uma infinidade de barracas e restaurantes para todos os gostos e bolsos. Nos mais ‘chiques’ paga-se algo em torno de R$ 80,00 por uma picanha argentina, mas há opção de um “aribé” de arrumadinho que pode alimentar até três adultos, por módicos R$ 22,00. Nas barracas, as mais diversas iguarias, desde o acarajé, (onde a “baiana” jura que é de Salvador), até um guisado de bode com cuscuz. Vai encarar? Por entre o emaranhado de barracas com os nomes mais criativos, grupos de forró pé de serra tocam os maiores sucessos de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro e os casais rodopiam nos pequenos espaços disponíveis.




Essa verdadeira ‘praça do forró’ montada para atrair os milhares de turistas ainda guarda uma grata surpresa: no meio da vila eis que surge uma igreja, - não poderia faltar esse item, levando-se em conta que a festa homenageia os santos Antônio, João e Pedro, - mas não uma igreja cenográfica e sim um templo de verdade, muito bem cuidado e feericamente iluminado. Compõe ainda o cenário, uma imensa fogueira onde as chamas são formadas por luzes e papel celofane. A princípio, soa meio falso e destoa do restante do cenário, mas quando lembramos que estamos na era do politicamente correto, reconhecemos que aquela é uma fogueira ecológica.


O que mais impressiona é o fato da festa durar 30 dias... isto mesmo, um mês ininterrupto de festejos juninos que, coincidentemente só encontra parâmetro em Caruaru, onde o São João tem a mesma duração. Manter atrações e pique para 30 dias de festa é realmente uma façanha inédita. Para se ter uma ideia, o Carnaval e a Festa de Parintis, entre outras manifestações culturais espalhados pelo Brasil, têm duração de uma semana, no máximo.




Aí você leitor me pergunta: ‘afinal qual o São João deve ser visitado, o de Caruaru ou de Campina Grande?’ meus caros amigos, após ver as duas não tenho qualquer dúvida, vá para os dois. A depender do seu tempo disponível, passe 15 dias em cada um e curta as duas maiores festas juninas do país.


Texto e fotos: Euriques Carneiro

Um comentário:

  1. Que belíssimo texto! Me fez sentir dentro da festa, dançando forró. Ano que vem estarei lá. PARABÉNS!

    Amelia Lima - Natal RN

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