quinta-feira, 25 de julho de 2013

O novo disco de Joyce é “Tudo” e, segundo a cantora, é o que o povo quer



No início dos anos 80, Joyce emocionou o Brasil cantando “Clareana”, homenageando suas filhas em festival de música. O novo trabalho da cantora chama-se “Tudo” e mostra todo a sua versatilidade nos gêneros e ousada na escolha da metalinguagem 

O povo quer o novo, quer o inédito, quer muita coisa ao mesmo tempo. O povo quer "Tudo". Foi o que Joyce Moreno percebeu ao abrir aos fãs a escolha de que álbum lançaria pela Biscoito Fino - havia dois na fila, já editados no exterior. "Meus discos saem primeiro lá fora, e como eu lanço um por ano, alguns ficam para trás. Aqui não tem esse espaço, então eu estava com esses dois para lançar: "Rio", de voz e violão, com canções sobre a cidade; e "Tudo", de canções minhas inéditas", conta a compositora. "Pensei em perguntar às pessoas o que elas preferiam. Fizemos shows no Sesc Pompeia, tocando na metade do show o repertório de um disco, na outra metade as canções de outro. O público botava os votos numa urna. A vitória de ´Tudo´ foi acachapante, o que sinaliza que as pessoas querem ouvir o inédito".

Não só pela aclamação na eleição direta ou pelo sopro das canções novas, "Tudo" aponta para caminhos democráticos. Já na canção que dá nome ao álbum, como explica a cantora. "Foi a primeira a ficar pronta. É emblemática. Fala de tolerância, um artigo bastante em falta", diz Joyce, referindo-se à canção de versos como "Tudo tem resposta/ Tudo é uma proposta/ Tudo é o que se gosta/ Tudo é opção".

Ao longo das treze faixas, a ideia é defendida - mesmo quando não expressa claramente nas letras. A cantora passeia por samba ("Puro ouro"), marcha-rancho impressionista ("Claude et Maurice"), scat vocals mulatos ("Tringuelingue"), bossa nova ("Estado de graça"), galope ("Boiou"), choro ("Choro do anjo"). Mais do que a variedade de gêneros, atravessam as letras os comentários sobre as próprias canções ou a música em si ("Estado de graça", "Puro ouro", "Aquelas canções em mim") ou suas referências ("Claude et Maurice"). "É meio um meta-CD", brinca.

Parcerias

A lista de convidados e parceiros que se reúnem em torno do disco também celebra a abertura. Joyce assina canções com Nelson Motta, Paulo César Pinheiro, Teresa Cristina e Zé Renato. E tem participações de Antonia Adnet, Pedro Miranda, João Cavalcanti, Moyseis Marques e Alfredo Del-Penho. Ou seja, gerações e escolas diferentes que se cruzam. Alguns pela primeira vez, reafirmando um espírito de ineditismo. "Nelson Motta é meu amigo desde que me entendo por música, aos 19 anos. É de estranhar que nunca tivéssemos feito canções. Em "Estado de graça", como ele estava recém-casado, apaixonado, queria fazer uma música nesse clima", explica Joyce, que também está atenta à música de quem veio depois dela. "Gosto muito desses meninos da Lapa. São desencanados, não são xiitas, ouvem de tudo, não têm papo de ´eu sou mais gênio que você´. E são a minha geração. Porque como diz o (músico) Juca Filho, minha geração é todo mundo que está vivo. Ou Vinicius: ´Meu tempo é quando´". A fala representa mais que uma ideia - ela se reflete na forma como Joyce faz música.

"Acabei de fazer uma música com João Cavalcanti, é novíssima, tem um mês. Para mim isso é natural, da mesma forma como sou parceira de pessoas 15, 20 anos mais velhas do que eu, como João Donato e Carlos Lyra", revela.

Fonte: diariodonordeste.com


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