domingo, 21 de julho de 2013

João Gilberto e a batalha judicial contra a gravadora EMI



Em briga com a EMI pelo lançamento em CD de seus primeiros LPs, cantor associa-se ao conterrâneo financista Daniel Dantas, enquanto aguarda o desfecho da ação movida contra a gravadora
A novela João Gilberto versus EMI, que completou 25 anos, desde que ele acionou a gravadora pelo lançamento, sem autorização, em um só CD, dos seus três primeiros LPs, teve um capítulo novo semana passada. O cantor baiano associou-se ao conterrâneo financista Daniel Dantas, que teria adiantado R$ 10 milhões ao mito da bossa nova tendo com contrapartida a metade da indenização de R$ 100 milhões que os advogados dele, João, pleiteiam.

João Gilberto já ganhou o direito de reaver as masters dos álbuns, embora a entrega tenha sido contestada por seu filho, que alega não ter recebido todas as masters originais (no invólucro de uma delas lê-se claramente “copy”). Na época do lançamento do álbum O mito, em CD e álbum duplo em vinil, João Gilberto acionou a gravadora alegando que a sua obra havia sido deturpada: pela remasterização sem consulta a ele e pela sequência das faixas.

Inegavelmente, a obra foi deturpada, mas imbróglios semelhantes aconteceram nos primeiros anos CD. As gravadoras não estavam devidamente preparadas para lidar com o formato. Na ânsia de faturar o catálogo em CD, criaram problemas com os artistas. Bob Dylan, por exemplo, em 1988, obrigou à CBS (depois Sony Music), retirar das lojas o compact-disc de Blonde on blonde. Para encaixar o álbum duplo no tempo de um CD, foram suprimidos versos da longa Visions of Johanna. O relançamento dos discos do U2 em CD não passaram muito tempo nas lojas. O grupo pediu que fossem recolhidos, alegando a má qualidade sonora.

É notório o zelo de João Gilberto em relação à sua obra fonográfica. Porém isto parece se restringir ao Brasil. Nos EUA e Europa fonogramas de João Gilberto estão espalhados por dezenas de coletâneas, feito os dois volumes de Jazz Brasil, lançados pela Universal Music. Porém, a maioria delas saiu por selos obscuros. É provável que o proverbial desligamento do cantor baiano o leve a não prestar atenção em álbuns como o Bossa nova essentials (2012), saído pela Vintage Master Inc., selo americano que vende apenas pela internet. Bossa nova essentials é um disco de João Gilberto e Astrud Gilberto. São 30 faixas, quatro com a ex-mulher do cantor, as restantes de várias fases dele. Uma compilação feita por quem não entende de bossa nova e muito menos de João Gilberto. As capas são canhestras tradução do que gringos imaginam do Brasil. Uma imagem de uma estética kitsch aposentada exatamente pela bossa nova. Vegetação de plantas exóticas, morenas voluptuosas ou mulatas de escola de samba.

Outros trazem associações inimagináveis de João Gilberto como, por exemplo, Grandes êxitos latinos - Bossa nova - João Gilberto e Os Malandros e o Santarém, lançado pelo selo Alfadelta, supostamente de Portugal. O supostamente, porque quase todos os títulos das músicas estão grafados erradamente: Se melgorar (sic) piora e Engrançadinha, por exemplo. Os Malandros e o Santarém conseguem o feito de não ter uma única citação no Google (a não ser por este disco).

Outra associação mais interessante é a de João Gilberto e Sérgio Mendes, em mais um lançamento apócrifo à discografia de ambos: Tristeza de nós dois (selo Labelle). O repertório traz gravações da dupla no começo dos anos 60. As faixas de Sérgio Mendes são de seu primeiro LP, de 1962 e que dá título a esse disco obscuro. Se João Gilberto não aprovou a remasterização de seus vocais no álbum O mito, qual seria sua reação se ouvisse o CD Daniel Haaksman presents: Bossa do morro? Com selo Boutique, o álbum traz músicas de Tom Jobim, Rosinha de Valença (grafada Valencia), Sylvia Telles e Luiz Bonfá, remixados para as pistas, pelo DJ alemão Haaskman.

Fonte: jconline

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