quinta-feira, 18 de julho de 2013

Catedral Motropolitana de Brasília: a genialidade de Niemeyer no seu esplendor

Os 3 anjos. O anjo-da-guarda, estaria oculto
Os 4 sinos em "escadinha"

Obra de gênio não se tenta analisar ou buscar definições: simplesmente se admira, passa-se para o estado de contemplação e, finalmente, o êxtase. Assim é a arte suprema de Oscar Niemeyer espalhada pelos quatro cantos de Brasília, mas em especial, na Catedral Motropolitana


Pode deixar a sua imaginação em voo livre. Niemeyer quis retratar uma coroa de espinhos ou mãos estendidas em súplica? O significado dos 16 pilares curvos projetados por ele para compor a Catedral de Brasília, ou melhor, Catedral Metropolitana de Brasília, vai depender do prisma de cada um. E não é para menos. Uma arquitetura tão peculiar desperta a curiosidade e a imaginação dos visitantes e até de quem já se acostumou a contemplá-la.

Na entrada da igreja encontram-se as esculturas do italiano Alfredo Ceschiatti – Os Quatro Evangelistas, referindo-se a João, Lucas, Marcos e Mateus. Alguns dizem que esses eram os apóstolos preferidos de Oscar Niemeyer e, por isso, somente eles foram homenageados com as esculturas de quase 3 metros de altura. Outros, contudo, afirmam que os quatro apóstolos representados foram os que difundiram os ensinamentos de Jesus com os quatro evangelhos.

Ao lado, na torre do Campanário ficam quatro sinos de tamanhos diferentes dispostos em forma de “escadinha”, que foram doados pelo Governo da Espanha. Os sinos recebem os nomes de Santa Maria, Pinta, Nina e Pilarica, em homenagem às caravelas de Cristóvão Colombo.

No acesso à nave da igreja segue-se pelo subsolo e depois de percorrer o túnel escuro, chega-se ao interior muito claro e colorido, efeito esse proporcionado pelos vitrais da artista franco-brasileira Marianne Peretti. Os tons de verde e azul dos vitrais ganham ainda mais destaque em função dos pilares brancos e do piso de mármore. No projeto inicial da Catedral os vitrais eram transparentes, mas após uma reforma e depois do sinal verde de Niemeyer, ganharam um belo colorido.

Lendas e curiosidades

Segundo alguns conhecedores (ou não) da matéria, Brasília apresenta muitas semelhanças com o Egito antigo, chegando, inclusive, a dizer que Juscelino Kubitschek seria a reencarnação do faraó Akhenaton, que transferiu a capital do Egito para o interior do país.

Crendices à parte, o fato é que nos templos egípcios sempre houveram estátuas colossais na sua entrada, tal como ocorre com os quatro profetas na entrada da Catedral de Brasília. Além disso, à semelhança dos templos do antigo Egito, o acesso é feito por rampa até um pátio com luz natural de acesso ao público.


Outra curiosidade decorre da adoração pelo número 4 na construção do monumento. São 4 apóstolos, 4 sinos e 16 (4×4) colunas de concreto que fazem o desenho da Catedral. Dizem também que seriam 4 anjos, sendo três anjos suspensos e um quarto que seria o anjo da guarda que, naturalmente, não aparece para os mortais comuns.

Enfim, são tantos os detalhes e curiosidades que hoje a Catedral de Brasília é um dos monumentos mais visitados na Capital. Uma característica comum quando se visita templos religiosos: recomenda-se trajar calça ou saia comprida. Pessoas de short, roupas curtas ou com decotes generosos por demais, além de outras extravagâncias, não podem ingressar na Catedral.

Falando-se nos belos vitrais, que foram desenhados pela artista francesa Marianne Peretti, a Catedral de Brasília passou quatro anos em reforma sendo reinaugurada em dezembro do ano passado. Resistentes às variações de temperatura, as placas de vidro usadas na restauração foram produzidas na Alemanha. As peças foram cortadas no Brasil e montadas na catedral por Luidi Nunes, um dos vitralistas mais respeitados do país.


Trata-se de uma das mais significativas atrações da Capital Federal, valendo cada minuto que se gasta na visitação. Altamente recomendável!

Texto e fotos: Euriques Carneiro

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