quarta-feira, 31 de julho de 2013

Juazeiro do Norte destaca-se como um dos mais importantes destinos do turismo religioso no Brasil


 

Milhares de fiéis visitam Juazeiro do Norte – CE ao longo do ano, seja para pagar promessas ou apenas rezar pela memória de Padre Cícero, o maior mito da religiosidade nordestina. O movimento chega ao ápice nos dias 24 de março e 20 de julho, datas de nascimento e morte do religioso

Pelos quatro cantos do Brasil podemos encontrar diversidade cultural. Grande parte dessa cultura é proveniente da miscigenação de diversos povos que por aqui se abrigavam, pois fugiam das adversidades ou buscavam uma vida melhor. Uma mistura que ultrapassou o físico e material, da qual surgiram novos hábitos, costumes, valores e crenças. Em cada parte do país uma forma diferente de fé, reza e festividade.


No Ceará, o culto ao Padre Cícero, em Juazeiro, é a maior manifestação da região, concentrando-se em um centro religioso, no Vale do Cariri, que guarda a imagem de Padre Cícero, ou “Padim Ciço”. O ano de 1889 marcou a cidade, pois o Padre surpreendeu-se ao ver a transformação de uma hóstia em sangue, enquanto ele a dava para a beata Maria Magdalena do Espírito Santo. O fato se repetiu por várias outras vezes, com diferentes fiéis. A partir daí, Juazeiro tornou-se parte do movimento de peregrinação brasileiro. A cidade recebe ainda mais visitantes a partir do dia 30 de outubro, quando os fiéis saem em romarias. Mas a grandiosa romaria acontece mesmo em novembro, mês dos finados.


O passeio conta com visitas a pontos turísticos, como a Igreja Matriz Nossa Senhora das Dores, em construção barroca, a Igreja de São Francisco e a Capela de Perpétuo Socorro. É essa última que reúne o maior número de fiéis, pois foi construída pelo próprio Padre Cícero, que hoje tem seu túmulo no piso do altar-mor da Catedral.

Luiz Gonzaga e a sua devoção a Padre Cícero

No leito de morte, Luiz “Rei do Sertão” Gonzaga, pediu a seu filho Gonzaguinha que o seu corpo passasse em Juazeiro do Norte, antes de seguir para o destino final, a sua terra natal, Exú (PE). Em uma das maiores demonstrações de carinho já presenciadas, uma multidão se perfilou ao longo dos oito quilômetros que separam o aeroporto de Juazeiro ao Memorial Padre Cícero, todas ávidas por dar o seu último adeus ao “Nordestino do Século XX”, que tanto cantou o Juazeiro e seu “Padim Ciço”, demonstrando um profundo respeito pela lendária figura que ainda hoje arrasta multidões a um dos maiores destinos religiosos do país.




Furtado em 2010, violino Stradivarius é encontrado intacto em Londres


 

Considerado a “Ferrari” dos violinos, o instrumento foi furtado enquanto a dona fazia um prosaico lanche na capital inglesa. Exemplar da marca já alcançou quase 3 milhões de euros em recente leilão


Um violino da tradicionalíssima marca Stradivarius avaliado em 1,4 milhão de euros, furtado em dezembro de 2010 em Londres, foi achado em perfeito estado, conforme anúncio da polícia londrina, nesta terça-feira (30). O furto ocorreu quando a proprietária do instrumento fazia um lanche em um estabelecimento.


Os ladrões levaram o valioso instrumento, que data de 1696, e dois arcos no valor de 78.000 euros enquanto Min-Jin Kym, violinista de origem coreana, comia um sanduíche na estação de Euston, na capital britânica.

Fabricado pelo lendário luthier Antonio Stradivarius, o violino foi encontrado em seu estojo, em uma propriedade no centro da Inglaterra, em perfeito estado de conservação.

A magia do Stradivarius

O segredo por trás dos lendários violinos Stradivarius não é magia, segundo um pesquisador húngaro, mas química. Entusiasta do assunto, Joseph Nagyvary, de 72 anos, estudou a composição da madeira dos instrumentos e concluiu que ela passou por um tratamento químico antes de ser esculpida. Segundo o cientista, isso pode ajudar na fabricação de peças modernas.

Outro aspecto químico importante, que, para o cientista, influenciou a lenda dos Stradivarius, foi o verniz utilizado. Para Nagyvary, a composição complexa do revestimento indica que um químico especializado esteve envolvido. Por maior “sacrilégio” que pareça, o cientista acredita que Stradivari não tinha uma fórmula secreta própria.

Estima-se que ainda existam entre 450 e 512 violinos fabricados pelo italiano, que viveu entre 1644 e 1737. Um deles, batizado de Solomon Ex-Lambert, foi vendido por quase 3 milhões de euros a um comprador anônimo em um leilão, realizado em 2007.


terça-feira, 30 de julho de 2013

Correspondência amorosa de Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz compilada em livro



O livro com a "correspondência amorosa completa" entre Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz, mantida de 1919 até à morte do poeta, em 1935, foi apresentado em junho passado na Casa Fernando Pessoa (CFP), em Lisboa

O organizador do volume, Richard Zenith, assinalou que "mais de metade das cartas de Ofélia Queiroz eram inéditas, até à presente publicação". No total, são publicados 348 documentos, transcritos integralmente, dos quais 156 são inéditos. 

Entre os inéditos de "Fernando Pessoa & Ofélia Queiroz - Correspondência amorosa completa", estão os últimos bilhetes trocados, como o derradeiro, enviado pelo poeta a Ofélia, datado de 14 de junho de 1935, em que agradece os parabéns enviados na véspera, de forma cordial: "Muito obrigado e identicamente com saudades".

A obra reproduz cada um dos documentos, permitindo ao leitor apreciar a caligrafia do poeta. Parte deste manancial epistolar foi adquirido pelo casal brasileiro Bia e Pedro Corrêa do Lago, num leilão em Londres, "sem disputa, na época, com qualquer instituição ou colecionador privado", como afirmam os próprios, no texto de introdução que assinam. A outra parte foi também comprada, tempos mais tarde, por este casal de colecionadores e divulgadores culturais.

No texto de apresentação da obra, Zenith afirma que esta publicação "revela factos inéditos" e "permite-nos traçar uma cronologia precisa" deste relacionamento, que qualifica como "linhas cruzadas, sem estratégia".

Ofélia, escreve Zenith, era "alegre, transparente, direta, crente (...) quase o oposto" de Fernando Pessoa, todavia, quando se encontram, "atraem-se logo". Conheceram-se em outubro de 1919, estava Pessoa de luto carregado pela morte do padrasto e, em novembro, já "trocam bilhetes e ele trata-a por 'bebé'".

"Fernando Pessoa & Ofélia Queiroz", publicado pela editora brasileira Capivara, inclui um texto de Eduardo Lourenço, "Amor e Literatura", um relato de Ofélia Queiroz, registado em 1978 pela sua sobrinha, Maria da Graça Queiroz, acerca da relação com o poeta, no qual recorda a promessa de Pessoa em lhe ensinar melhor o inglês, "depois de casados", um testemunho da sobrinha, que atesta que, "na morte do Fernando, a Ofélia apagou-se ao mundo", e recusou sempre dar qualquer entrevista.

Num dos documentos até agora inéditos, Fernando Pessoa trata Ofélia por "Querida Nininha pequena" e dá-lhe conta de que estará no Largo do Conde Barão 1/8em Lisboa 3/8, à espera dela, "no recanto da padaria Inglesa". O tratamento entre os dois é mimado e ternurento. Fernando Pessoa envolve até, na relação, um dos seus heterónimos, o engenheiro Álvaro de Campos, que se dirige a Ofélia de forma cerimoniosa e refere-se a Fernando Pessoa como "abjeto e miserável indivíduo".

Ofélia e Álvaro de Campos telefonaram-se, assim como Fernando e Ofélia, até que, em fevereiro de 1931, "'um cavalheiro anunciando-se Ricardo Reis' lhe telefona para participar que Fernando Pessoa estava incomunicável e não aparecia antes de março", escreve Zenith que questiona se seria esta uma "forma suave e desculpabilizadora" de Pessoa pôr um ponto final na relação amorosa. Ofélia insistirá em escrever para o seu "Nandinho" ou "Fernandinho", como se dirigia ao poeta, mas em resultado de reatamento.

A obra "Fernando Pessoa & Ofélia Queiroz" foi apresentado em junho, na CFP, em Campo de Ourique, no âmbito do Festival Desassossego, com a presença do ensaísta Eduardo Lourenço, o investigador Richard Zenith e os editores Bia e Pedro Corrêa do Lago.

No último dia 13 de junho comemorou-se os 125 anos do nascimento de Fernando António Nogueira Pessoa, na freguesia dos Mártires, em Lisboa.






O "Chicago Sun-Times" mostra em manchete toda a carga discriminatória e a arrogância do 'Tio Sam'


 

"Perdemos para isso?", referindo-se ao fato do Rio de Janeiro ter derrotado a cidade americana na disputa pelos Jogos Olímpicos de 2016, foi a manchete do jornal Chicago Sun-Times, com a foto das manifestações ocorridas na capital fluminense
O que alguns jornalistas tupiniquins classificaram como “genial” ou “perfeita”, a manchete do jornal de Chicago mostrou na verdade, a arrogância, a prepotência e o 'nariz empinado' típico do povo americano e sua mania de grandeza. 
Não estou aqui a defender que a Olimpíada seja ou não um bom negócio para a sociedade brasileira e, verdadeiramente, acho que a relação custo/benefício é bem negativa para a maioria dos mortais comuns. Ainda que fiquem obras importantes na estrutura do país, o custo é extremamente elevado para um Estado tão carente em áreas como educação, saúde e segurança. Tivéssemos a participação da iniciativa privada, ainda que parcial, o abalo nas contas públicas seria menor e o custo social acabaria diluído, mas com a sociedade em geral que paga pesados impostos, financiando a Olimpíada, fica realmente difícil a defesa do evento em terras nacionais.
Claro que o maior evento esportivo do planeta traz divisas para o país, os gastos efetuados pelos visitantes são de suma importância para a economia e há o ganho de visibilidade do Brasil no exterior, que acaba por atrair novos visitantes e investimentos. O questionamento porém é como justificar o desvio de recursos que poderiam ser investidos na infraestrutura do país, para financiar obras que, no seu âmago, beneficiarão uns poucos em detrimento da esmagadora maioria da população.
Mesmo com todos os argumentos contra a realização dos Jogos Olímpicos no Brasil, nada justifica uma manchete desqualificadora do jornal americano do tipo "Perdemos para isso?", como se o Brasil fosse “isso”, uma republiqueta de “quarto mundo” (caso houvesse essa classificação) e como se EUA ainda fosse uma ilha de prosperidade. Esqueceu-se o editor do jornal que, há menos de três anos, os americanos declaravam-se um povo falido, atolado em dívidas até o pescoço e o país sem recursos para investimentos e até as mais básicas despesas de custeio da máquina pública.
Ademais, o fato de haver manifestações públicas em 2013 inviabiliza uma cidade para receber a Olimpíada lá em 2016? Para calar a boca e fazer com que o jornalista engula toda a sua arrogância discriminatória, a cidade do Rio de Janeiro recebeu recentemente o Papa Francisco por uma semana, onde ele desfilou em carro aberto sem qualquer risco à sua integridade, frequentou favelas e bairros periféricos e cumpriu toda a agenda sem que um único fato desabonador inviabilizasse o Rio como sede dos Jogos Olímpicos de 2016.
Até quando vamos aturar “isso” e ainda bater palmas e tecer rasgados elogios a uma forma tão vil de discriminação? Até quando vamos ter jornalistas subservientes para dizer “sim” a todas as agressões contra a nossa cidadania? O povo já acordou Senhores! Despertem também para não perderem o bonde da história.

Euriques Carneiro


segunda-feira, 29 de julho de 2013

Woody Allen está de volta com “Jasmim Azul”


 

A virada da sorte da protagonista feminina do último filme de Woody Allen, Jasmim Azul, é tão radical que as posses da socialite de Manhattan ficam reduzidas a um tênue eco: um casaco Chanel, malas de grife, uma penca de antidepressivos. Ela consegue conservar a atitude altiva e um sotaque grã-fino

Cate Blanchett protagoniza o próximo filme de Woody Allen, a comédia romântica “Blue Jasmine” (Jasmim Azul, em tradução livre). Na primeira foto divulgada pela Sony Pictures, Cate aparece com expressão desolada e Sally Hawkins (“Educação”, “O Sonho de Cassandra”), ao fundo, reprova tudo. A foto não desperta muita emoção.

Este é o primeiro retorno do cineasta aos Estados Unidos desde “Tudo Pode Dar Certo“, de 2009. Ratificando a sua postura usual, Woody Allen está mantendo o enredo em segredo. O que se sabe até o momento é que se trata dos estágios finais da crise aguda vivida por uma elegante nova-iorquina. Alec Baldwin está no elenco, repetindo a parceria de “Para Roma Com Amor“.

Recorrendo mais uma vez aos flashbacks, Allen oferece vislumbres suntuosos de sua vida pregressa: um belo apartamento com paredes verde-bandeira, uma enorme casa de praia, jantares elegantes com roupas de grife. Por sua vez, o marido Hal, interpretado por Alec Baldwin, se envolve com mulheres jovens e negociatas, enquanto Jasmine olha para o outro lado até que tudo desmorona rapidamente, deixando-a na pior.

O filme teve estreia no dia 26 de julho nos Estados Unidos, devendo chegar ao Brasil ainda no mês de agosto.


Papa Francisco: “Ser Papa é fazer o que o Senhor quer...”



A importância da visita do papa Francisco ao Brasil está nas lições que ele deu aos jovens, à sociedade civil, aos políticos e aos governantes, com base na perseverança, humildade, dignidade e, acima de tudo, de pedir para que as pessoas não abaixem a cabeça perante as iniquidades
Desde a dispensa de mordomias e suntuosidades que sempre cercaram o milenar cargo máximo do catolicismo, até as investigações sobre a conduta de subalternos, passando pelo seu firme posicionamento quanto a questões delicadas como o homossexualismo, tudo no Papa Francisco é diferenciado. Não existem para ele subterfúgios ou “saída pela tangente”: ele é direto, claro e conciso sobre o seu ponto de vista.Para analisar a postura do Papa Francisco desde que assumiu o seu pontificado e mais precisamente na sua recente visita ao Brasil, necessário se faz que dispamo-nos das vestes da religião e o façamos sob a ótica da razão. Desde que sucedeu Bento XVI, Francisco vem implementando uma série de mudanças no Vaticano e, particularmente, na pompa e no cerimonial da figura institucional do Papa.
Dentre as incontáveis falas do Sumo Pontífice em sua primeira viagem internacional, uma em particular chamou à atenção: “não abaixem a cabeça e não se curvem perante as iniquidades...”. Ficou um claro recado para os que sofrem qualquer tipo de opressão e/ou injustiça, para que lutem contra estas posturas e um alerta ainda mais forte para os que praticam estes atos. Os oprimidos não vão se curvar perante os opressores e a sociedade organizada já não aceita atos e atitudes da classe dominante que, por ocuparem posição privilegiada, julgam-se com direitos acima dos mortais comuns.
Foram vários os contrastes verificados durante a JMJ. O Santo Padre usando um carro popular, enquanto os ocupantes do poder desfilavam em carrões luxuosos. Ele veio de Roma em avião de carreira e membros do Congresso já tinham reservado jatinhos da Força Aérea para conduzi-los ao Rio de Janeiro, com todas as mordomias pagas pelo contribuinte, inclusive com pagamento de diárias. Com receio das manifestações populares e até mesmo para não evidenciar um acinte diante do despojo de Francisco, os dirigentes das duas casas legislativas cancelaram os deslocamentos, ainda que sob protestos dos seus pares.

As lições do Papa Francisco

 Humildade, recusa a mordomias e contato direto com o povo; da saída de Roma, quando carregou sua própria bagagem nas escadas do avião do Vaticano, às primeiras horas de sua visita ao Brasil, o papa Francisco pratica o que os políticos brasileiros jamais assimilaram; a elegância de sua simplicidade contrasta com a grosseria luxuosa dos costumes do poder nacional; "Bato delicadamente a esta porta, pedindo licença para entrar", disse ele diante das autoridades, no Palácio Guanabara, depois de receber nas ruas o carinho da população do Rio; aprendam com ele, senhores engravatados, ainda que já seja tarde!
O pontífice recomendou à juventude, o motivo principal da sua vinda ao país, a não se desanimar na luta contra a corrupção e garantiu que o mundo é dos jovens. O Papa condenou as campanhas em favor da liberalização das drogas e cobrou da sociedade e dos governantes maior empenho no combate ao tráfico, mas voltou a surpreender o mundo ao afirmar, referindo-se ao homossexualismo: “Orientação sexual não é pecado”...'.  
Francisco não foi indiferente às manifestações que ocorreram no Rio de Janeiro durante a sua estada para a Jornada Mundial da Juventude, e aconselhou aos governantes a prática do diálogo para conter a violência dos protestos. Para o líder da Igreja Católica, a tarefa da política é evitar o elitismo e erradicar a pobreza. "Que a ninguém falte o necessário e se assegure a todos a dignidade, fraternidade e solidariedade", pediu o papa Francisco.
As lições ficaram; se vão ser absorvidas ou não, só o tempo dirá.
Euriques Carneiro


domingo, 28 de julho de 2013

Três dias de chuva”, de Richard Greenberg, ganha a sua primeira montagem no Brasil



Jô Soares, tradutor e diretor da montagem, a primeira desse texto no Brasil, fala sobre Três dias de chuva” : "A habilidade de Greenberg está em surpreender a plateia no segundo ato, quando muitas verdades desabam."
Um conflito familiar do passado cai nas mãos dos irmãos Walker, interpretado por Otávio Martins, e Anna, vivida por Carolina Ferraz, e cria uma história de indignação e julgamentos.

O transtorno inicia com a partilha da herança deixada pelo pai, que levanta dúvidas sobre a razão do bem mais valioso não ficar para Walker e Anna, mas sim para o filho do sócio, Pip, representado por Petrônio Gontijo.

A peça “Três dias de chuva”, escrita em 1997 pelo norte-americano Richard Greenberg, chega ao Brasil em sua primeira montagem, com tradução e direção de Jô Soares. Num criativo e sensível jogo teatral, o espectador acompanha uma história que aborda a relação de pais e filhos, recheada de segredos que vão sendo revelados ao longo da narrativa, dividida em dois atos, o primeiro em 1995 e o segundo em 1960.

A obra gira em torno de como os filhos julgam os atos dos pais no passado, mesmo sem conhecer suas razões. No primeiro ato, Walker e Anna se encontram para a leitura do testamento do pai, um arquiteto. Quando descobrem o destino da herança mais valiosa, os irmãos discutem e julgam o passado do pai, acusando-o de ser ausente em suas vidas.

A controvérsia leva a peça para o segundo ato, quando os atores que interpretam os filhos assumem o papel dos pais ainda jovens. As cenas mostram o mistério que envolve o arquiteto Ned, vivido por Otávio Martins, seu sócio Theo, interpretado por Petrônio Gontijo e a noiva Lina, encenada por Carolina Ferraz.

Ned e Theo sonham em construir grandes obras e firmar seus nomes como arquitetos. Durante uma tempestade de três dias, os sócios e Lina, noiva de Theo, ficam presos no escritório. No período, Ned se apaixona por Lina, explorando a relação entre os sócios, já que Theo percebe que o sentimento é correspondido pela mulher que ama.

O segundo ato expõe essa relação triangular, que traz, aos poucos, as respostas para as questões levantadas pelos filhos em 1995. “Três dias de chuva” já foi exibida na Inglaterra, onde foi encenada por atores como Colin Firth e James McAvoy, e nos Estados Unidos, por Julia Roberts e Bradley Cooper, entre outros.


Mostra 'Ocupação Mário de Andrade' foi encerrada neste domingo em SP


 


Gavetas se abrem e delas saem vozes, cartas, fotos. Armários revelam outros documentos. Audiovisuais exibem trechos dos filmes que ele fez em expedições para as inóspitas e de difícil acesso, à época, regiões dos sertões do norte e nordeste brasileiros. Essa foi a tônica de 'Ocupação Mário de Andrade'

A mais recente mostra da série Ocupação lança luz às faces do inquieto Mário de Andrade, escritor que ficou conhecido como um dos fundadores do modernismo brasileiro. A exposição, que terminou neste domingo (28), no Itaú Cultural, em São Paulo, trouxe mais de 400 itens do artista, entre cartas, filmes, fotografias e objetos nunca antes reunidos em um só conjunto.

Segundo a antropóloga e doutora em Ciências Sociais Silvana Rubino, que assinou a curadoria da mostra, foi necessário vasculhar milhares de documentos para chegar ao material selecionado. Para ela, a exposição reproduziu, com as mídias atuais, o estado de inquietação e descobrimento propositivo cultural do homenageado.

“Não deixa de ser, pelo avesso, um convite à reflexão sobre as políticas culturais contemporâneas”, analisou a curadora. “Uma reflexão fixada no presente, bem de acordo com o que o próprio Mário sugeriu em seu Prefácio Interessantíssimo de Paulicéia Desvairada: ‘o passado é lição para se meditar, não para se reproduzir’”, concluiu ela.


O projeto expográfico, assinado por Vasco Caldeira, inclui espaço estruturado em madeira, dando a ilusão de se entrar no gabinete de Mário. Sem a sisudez que se espera de um lugar desses, no entanto, a exposição foi articulada em uma espécie de caixotes manipuláveis, articulados de forma ordenada e ao mesmo tempo caótica.


O Nordeste relembra histórias de Lampião após 75 anos de sua morte


 

Este domingo, 28 de julho de 2013, marca os 75 anos da morte de Lampião. Em Serra Talhada (PE), terra em que nasceu o Rei do Cangaço, a memória do Capitão Virgulino e seu bando, é mantida como parte fundamental da história do Brasil, na primeira metade do século passado


Após o bando de Lampião ser dizimado em Angicos, no sertão de Sergipe, em 1938, houve alívio no clima de tensão permanente em parte da população e das volantes, as forças da polícia oficial armada da época. Havia um medo de que a relação entre os cangaceiros e o governo da época pudesse gerar mais e mais tragédias. De que vidas se perdessem nos confrontos violentos pela caatinga.

Por isso, logo após o massacre, muitos fizeram questão de virar a página e seguir com a vida. Esquecer totalmente tudo o que um dia fez referência ao termo cangaço. Com os anos, essa intenção não se concretizou. O movimento erguido nos sertões marcou para sempre na história Serra Talhada. Virgulino, em busca de justiça pela morte do pai, deixando em suas pegadas atrocidades cometidas pelo bando, encontrou a morte na Grota de Angico.

Há 75 anos, o nome se faz lembrar mundo a fora. Serra Talhada nunca negou a história. Na cidade, o visitante pode conhecer a casa da cultura. Fotos e objetos da época, como os óculos que pertenceram à Virgulino. Armas e um bornal, bolsa típica para carregar objetos e alimentos.

O Museu do Cangaço também traz fotos e ainda painéis ilustrados contando curiosidades do cangaço. A história do rei do cangaço também é contada no espetáculo Massacre de Angico, realizado pelo segundo ano em Serra Talhada.


Fotografia icônica mostra as cabeças de Lampião (última de baixo), Maria Bonita (logo acima de Lampião) e outros cangaceiros do bando. No canto esquerdo superior, uma placa lista os nomes e indica a data em que eles foram mortos (Foto: Reprodução de 'Ciclo do Cangaço: Memórias da Bahia', de José Castro/Autor desconhecido/Wikipedia)
Foto icônica
Após a emboscada que resultou na morte de Lampião e seus seguidores, as cabeças de Lampião, Maria Bonita e dos principais integrantes do bando foram arrancadas e levadas por diversas cidades, onde eram expostas como prêmio e forma de intimidação. Uma chocante fotografia histórica registrou a prática, que era comum no cangaço. A data aparece em uma placa no topo esquerdo da imagem. O autor permanece anônimo.


Lampião começou a ser caçado pela polícia depois de saquear fazendas do sertão, surgindo como ameaça ao domínio dos coronéis fazendeiros. Ele e grande parte de seu bando morreram na Grota de Angicos, no sertão sergipano, depois que uma força volante descobriu onde eles estavam acampados. Ainda hoje, Lampião é uma figura controversa no Nordeste, onde uns acham que era bandido e outros tantos o veem como herói, uma espécie de “Robin Hood” local, que tomava de ricos fazendeiros para distribuir com quem não tinha. Algo assim como um socialismo cangaceiro. Verdade? Mentira? Não importa, muito vai se estudar e história de Lampião, mas não haverá um consenso sobre como definir a sua marcante figura.

Elogiada por escritores do naipe de Pablo Neruda e Gabriel García Márquez, Isabel Allende é considerada a mais famosa romancista contemporânea da América Latina


 


Isabel Allende Llona é uma jornalista e escritora que tem cidadania chilena, apesar de ter nascido em Lima. Célebre por cunha frases de efeito, a mais comentada delas é: “As mulheres gostam que lhe digam palavras de amor. O ponto G está nos ouvidos. Inútil procurá-lo em outro lugar.” 

"O meticuloso exercício da escrita pode ser a nossa salvação." Essa é mais frase célebre de Isabel Allende, citada em seu livro "Paula" que, talvez, dê uma pista sobre o significado da literatura para a escritora, que já narrou através dos seus livros, dramas familiares e toda a perseguição política de que foi vítima.

Isabel Allende, filha de diplomata e sobrinha do presidente chileno Salvador Allende, nasceu no Per, mas tem nacionalidade chilena. Trabalhou como jornalista em periódicos, em revistas femininas e na televisão antes de publicar seus livros. Também foi colaboradora da FAO (Food and Agriculture Organization, órgão das Nações Unidas) em Santiago do Chile.

Após o golpe do general e a morte de Salvador Allende, em 1973, o clima de terror obrigou-a a abandonar o Chile com a família e buscar refúgio na Venezuela. Em Caracas, trabalhou como repórter do jornal "El Nacional" e como professora de idiomas numa escola pública. Escreveu histórias infantis, além de algumas peças teatrais. Depois de se divorciar do primeiro marido, Miguel Frías, Isabel Allende mudou-se para a Califórnia (EUA), onde, em 1988, se casou com o americano Willie Gordon.

Isabel atribui seu êxito como escritora ao célebre poeta chileno Pablo Neruda, que no inverno de 1973 aconselhou-a a abandonar seu trabalho como repórter para se dedicar a escrever livros de ficção. Ela não levou muito a sério a sugestão, e demorou quase dez anos para transformar a ideia em realidade.

Seu primeiro romance, "A Casa dos Espíritos" (de 1982, adaptado ao cinema em 1993), foi bem recebido pela crítica, e colocou o nome de Isabel na tradição literária do realismo mágico de Gabriel García Márquez. As crônicas familiares misturadas à política também deram o tema ao seu romance seguinte, "De amor e de sombra" (1984). Seguiram-se "Eva Luna" (1985), "Histórias de Eva Luna" (contos, 1989), "Paula" (sobre a doença e morte de sua filha, 1991), "Plano infinito" (1993), "Afrodite" (histórias e receitas afrodisíacas, 1994) e "Filhas da fortuna" (1999).

Sua fama de escritora, aliada à sua condição de refugiada, fizeram dela palestrante requisitada nos Estados Unidos e Europa. Foi também professora universitária de literatura na Universidade de Berkeley, entre outras. É considerada a mais famosa romancista contemporânea da América Latina.

Morre JJ Cale, compositor por trás de sucessos de Clapton


Cale estava internado em um hospital da cidade de La Jolla, após sofrer um ataque cardíaco. O compositor venceu o Grammy e suas músicas se tornaram famosas em gravações de Eric Clapton, Lynyrd Skynyrd, Johnny Cash e outros

O cantor e compositor JJ Cale, vencedor do Grammy e cujas músicas se tornaram famosas em gravações de Eric Clapton, Lynyrd Skynyrd, Johnny Cash e outros, morreu nesta sexta-feira, aos 74 anos, na Califórnia.

Cale estava internado em um hospital da cidade de La Jolla, após sofrer um ataque cardíaco.

"Doações não são necessárias, mas ele era apaixonado pelos animais. Então, caso deseje, você pode homenageá-lo com uma doação ao abrigo de animais de sua preferência", diz o texto publicado no site do compositor.

Nascido em Oklahoma, Cale compôs músicas por mais de 50 anos, entre elas os hits de Clapton "After Midnight" e "Cocaine", nos anos 1970. Os dois gravaram um álbum juntos, "The Road to Escondido", em 2006, que rendeu a Cale um Grammy.

O compositor também escreveu "Call Me the Breeze", gravada pela banda de hard-rock Lynyrd Skynyrd em seu álbum "Second Helping", de 1974.

Entre outros artistas e grupos que gravaram composições de Cale estão Johnny Cash, Santana, The Allman Brothers e The Band.


Lenine e Lula Queiroga farão show em agosto, em Recife




Dois dos maiores expoentes da cultura pernambucana, Lenine e Lula Queiroga, passam carreira a limpo com show em Recife

O cantor Lenine fará um show exclusivo com a participação do amigo e parceiro de música, Lula Queiroga, marcado para o dia 14 de setembro, no Baile Perfumado A apresentação faz parte das comemorações do aniversário de 30 anos do seu primeiro álbum Baque solto.

Parceiros desde a adolescência, Lula e Lenine se reencontram para relembra grandes sucessos de suas carreiras e matar a saudade dos fãs. Os ingressos estarão à venda, a partir da próxima semana, na loja Passa Disco, no Parnamirim.

Confira set list:

Baque solto era assim
Maracatu silêncio
Girassol da caverna
Raoni
Comício
Prova de fogo
Sopro do amor
Êxtase
Auto dos congos
Essa alegria
Mote do navio
O abraço e a lágrima
Trem fantasma

Serviço
Baque solto, Lenine e Lula Queiroga
Quando: 14 de agosto, às 22h
Onde: Baile Perfumado (Rua Carlos Gomes, 390, Prado)

Fonte: diariodepernambuco.com

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Romance policial escrito por J.K. Rowling pode ser adaptado para as telonas


The Cuckoo's Calling, romance policial escrito por J.K. Rowling sob o pseudônimo Robert Galbraith, pode virar filme em breve

Segundo o Dedline, a Warner Bros., responsável pelas adaptações de Harry Potter ao cinema, seria a principal candidata por conta da sua relação com o trabalho de Rowling, mas diversos estúdios estariam interessados em comprar os direitos de adaptação ao cinema do livro.



Em The Cuckoo's Calling, um veterano de guerra chamado Cormoran Strike se torna detetive particular. Depois da revelação da autoria de Rowling, o livro vendeu mais de 17 mil cópias em sete dias. Mesmo antes do vazamento, porém, o romance recebeu propostas para ser adaptado ao cinema e à TV. Em 2014 sairá no Reino Unido um novo livro do detetive, que Rowling novamente assinará com o pseudônimo.




Roteiro turístico imperdível em Minas Gerais: Ouro Preto-Mariana, de trem



 Atração especial, a Estação de Ouro Preto é um complexo composto pelo antigo casarão que abrigava a estação ferroviária de Ouro Preto, por vagões fixos localizados nos arredores do prédio e pela Tenda Cultural da Estação

Quem não gostaria de fazer uma viagem no tempo? Ou pelo menos, sentir que o tempo parou naquele instante? Conhecer as cidades históricas de Minas, de certa forma, é fazer uma viagem no tempo. E nessa viagem pode-se perfeitamente incluir a rota Ouro Preto-Mariana, feito de trem. A bordo de uma locomotiva a vapor, a Maria- Fumaça e uma vista da serra que impressiona, o passeio faz a gente ter a sensação que o tempo não só parou como até que voltou séculos atrás.

Além da ótima culinária mineira, das Igrejas forradas de ouro, das ladeiras em pé-de-moleque, a viagem de trem é uma ótima opção para quem quer fugir do convencional e conhecer duas cidades muito próximas. Se você estiver hospedado em Ouro Preto, faça um bate-volta até Mariana via Maria Fumaça.


A linha férrea de Ouro Preto começou a ser construída em 1883 e seu prolongamento até Mariana foi concluído em 1914. Em 2006, a linha foi restaurada e passou a oferecer passeios turísticos, salas expositivas nas estações e todo um projeto de conscientização patrimonial com a população e os turistas foi iniciado de olho na preservação da história e da memória da linha de ferro.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Martha Medeiros: escritora e colunista gaúcha faz sucesso com suas crônicas bem humoradas



A colunista e escritora Martha Medeiros iniciou a sua carreira nas áreas de propaganda e publicidade, mas ao morar um tempo no Chile, passou a escrever poesia. Quando voltou ao Brasil, mais precisamente para Porto Alegre, começou a escrever crônicas para jornal alcançando enorme sucesso nessa atividade. Atualmente, mantém colunas nos jornais Zero Hora e o Globo. Dentre os seus inúmeros e irreverentes textos, selecionamos “Aí tem”, para publicarmos aqui no Artecultural.


“ Aí Tem

As coisas são como são. Se alguém diz que está calmo, é porque está calmo. Se alguém diz que te ama, é porque te ama. Se alguém diz que não vai poder sair à noite porque precisa estudar, está explicado. Mas a gente não escuta só as palavras: a gente ouve também os sinais.

Ele telefonou na hora que disse que ia ligar, mas estava frio como um iglu. Você falava, falava, e ele quieto, monossilábico. Até que você o coloca contra a parede: “O que é que está havendo”?"". "Nada, tô na minha, só isso." Só isso???? Aí tem.

Ele telefonou na hora que disse que ia ligar, mas estava exaltado demais. Não parava de tagarelar. Um entusiasmo fora do comum. Você pergunta à queima-roupa: “Que alegria é essa”?" "Ué, tô feliz, só isso". Só isso????? Aí tem.

Os tais sinais. Ansiedade fora de hora, mudez estranha, olhar perdido, mudança no jeito de se vestir, olheiras e bocejos de quem dormiu pouco à noite: aí tem. Somos doutoras em traduzir gestos, silêncios e atitudes incomuns. Se ele está calado demais, é porque está pensando na melhor maneira de nos dar uma má notícia. Se está esfuziante demais, é porque andou rolando novidades que você não está sabendo. Se ele está carinhoso demais, é porque não quer que você perceba que está com a cabeça em outra. Se manda flores, é porque está querendo que a gente facilite alguma coisa pra ele. Se vai viajar com os amigos, é porque não nos ama mais. Se parou de fumar, é uma promessa que ele não contou pra você. Enfim, o cara não pode respirar diferente que aí tem.

Às vezes não tem. O cara pode estar calado porque leu um troço que mexeu com ele, ou está falando muito porque o time dele venceu. Pode estar mais carinhoso porque conversou sobre isso na terapia e pode estar mais produzido porque teve um aumento de salário. Por que tudo o que eles fazem tem que ser um recado pra gente?

É uma generalização, mas as mulheres costumam ser mais inseguras que os homens no quesito relacionamento. Qualquer mudança de rota nos deixa em estado de alerta, qualquer outra mulher que cruze o caminho dele pode ser uma concorrente, qualquer rispidez não justificada pode ser um cartão amarelo. O que ele diz importa menos do que sua conduta. Pobres homens. Se não estão babando por nós, se tiram o dia para meditar ou para assistir um jogo de vôlei na tevê sem avisar com duas semanas de antecedência, danou-se: aí tem.

Martha Medeiros


Para financiar seu novo filme, Spike recorre à ajuda de fãs e colegas


 

Os tempos não andam nada fáceis em Hollywood, pelo menos para algumas figuras bem conhecidas. O badalado diretor Spike Lee recorreu a doações de fãs e de alguns colegas mais afortunados, para rodar seu novo projeto

Um dos financiadores foi o diretor Steven Soderbergh ("Onze Homens e um Segredo"), que "comprou", pelo valor de US$ 10 mil, o direito a um jantar com o colega diretor. Os cineastas, que já dirigiram tanto filmes independentes como de grandes estúdios americanos, irão ainda a uma partida do time de basquete New York Knicks em lugares privilegiados, à beira da quadra, tudo para dar uma força para Lee.O cineasta norte-americano Spike Lee lançou novo projeto no Kickstarter e aproveitou para criticar o momento atual de Hollywood: "Super-heróis, quadrinhos, filmes em 3D, explodir o planeta nove vezes: não é minha praia"

Diretor responsável por filmes como "Faça a Coisa Certa" (1989), "Malcolm X" (1992) e "O Plano Perfeito" (2006), Lee lançou uma campanha no site Kickstarter (www.kickstarter.com) para ajudá-lo a levantar US$ 1,25 milhões (cerca de R$ 2,8 milhões), necessários para a realização do projeto.


Em entrevista ao Next Movie, blog da MTV sobre filmes, Lee afirmou que Soderbergh doou o valor para seu novo projeto no Kickstarter, plataforma de arrecadação virtual. Além de ganhar o jantar e a ida ao jogo, vai buscar outros colegas que se disponham a ajudar o amigo a realizar seu novo filme, que tem o título provisório de "The Newest Hottest Spike Lee Joint" (o mais novo e quente filme do Spike Lee, em tradução livre).




O novo disco de Joyce é “Tudo” e, segundo a cantora, é o que o povo quer



No início dos anos 80, Joyce emocionou o Brasil cantando “Clareana”, homenageando suas filhas em festival de música. O novo trabalho da cantora chama-se “Tudo” e mostra todo a sua versatilidade nos gêneros e ousada na escolha da metalinguagem 

O povo quer o novo, quer o inédito, quer muita coisa ao mesmo tempo. O povo quer "Tudo". Foi o que Joyce Moreno percebeu ao abrir aos fãs a escolha de que álbum lançaria pela Biscoito Fino - havia dois na fila, já editados no exterior. "Meus discos saem primeiro lá fora, e como eu lanço um por ano, alguns ficam para trás. Aqui não tem esse espaço, então eu estava com esses dois para lançar: "Rio", de voz e violão, com canções sobre a cidade; e "Tudo", de canções minhas inéditas", conta a compositora. "Pensei em perguntar às pessoas o que elas preferiam. Fizemos shows no Sesc Pompeia, tocando na metade do show o repertório de um disco, na outra metade as canções de outro. O público botava os votos numa urna. A vitória de ´Tudo´ foi acachapante, o que sinaliza que as pessoas querem ouvir o inédito".

Não só pela aclamação na eleição direta ou pelo sopro das canções novas, "Tudo" aponta para caminhos democráticos. Já na canção que dá nome ao álbum, como explica a cantora. "Foi a primeira a ficar pronta. É emblemática. Fala de tolerância, um artigo bastante em falta", diz Joyce, referindo-se à canção de versos como "Tudo tem resposta/ Tudo é uma proposta/ Tudo é o que se gosta/ Tudo é opção".

Ao longo das treze faixas, a ideia é defendida - mesmo quando não expressa claramente nas letras. A cantora passeia por samba ("Puro ouro"), marcha-rancho impressionista ("Claude et Maurice"), scat vocals mulatos ("Tringuelingue"), bossa nova ("Estado de graça"), galope ("Boiou"), choro ("Choro do anjo"). Mais do que a variedade de gêneros, atravessam as letras os comentários sobre as próprias canções ou a música em si ("Estado de graça", "Puro ouro", "Aquelas canções em mim") ou suas referências ("Claude et Maurice"). "É meio um meta-CD", brinca.

Parcerias

A lista de convidados e parceiros que se reúnem em torno do disco também celebra a abertura. Joyce assina canções com Nelson Motta, Paulo César Pinheiro, Teresa Cristina e Zé Renato. E tem participações de Antonia Adnet, Pedro Miranda, João Cavalcanti, Moyseis Marques e Alfredo Del-Penho. Ou seja, gerações e escolas diferentes que se cruzam. Alguns pela primeira vez, reafirmando um espírito de ineditismo. "Nelson Motta é meu amigo desde que me entendo por música, aos 19 anos. É de estranhar que nunca tivéssemos feito canções. Em "Estado de graça", como ele estava recém-casado, apaixonado, queria fazer uma música nesse clima", explica Joyce, que também está atenta à música de quem veio depois dela. "Gosto muito desses meninos da Lapa. São desencanados, não são xiitas, ouvem de tudo, não têm papo de ´eu sou mais gênio que você´. E são a minha geração. Porque como diz o (músico) Juca Filho, minha geração é todo mundo que está vivo. Ou Vinicius: ´Meu tempo é quando´". A fala representa mais que uma ideia - ela se reflete na forma como Joyce faz música.

"Acabei de fazer uma música com João Cavalcanti, é novíssima, tem um mês. Para mim isso é natural, da mesma forma como sou parceira de pessoas 15, 20 anos mais velhas do que eu, como João Donato e Carlos Lyra", revela.

Fonte: diariodonordeste.com


quarta-feira, 24 de julho de 2013

Porque os hotéis insistem na “economia de palito”



Apesar de estar inserida em um mercado altamente competitivo, a maioria dos hotéis brasileiros insiste em cobrar por serviços que pouco agregam ao resultado financeiro dos empreendimentos, mesmo em detrimento da satisfação do hóspede

Nos últimos meses, utilizei os serviços de quatro hotéis situados em diferentes regiões do país e, em três deles, tive a desagradável experiência de cobrança por produtos ou serviços, com valores irrisórios para a planilha de custos dos estabelecimentos. Estes, ainda não perceberam que, como a maioria deles ofertam basicamente os mesmos serviços, são os detalhes que vão encantar o cliente, fazer com que ele volte ao hotel e, acima de tudo, que faça os comentários elogiosos com os seus interlocutores.
É preciso que os gestores dos hotéis, resorts, pousadas e afins entendam que, quando o hóspede escolhe determinado hotel ele já tem em mente o padrão de atendimento e serviços que vai ser disponibilizado para ele. Assim, a meta do estabelecimento tem que ser superar esta expectativa e verdadeiramente encantar o cliente e tudo que ele deve evitar é frustrá-lo, notadamente com pequenos detalhes que acabam por jogar por terra todo o esforço dispendido em outros itens bem mais custosos.
Isto posto, vamos à análise dos hotéis listados:
Golden Tulip – Salvador (BA)
Com uma localização privilegiadíssima e com uma belíssima vista da capital baiana no alto do bairro do Rio Vermelho, o hotel oferta serviços diferenciados como manobrista 24 horas, quadra de tênis, quartos amplos e detalhes como artigos de limpeza (xampu, condicionador e sabonete) de qualidade e internet grátis. Oferece também um bom café da manhã, sala de ginástica e de jogos, além dos itens básicos para um estabelecimento da sua categoria. Sendo um hóspede contumaz do Golden Tulip, não consegui vislumbrar pontos falhos nos serviços e produtos disponibilizados.
Bourbon Ibirapuera – São Paulo SP
Hotel dotado de ótima estrutura e localização, tem itens de luxo que o diferenciam dos demais empreendimentos do gênero. Artigos de cama e banho novos e de excelente qualidade, staff bastante atencioso e profissional, além de academia de ginástica e internet grátis, estão entre os itens disponibilizados. Aí vêm os pontos negativos: o café da manhã é limitado para a categoria do hotel, -três dias seguidos servindo bacon e calabresa fritos, mais salsicha de cachorro quente, é um pouco demais - e o que mais me desagradou: a cobrança extra de itens absolutamente irrelevantes. Os ovos servidos no café da manhã são mexidos e, se o cliente preferi-los fritos, tem que pagar por isso. Igualmente, o bufê oferece sucos de acerola e cajá, por exemplo e, se o hóspede preferir de laranja, também é cobrado à parte. Aqui colocamos algumas indagações: quantos hóspedes pedem ovos fritos e um suco que não está no bufê, por dia? Qual o custo extra que o hotel com estes itens? Vale a pena empanar o brilho dos demais itens oferecidos por uma despesa tão irrisória?
Hardman – João Pessoa PB
Mais um estabelecimento de bom nível que disponibiliza alguns facilitadores como um eficiente serviço de manobrista, café da manhã com boa variedade e uma “baiana” preparando tapiocas, omeletes e outras iguarias, na hora, mas também cobra por qualquer suco extra solicitado. Além de disponibilizar sabonetes de baixíssima qualidade (indignos de um hotel de verdade), duas falhas imperdoáveis: diz que tem internet grátis, mas esteve indisponível nos três dias em que nos hospedamos, (ainda transferiu a culpa para a operadora de telefonia) e cobrar por toalhas para serem utilizadas na piscina. Absoluta falta de visão estratégica e a pergunta que não quer calar: quanto que o hotel vai arrecadar com esta cobrança? A relação custo/benefício em relação à satisfação do cliente é benéfica?
Saint Moritz – Brasília DF
Hotel novo, situado no coração do SHN (Setor Hoteleiro Norte) de Brasília, incorpora um novo conceito em hospedagem que explora o segmento de clientes que se ficam por longos períodos. Para tanto, os apartamentos dispõem de equipamentos que possibilitam refeições rápidas. Na recepção, estão disponíveis várias pratos congelados que, para minha surpresa, não custam caro. É só adquirir os produtos e utilizar o micro-ondas do quarto para o preparo da refeição.
Além de staff competente a atencioso, a vista do refeitório é um espetáculo à parte, proporcionando uma belíssima visão panorâmica de Brasília. O café da manhã é bastante limitado para o nível do hotel, bem como os artigos de higiene disponibilizados: apenas xampu (não tem condicionador) e o sabonete não é condizente com os demais serviços oferecidos ao hóspede. Para finalizar, a piscina é um fiasco, com cerca de 2 metros de largura, apenas para aproveitar uma faixa de terreno ao lado da área externa do refeitório.
Diante das constatações acima, ratificamos o nosso ponto de vista de julgar inconcebível investir somas consideráveis para oferecer determinadas comodidades aos clientes e jogar por terra todos estes investimentos cobrando por serviços simples e de custos irrelevantes ou disponibilizando produtos de baixa qualidade. Parecem itens simples, mas que podem determinar a opção do cliente, bem como a indicação que ele vai fazer para outros potenciais hóspedes.

Euriques Carneiro


O poeta popular Patativa: de Assaré (CE), para a Universidade de Paris - Sorbonne



Antônio Gonçalves da Silva existem vários Brasil afora, mas Patativa do Assaré foi único, ímpar e inigualável. Dos sertões do Ceará, para ser alvo de estudos na cadeira da Literatura Popular Universal, da renomadíssima Universidade de Paris - Sorbonne, é uma honraria inédita e digna da grandiosidade desse poeta popular

Alvo de estudos na Sorbonne, na cadeira da Literatura Popular Universal, sob a regência do Professor Raymond Cantel, Patativa do Assaré é unanimidade no papel de poeta mais popular do Brasil. Para chegar onde chegou, tinha uma receita prosaica: dizia que para ser poeta não era preciso ser professor. 'Basta, no mês de maio, recolher um poema em cada flor brotada nas árvores do seu sertão', declamava.Nascido a 5 de março de 1909 na Serra de Santana, pequena propriedade rural, no município de Assaré, no Sul do Ceará, Patativa é o segundo filho de Pedro Gonçalves da Silva e Maria Pereira da Silva.. Publicou Inspiração Nordestina, em 1956, Cantos de Patativa, em 1966. Em 1970, Figueiredo Filho publicou seus poemas comentados Patativa do Assaré. Tem inúmeros folhetos de cordel e poemas publicados em revistas e jornais.


Cresceu ouvindo histórias, os ponteios da viola e folhetos de cordel. Em pouco tempo, a fama de menino violeiro se espalhou. Com oito anos de idade, levou uma pisa do pai, ao trocar uma ovelha por uma viola. Dez anos depois, viajou para o Pará e enfrentou muita peleja com cantadores. Quando voltou, estava consagrado: era o Patativa do Assaré. Nessa época os poetas populares vicejavam e muitos eram chamados de 'patativas' porque viviam cantando versos. Ele era apenas um deles. Para ser melhor identificado, adotou o nome de sua cidade.


Com sua arte, inspirou músicos da velha e da nova geração e rendeu livros, biografias, estudos em universidades estrangeiras e peças de teatro. Também pudera, ninguém soube tão bem cantar em verso e prosa os contrastes do sertão nordestino e a beleza de sua natureza, como ele. Talvez por isso, Patativa ainda influencie a arte feita hoje. O grupo pernambucano da nova geração 'Cordel do Fogo Encantado' bebe na fonte do poeta para compor suas letras. Luiz Gonzaga gravou muitas músicas dele, entre elas a que lançou Patativa comercialmente, o poema musicado, 'A triste partida'. Há até quem compare as rimas e maneira de descrever as diferenças sociais do Brasil com as músicas do rapper carioca Gabriel Pensador, mas aí tem um fosso enorme de inspiração, criatividade e poesia.

No teatro, sua vida foi tema da peça infantil 'Patativa do Assaré - o cearense do século', de Gilmar de Carvalho, e seu poema 'Meu querido jumento', do espetáculo de mesmo nome de Amir Haddad. Sobre sua vida, tem ainda a obra 'Poeta do Povo - Vida e obra de Patativa do Assaré' (Ed. CPC-Umes/2000), assinada pelo jornalista e pesquisador Assis Angelo, que reúne, além de obras inéditas, um ensaio fotográfico e um CD.

Certa feita, seu amigo e admirador Luiz Gonzaga, “comprou” uma briga com a esposa, D. Helena, que zelava por todos os presentes que o marido recebia, para compor o museu que ela planejava montar sobre o “Rei do Baião”. Uma dessas peças, foi um enorme troféu que Gonzagão ganhou no Recife. Chegando ao Parque Aza Branca, ele chamou o sobrinho Joquinha, dizendo: “embrulhe este troféu, pois Patativa vem aqui amanhã e vou dar de presente a ele...”. Joquinha não cumpriu a ordem do tio e ainda o dedurou para D. Helena. Ela prontamente confiscou a honraria impedindo assim que Gonzaga presenteasse o amigo. D. Mundica narrou-me este fato com um sorriso nos lábios: “ah, Seo Luiz arretou-se, disse que o troféu era dele e que poderia dar a quem ele quisesse, mas não adiantou nada, D. Helena não devolveu de jeito nenhum... ele ficou foi bravo.”


Ainda menino, teve o infortúnio de perder um olho aos 4 anos. No livro 'Cante lá que eu canto cá', o poeta dizia que no sertão enfrentava a fome, a dor e a miséria, e que para 'ser poeta de vera é preciso ter sofrimento'. Patativa só passou seis meses na escola. Isso não o impediu de ser Doutor Honoris Causa de pelo menos três universidades. Não teve estudo, mas discutia com maestria a arte de versejar. Aos 91 anos de idade com a saúde abalada por uma queda e a memória começando a faltar, Patativa dizia que não escrevia mais porque, ao longo de sua vida, 'já disse tudo que tinha de dizer'. Patativa morreu em 08 de julho de 2002 na cidade que lhe emprestava o nome.


Euriques Carneiro

(referência: tanto.com)


terça-feira, 23 de julho de 2013

Exposição do fotógrafo Walter Firmo no CCBB antecipa programação do mês da fotografia




Revelando-se como um dos mais seletos espaços culturais da Capital Federal, o Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB, apresenta de 22 de julho a 18 de agosto, exposição do carioca Walter Firmo, uma leitura da história do premiado fotógrafo

Com curadoria do próprio autor e de Egberto Nogueira, diretor da paulista Imã Galeria, a exposição é um recorte afetivo na obra de Firmo, contemplando a história do fotógrafo que nasceu no Rio de Janeiro e ganhou o mundo com o trabalho consagrado por premiações e, sobretudo, pelo público. Brasília será a segunda parada da exposição, que foi montada antes em São Paulo, em 2012.Entre os mais consagrados fotógrafos brasileiros, Firmo é reconhecido por seus registros em cores quentes e frias e por seus retratos em preto e branco – como o de Pelé numa perna só, evocando a figura mítica do Saci, e o de Tom Jobim empunhando uma flauta em sua casa na Gávea, no Rio de Janeiro –, por exemplo. Walter trabalhou nos mais importantes veículos da imprensa nacional e é um dos fotógrafos brasileiros mais premiados aqui e no exterior – além de já ter sido agraciado com o título de comendador pelas mãos do ex-presidente Lula e pelo ex-ministro da Cultura Gilberto Gil.
A exposição Walter Firmo – Luz em Corpo e Alma vem acompanhada de um documentário filmado e produzido por Egberto Nogueira. Ao passar por Copacabana, Lapa e outros locais do Rio de Janeiro e São Paulo, Firmo mostra seu viés poético e conceitual ao falar da infância e de sua criação no subúrbio de Irajá, entre outros momentos marcantes de sua vida e trajetória de 55 anos dedicados à fotografia e à arte de ensinar.
No dia 9 de agosto, Firmo fará uma visita guiada pela exposição, seguida por um bate papo com o público.
Mês da Fotografia 2013- “As imagens de uma paixão- O futebol no imaginário popular brasileiro”
Este ano, o Mês da Fotografia irá oferecer uma oportuna imersão no universo do futebol, com o tema “As imagens de uma paixão – O futebol no imaginário popular brasileiro”. Aqui, o futebol – um patrimônio cultural brasileiro – inclui todas as nuances desta democrática e exuberante mania nacional: o futebol-arte, a paixão – sem distinção de gênero ou idade – em grandes estádios ou em lúdicas peladas nos fins-de-semana, as escolinhas, os campos de várzeas, a bola de meia, a técnica e o domínio da bola que nasce desde cedo no cotidiano das crianças brasileiras.
De 1º a 31 de agosto Brasília vai mergulhar na arte da fotografia com um farto banquete para os amantes do gênero. Com imagens deslumbrantes e a intensa troca de ideias, o encontro é movido pela vontade de sensibilizar e formar novos públicos para a fotografia e artes visuais como um todo. Para o diretor executivo do projeto, fotógrafo Eraldo Peres, o evento tem como missão democratizar a arte da fotografia, não somente pela gratuidade das atividades, mas por serem realizadas fora do plano piloto. “Esta edição chega para consolidar o evento que traz como tema uma paixão nacional, que é o futebol, em um momento em que o Brasil se prepara para realizar o maior evento do esporte- a Copa do Mundo. Além disso, estamos agregando dois novos espaços importantes da cena cultural brasiliense, que é o CCBB e o Instituto Cervantes, que farão parte do roteiro do mês da fotografia com duas importantes exposições”, afirma Peres.
Além de Walter Firmo, participam do evento nomes de destaque da fotografia nacional – como Ueslei Marcelino, Daniel Kfouri, Beto Barata, Dirceu Maués, Ed Viggiani, Sérgio Dutti, Delfim Martins, Samuel Paz, Adriano Gonçalves, Kazuo Okubo, Izan Petterl, Toni Martin, Vania Jucá, Fernando Bueno e José Rosa, entre muitos outros – também estarão promovendo exposições, oficinas e outras ricas interações da fotografia com o público brasiliense. Este ano, o evento irá também homenagear um dos mais consagrados fotojornalistas brasileiros do século 20, Gervásio Baptista – que registrou grande parte dos acontecimentos e das personalidades mais importantes dos últimos 50 anos no Brasil. Está programado também o popular Fotografaço, no qual o público é convidado a fotografar livremente na área externa do Museu da República.
Estima-se que mais de 500 mil pessoas participem do evento. Em 2012, mais de 3 mil pessoas participaram diretamente do encontro, e mais de 400 mil visitaram as exposições fotográficas.
Realizado desde 2010 em parceria com o SESC/DF, o Mês da Fotografia tem apoio do Governo do Distrito Federal, do Museu Nacional do Conjunto Cultural da República e da Universidade Católica de Brasília.
Coletiva

O tema “As imagens de uma paixão – O futebol no imaginário popular brasileiro” será abordado também na II Exposição Coletiva dos Fotógrafos do Centro-Oeste, um registro multifacetado da forma como a paixão pelo futebol se traduz no imaginário popular brasileiro. A coletiva vai apresentar o olhar dos fotógrafos da região por meio de cem fotografias a serem expostas na Galeria Térreo do Museu Nacional da República. Nela, o tema será explorado em imagens que revelem as relações da região Centro-Oeste com a prática profissional e amadora do futebol, suas atividades sociais, econômicas e formas de organização; com o futebol como expressão cultural, seus símbolos, a diversidade das suas práticas e suas manifestações materiais e imateriais; com o futebol como paixão popular e suas relações com o comportamento humano, peladeiros, craques, torcidas e torcedores.

O quê: Exposição Luz em corpo e alma - MÊS DA FOTOGRAFIA

Onde: CCBB Brasília - espaço montado no vão central entre a bilheteria e o café Bom Demais

Período: de 22 de julho a 18 de agosto

Horário de visitação: 9h às 18h

Visita guiada e bate papo com o autor: Dia 9 de agosto às 19:30 h



Fonte: redação do clicabrasilia.com.br

Othon Bastos: um ator que não depende de sua imagem visual para ser reconhecido



Quando é levantada a questão sobre qual o melhor ator brasileiro de todos os tempos, há quase uma unanimidade quanto ao nome de Paulo Autran, mas o baiano Othon Batos conseguiu inserir o seu nome no panteão dos grandes intérpretes da dramaturgia nacional



Ainda na fase estudantil na Bahia, inicia sua incursão pelo teatro, sendo levado ao Rio de Janeiro, por intermédio de Paschoal Carlos Magno, para aturar no Teatro Duse, uma escola de teatro, onde se inicia nos desempenhos de Terra Queimada, de Aristóteles Soares, 1951; Lampião, de Rachel de Queiroz; e A Noiva do Véu Negro, de Leone Vasconcellos, ambos de 1954; e Phaedra, de Jean Racine, 1955.Othon José de Almeida Bastos, baiano de Tucano, ou simplesmente Othon Bastos é intérprete, da geração do teatro de resistência, tendo fundado sua própria companhia nos anos 1970, produzindo espetáculos representativos do período, tais como Um Grito Parado no Ar, Ponto de Partida e Murro em Ponta de Faca.

Integra teleteatros na TV Tupi, ao lado de nomes como Sergio Britto, transferindo-se logo após para São Paulo. O primeiro retorno à Bahia dá-se em 1956, para dirigir na recém-fundada Escola de Teatro, iniciativa do reitor Edgar Santos e comandada por Martim Gonçalves. Nomes como Lina Bo Bardi, Hans Joachim Koellreutter, Walter Smetak, Pierre Verger e Yanka Rudzka somam-se para dar um choque intelectual e de modernidade à vida cultural baiana. Segue para estudar teatro na Weber Douglas School, Londres. Ao voltar faz, na Escola de Teatro, entre outros espetáculos, As Três Irmãs, de Anton Tchekhov, 1958; Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams, ao lado de Maria Fernanda, e Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, ambos em 1959.

Em 1960, Othon sai da Escola para fundar, associado a João Augusto de Azevedo, a Companhia Teatro dos Novos, empenhando-se na construção do Teatro Vila Velha. O grupo, através de subvenções da prefeitura, apresenta peças em praças públicas, após festividades religiosas ou cívicas, e através de leilões de obras de arte angaria fundos para erguer o Teatro. Conhece, na ocasião, a atriz Martha Overbeck, com quem se casa.

Em 1962, tem sua primeira experiência cinematográfica: Sol Sobre a Lama, filme de Alex Vianni. Num pequeno e marcante papel, integra ainda o filme O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, no mesmo ano. A consagração, porém, vem com a personagem Corisco, no lendário Deus e o Diabo na Terra do Sol, filme épico de Glauber Rocha transformado em emblema do cinema novo. A sólida experiência teatral de Othon é decisiva para a criação da personagem.

A partir de 1970 cria, com Martha Overbeck, a Othon Bastos Produções Artísticas, grupo que ao longo dos anos 1970 se empenha em aguerrida defesa da liberdade de expressão, levando um repertório de resistência: Castro Alves Pede Passagem, direção de Gianfrancesco Guarnieri, 1971; é premiado como melhor ator pelo Molière e Associação Brasileira de Críticos Teatrais (ABCT), por Um Grito Parado no Ar, encenação de Fernando Peixoto, 1973; com o mesmo diretor está em Ponto de Partida, 1976, todos textos de Guarnieri. Em 1974, encenam Caminho de Volta, de Consuelo de Castro. Murro em Ponta de Faca, deAugusto Boal, numa direção de Paulo José, é a produção de 1978. Em 1980, ele e Martha Overbeck associam-se a Renato Borghi, para empreender o por muito tempo censurado Calabar, de Chico Buarque e Ruy Guerra. Está em Dueto para um Só, de Tom Kempinski, com o diretor Antônio Mercado, em 1984.

Para o cinema, Othon deixa registrada sua participação em filmes de grande densidade, como São Bernardo, 1972; O Predileto, 1975 ; Fogo Morto, 1976 ; Chico Rei, 1986; O que É Isso, Companheiro?; e A Grande Noitada, 1977; Mauá - O Imperador e o Rei e Central do Brasil, 1998; A 3ª Morte de Joaquim Bolívar e Villa-Lobos - Uma Vida de Paixão, 1999; Condenado à Liberdade e Bicho de 7 Cabeças, 2000.

Analisando a longa trajetória do ator, homenageado pela vida artística, o crítico baiano Carlos Alberto Matos destaca: "Desde que rodopiou no chão pedregoso de Cocorobó (famoso açude situado no município de Euclides da Cunha BA), como o memorável cangaceiro Corisco, em Deus e o Diabo na Terra do Sol, a autoridade cênica do baiano tomou de assalto a dramaturgia brasileira. Criou a partir dali um padrão de domínio e precisão que torna suas performances inesquecíveis, mesmo quando a lembrança do filme em si não ultrapassa a primeira noite de sono.

Othon é o tipo de ator que não depende de sua imagem visual para ser reconhecido. A voz, uma das mais célebres do país, já é suficiente para identificá-lo mesmo no escuro, o que faz dele um ator sobejamente diferenciado e merecedor dos louros que lhe são dedicados.




A PARTIDA DE UM DOS ÚLTIMOS MESTRES DO FORRÓ


Depois da derradeira” ele disse: “Só quero um xodó

O Riacho do Imbuzêro” ainda mata “A Sede do Rio e a Fome do Pão


Me pede um Carinho’ que eu mando “Abri a porta

Imortalizando uma “Amizade Sincera

Não esqueça de que “Quem me levará sou eu

Guarde uma “Sanfona Sentida” e confie em

Um “Anjo da Guarda” que o leve “De volta pro aconchego”

Isso aqui tá bom demais’, mas a “Saudade matadeira

Não tem um “Sorriso cativante” e nem espera na “Estação

Hoje não tem mais “Forró em Fazenda Nova

O seu poeta partiu em uma “Fuga pro Nordeste

Seguiu o seu Mestre e vai entoar “Canta Luiz” nos forrós da eternidade!

Euriques Carneiro

A bênção, Dominguinhos. Olhe por todos nós e pelo autêntico forró!


Uma última homenagem do Artecultural a um dos últimos virtuoses da sanfona!

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Encontro Cultural na Chapada dos Veadeiros terá mostra de cinema, shows, oficinas e gastronomia

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O Encontro Cultural na Chapada dos Veadeiros, evento voltado à cultura tradicional do Cerrado, terá show do cantor e compositor pernambucano Lenine como a grande atração


Começa no dia 22 de julho (sexta-feira), na Vila de São Jorge – Alto Paraíso (GO,) a décima primeira edição do Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros. Shows, rodas de prosa, Encontro de Capoeira Angola, Aldeia Multiétnica e mostra de cinema estarão abertos ao público até o dia 30 deste mês. Este ano o evento apresenta também o I Encontro de Culturas Gastronômicas da Chapada dos Veadeiros, uma proposta de valorização da culinária goiana e dos frutos do Cerrado.

As atividades culturais acontecem simultaneamente. Índios, mestres, brincantes, catireiros, artistas circenses e capoeiristas terão lugar em diferentes espaços: Aldeia Multiétnica, Palco, Igreja, Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge e Galpão do Artesão.

Os participantes poderão conhecer e integrar-se a uma verdadeira festa da cultura popular brasileira, um evento que possibilita o encontro entre as mais distintas tradições culturais espalhadas pelo Centro-Oeste e por todo o país. São esperados cerca de 30 mil turistas para a região.

A XI edição terá como figura homenageada o antropólogo Darcy Ribeiro, um dos maiores estudiosos da cultura brasileira e defensor da diversidade cultural no Brasil. O Encontro é organizado pela Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge.

Desde 2003, o Encontro, organizado pela Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge, recebe o patrocínio da Petrobras, via Lei Rouanet. Neste ano, recebe também o apoio do Sesi, destinado ao I Encontro de Culturas Gastronômicas da Chapada dos Veadeiros. Os apoiadores do XI Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros fortalecem o compromisso em garantir o acesso da população aos bens culturais e afirmam a sua identidade brasileira.


Sobre o evento


Encontro de Culturas Gastronômicas:
Para agregar e difundir os sabores do Cerrado e da culinária regional. A proposta é valorizar a riqueza cultural existente desde a produção até o consumo da gastronomia goiana. Restaurantes, cafés, bares, lanchonetes e a sorveteria da Vila de São Jorge participam do Circuito. No encontro serão criados pratos exclusivos – Cerrado Gastronômico, todos produzidos com algum fruto típico do Cerrado.

Aldeia Multiétnica
Este ano a novidade é a troca de vivências entre diferentes povos – Comunidade Quilombola Kalunga e Índios Yawalapiti do Xingu - no processo de construção da Oca Xinguana. A aldeia será erguida de acordo com os princípios tradicionais dos índios Xingu e técnicas de bioconstrução. O público terá a oportunidade de vivenciar, conhecer músicas, rituais, gastronomia, cursos de agroecologia e agricultura indígena.

Construção da Oca Xinguana
No Alto Xingu tudo tem um dono, seja ele um xinguano ou um espírito da floresta. As festas também são assim. Geralmente os rituais são manifestações dos espíritos da floresta, aqueles que são alimentados e cuidados pelos seus donos humanos. Quando há a construção da casa do dono de uma festa, toda a comunidade realiza um mutirão. Cosmologicamente é o espírito do ritual que está personalizado nos trabalhadores. Em troca do serviço o dono da casa e da festa deve patrocinar um ritual, que acontece concomitantemente com o trabalho, provendo os instrumentos e a alimentação dos participantes e dos espíritos.


Encontro de Capoeira Angola
Fortalecer os laços culturais de origem afro-brasileira na região é o objetivo deste Encontro. Mestre Cobra Mansa, reconhecido pelo trabalho que desenvolve no Brasil e no mundo, e novos Mestres, representantes da Capoeira Angola em Goiânia e no Distrito Federal estarão presentes. As atividades incluem oficinas e apresentam e divulgam a modalidade de forma lúdico/educativa para o fortalecimento da cidadania.


Mostra de Cinema
Neste ano, a programação do evento apresenta o panorama audiovisual do Centro-Oeste (CENTROÉcine) com destaque para as produções dos cineastas goianos. Também serão apresentados os filmes ganhadores do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica) e os vencedores da mostra da Associação de Documentaristas do Brasil (ABD – Goiás) em 2011. O público também poderá assistir a série “O Povo brasileiro”, baseada na obra do antropólogo Darcy Ribeiro, que explica a mistura de raças no Brasil. Outra atração é filme “Kalunga”, de Pedro Nabuco, que será exibido à comunidade Kalunga durante o Encontro. As exibições acontecem na Feira do Artesão das 19h às 20h30 nos intervalos das programações.

FONTE: Assessoria de Imprensa do Encontro