quinta-feira, 6 de junho de 2013

República do Bascortostão produz o melhor mel do planeta, cujo quilo pode chegar a 200 euros



A Bashkíria (República do Bascortostão) é hoje um dos últimos lugares no planeta onde a apicultura florestal se mantém como um ofício. A prática começou a se extinguir com a construção das colmeias e o advento dos apiários, mas houve um tempo em que essa era a única forma de obtenção de mel


O mel silvestre, produzido por abelhas melíferas selvagens, é o mais caro do mundo, podendo custar até € 200 o quilo. Para entender a prática, é preciso explicar primeiro o significado da palavra “bortevoi” (silvestre). “Borth”, em russo, é o nome dado ao oco de uma árvore, onde vivem as abelhas silvestres. O orifício pode ser natural ou feito manualmente, mas as abelhas somente podem ser silvestres e silvícolas.

Na Bashkíria, foi criada a reserva Shulgan-Tash para a preservação das abelhas silvestres “Burzianskiy”. Junto com as abelhas, ficou sob proteção a antiga profissão de “bortnik” ou “bortevik”. Um verdadeiro “bortevik” é um tesouro de conhecimento e habilidades. Ele sabe se o ano está sendo bom para as abelhas, o que está faltando para elas, se está na hora de coletar o mel e quanto dele pode ser coletado.

Os “borteviks” não destroem os ocos das árvores, coletando uma quantidade certa de mel para que sobre o suficiente para as abelhas passarem o inverno. E tentam intervir minimamente no mecanismo nitidamente organizado da vida das abelhas –o que deixa o mel melhor.

Como a ação se passa em uma floresta, o “bortevik” deve possuir habilidades de caçador e ser capaz de interpretar pegadas no chão: martas e ursos são conhecidos fãs do mel. O perigo de se deparar com um urso existe ainda hoje: os “borths” ficam em territórios protegidos, onde os animais selvagens se sentem à vontade.

O gosto da liberdade

A principal diferença entre o mel proveniente da apicultura florestal e o da apicultura de apiário é que o ser humano não interfere na produção do mel silvestre. Como se sabe, o mel é o produto da digestão do néctar no organismo das abelhas melíferas. Todas as abelhas do mundo fazem isso da mesma forma. Mas depois desse processo, os caminhos das abelhas silvestres e das abelhas domesticadas divergem.

No apiário, a vida das abelhas é gerenciada pelo homem, cujo objetivo é coletar, durante a temporada, o máximo possível de mel de cada colônia de abelhas. Algumas vezes por ano, de maneira monótona, as abelhas domesticadas preenchem o quadro na colmeia, como uma produção em linha de montagem.

Entretanto, as abelhas silvestres não se são submetidas a nenhuma pressão. Elas escolhem um lugar para a própria "casa" e constroem elas mesmas os favos de materiais acessórios naturais. Isso leva um tempo maior, mas resulta em um mel não apenas natural, mas literalmente recheado de enzimas úteis, vitaminas, aminoácidos e até hormônios. No mel silvestre também há mais cera e pólen do que no mel produzido no apiário. Além disso, o mel silvestre é colhido apenas uma vez por ano, no início de setembro, quando realmente está no ponto. É nessa época que elas vedam os favos de mel para passar o inverno.

Diante de tantos segredos e métodos para produção e colheita do mais puro mel, chega-se ao porque do preço aparentemente exorbitante que ele alcança no mercado. Toda qualidade tem um preço.

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