quinta-feira, 27 de junho de 2013

Pierre Verger: uma referência internacional quando se fala em etnologia



Pierre Edouard Léopold Verger, mais conhecido como Pierre Verger, é o mais baiano dos franceses. Tendo se radicado na Bahia desde agosto de 1946 até a sua morte 1996, dedicou sua vida, aprofundando-se no estudo da complexa e forte relação existente entre a África e a Bahia
Pierre Verger nasceu em Paris, no dia 04/11/1902 e era filho de uma abastada família de origem belga e alemã. Trinta anos depois, começou a mudar de vida, dando início às viagens ao redor do mundo. Foi nesse período que também iniciou o aprendizado fotográfico, em companhia de PIERRE BOUCHER, utilizando uma máquina nova na época, mas que faria história no mundo fotografia, a ROLLEIFLEX. Sua vida foi então guiada, até o início dos anos 50, por duas paixões: viagens e fotografia.

Percorreu diversos países entre 1932 e 1945 como pesquisador para o Musée Etnographique du Trocadéro (atual Musée de l’Homme), em Paris. Viajou para a Polinésia (1933), Japão e Estados Unidos (1934) África Ocidental, (1935/36), Ásia (1937), América Central e Antilhas (1939), América do Sul (1941/46).

Até 1946, sobreviveu exclusivamente desse ofício, negociando suas fotos com grandes jornais e agências internacionais. A partir dos anos 50, começou a desenvolver um incessante trabalho de pesquisa das culturas africana e brasileira. Em 1946, chega a Salvador, cidade que escolhe para viver, fazendo periodicamente viagens ao Benin (ex-Daomé) e à Nigéria, publicando diversos trabalhos sobre a história das comunidades afro-brasileiras.

Tendo contato com a cultura afro, o fotógrafo iniciou estudos sobre a religião, que acabaram gerando sua carreira como pesquisador do Instituto Francês da África Negra (IFAN). Radicado na Bahia desde agosto de 1946, dedicou sua vida, aprofundando-se no estudo da complexa e forte relação existente entre a África e a Bahia. Realizou um extenso trabalho etnológico retratando o povo, seus costumes, sua cultura e principalmente as religiões afro-brasileiras.

Como colaborador e pesquisador visitante de várias universidades, Verger conseguiu transformar suas pesquisas em artigos e livros. Entre os temas que geraram importantes produções, estão as relacionadas com a religião dos iorubás, as consequências sociais, econômicas e políticas do tráfico de escravos para o Brasil, e o uso medicinal e litúrgico das plantas.

Em 1960, Verger comprou uma casa na Vila América, próxima de um dos mais importantes candomblés da Bahia e ali teve contato com nomes consideráveis e dos mais diversos segmentos artísticos e culturais do Brasil, como Carybé, Jorge Amado, Pai Balbino e Lina Bo Bardi, entre outros. No final dos anos 70, Pierre Verger parou de fotografar e fez suas últimas viagens de pesquisa à África.

A obra “Orixás” ou “Orishas”, de Pierre Verger, foi publicada em 1980, mostrando descrições detalhadas de rituais e presentes às divindades da África, também em Cuba e no Brasil. São 260 fotografias, ilustrações e mapas, em 300 páginas.

Seus trabalhos lhe valeram o título de Doutor em Etnologia pela Universidade de Paris, Sorbonne, e também o de Babalaô pelo Candomblé. Seu acervo fotográfico, de valor inestimável, é uma importante referência para a Fotoetnografia do Brasil. Seu trabalho é referência para pesquisadores que estudam as religiões relativas a esta cultura.


Em 1988, criou a FPV – Fundação Pierre Verger (www.pierreverger.org.br), transformando sua própria casa em um centro de pesquisa com a intenção de disponibilizar ao público um acervo com dezenas de artigos, livros, 62 mil negativos (matriz), gravações sonoras e filmes, além de uma coleção de documentos, manuscritos e objetos. Desde 1989, a Fundação Pierre Verger, conserva seus negativos, sua vasta biblioteca, seu arquivo pessoal e se encarrega da difusão de seu legado antropológico e fotográfico.

Em 11/02/1996, morre na mesma Salvador que o acolheu, deixando como herança um acervo fotográfico de valor inestimável, conservado pela Fundação Pierre Verger, por ele criada em 1988. Estas fotos foram digitalizadas à partir do catálogo da Exposição Bahia África Bahia, organizada pela Pinacoteca do Estado, São Paulo.




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