segunda-feira, 24 de junho de 2013

O filme “7 caixas paraguayas” foi rodado no Mercado 4, um dos mais frequentados de Asunción



Em um mercado onde dá até para conseguir o último filme do Almodóvar e conhecido como o paraíso da pirataria, não deixa de causar estranheza o cartaz afixado na “Feira do Paraguai”: “Não insista: não temos 7 caixas paraguayas!”
Ele recebe uma nota de US$100 rasgada ao meio para entregar sete caixas de madeira, e a outra metade da nota ele receberá quando a mercadoria chegar ao destino.Víctor, um jovem de 15 anos que ganha a vida carregando mercadorias pelas ruas do Mercado 4, um centro comercial lotado de gente, localizado no centro da capital do país, recebe uma proposta irrecusável.

A pegadinha? O jovem, que geralmente carrega nada além de carne, frutas, vegetais, aparelhos eletrônicos e até mesmo móveis, não sabe o que transporta neste último trabalho.

Bem-vindo à vida de um “carreteiro”, os modestos entregadores de produtos para os comerciantes que vendem seus artigos para os milhares de consumidores que se amontoam todos os dias no Mercado 4. Mas o que acontece durante o trabalho de US$ 100 de Victor é o preâmbulo de “7 Caixas”, um filme de Juan Carlos Maneglia e Tana Schémbori, que utilizam mercados populares como cenário para sua estreia no mundo do cinema.

“Queremos que o público paraguaio veja o cinema nacional e que sintam o desejo de querer vê-lo novamente”, declararam os diretores em nota.

O enredo do filme é ficção, mas os protagonistas escolhidos por Maneglia e Schémbori certamente dão vida à ficção. Isso porque muitos atores e atrizes, incluindo Celso Franco, que faz o papel de Víctor, foram escolhidos durante entrevista com aqueles que trabalham no Mercado 4.

O patrão de Víctor no filme, personagem de Alberto Ayala, estabelece três regras para Victor, que recebe um telefone celular para seguir as instruções; não ver o conteúdo das caixas e certificar-se de que todas as sete cheguem ao destino final com seus conteúdos intactos.

Mas Víctor comete um erro: ele perde uma das caixas, fazendo com que ele contrate companheiros carreteiros para ajudá-lo a localizar o volume perdido em troca de uma parte de seu pagamento.

Schémbori comentou que a maioria dos paraguaios irão se identificar com o filme, que é falado em Guaraní com pouco espanhol, porque irão reconhecer lugares e situações do Mercado 4, que serviu como um “cenário maravilhoso”.

“Nossas expectativas baseiam-se mais do que nunca no público nacional. O filme está voltada para o nosso público. Se ultrapassar fronteiras, ficaremos mais do que felizes, mas se o filme for sucesso no Paraguai, o nosso objetivo já estará cumprido”, declarou Schémbori, cujo filme está em fase de pós-produção e ainda não tem uma data para a estréia.

O trabalho mais difícil foi gravar o filme no Mercado 4, pela enorme quantidade de pessoas que lá frequentam, que é uma espécie de formigueiro quando as pessoas vão às compras. O filme terá legendas em espanhol.
“Gravar neste local foi uma desafio enorme”, disse Schémbori. “Mas o número de pessoas, a poluição sonora e visual foi justamente [o que] fez do [Mercado 4] muito rico”

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