domingo, 9 de junho de 2013

Na Colômbia, descendentes de escravos recorrem ao turismo para sair da pobreza



San Basílio de Palenque, um povoado do norte da Colômbia que foi o primeiro assentamento de descendentes de africanos que rompeu com a escravidão na América, abriu suas portas à indústria do turismo para livrar-se da miséria na qual viveu desde sempre

San Basilio de Palenque é uma comunidade de pouco mais de três mil habitantes fundada no século 17 por negros que escaparam de Cartagena e seus arredores na busca por liberdade e cujos descendentes conservam sua cultura e tradições. "Queremos que o turista entenda como o espírito africano segue intacto dentro do coração da América; é muito importante que os turistas que vêm hoje a Cartagena saibam que há muito além da cidade amuralhada", acrescentou Díaz-Granados em referência ao centro histórico deste porto do Caribe colombiano que foi um dos mais importantes da América espanhola.

Com a inauguração de um albergue turístico, este pequeno povoado distante uma hora por terra de Cartagena das Indias procura mostrar ao mundo esses valores culturais pelos quais a UNESCO o declarou como Obra Prima do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade em 2005. "Queremos que o turista que venha encontre a originalidade de Palenque, sua gastronomia, os penteados que as mulheres exibem em sua cabeça e que significam os caminhos que utilizavam para escapar da escravidão", explicou à Agência Efe o ministro de Comércio, Indústria e Turismo da Colômbia, Sergio Díaz-Granados.

Segundo o ministro, espera-se que 300 turistas visitem semanalmente San Basilio de Palenque e o albergue servirá para controlar a entrada dos visitantes, "no sentido de dar-lhes uma informação que sirva para que possam, antes de entrar na cidade, apreciar toda sua cultura". O povo palenquero goza de uma cultura muito rica, pois conserva os costumes herdados de seus ancestrais africanos quase intactos, entre eles o "lumbalú", um ritual fúnebre com o qual, por meio de danças e cantos, se despedem de seus mortos.

Os moradores deste território falam um dialeto conhecido como "palenquero", que data do final do século 16 e começo do 17, e que é uma mistura de línguas africanas de origem bantú nutridas com bases léxicas de castelhano, que utilizavam para não serem entendidos pelos espanhóis. No entanto, apesar de ser eixo central de boa parte da cultura do Caribe colombiano, permaneceram esquecidos pelo Estado, até o ponto de não contar com adequados serviços públicos nem de saúde.

Os habitantes de San Basilio de Palenque não contam com água totalmente potável, o serviço de energia elétrica é deficiente e custoso e carecem ainda de rede de águas e esgoto. A economia deste assentamento é precária já que seus moradores não contam com fontes de emprego e o trabalho se reduz a cultivar pequenas hortas com produtos para seu sustento diário, como milho, mandioca e inhame.

Por isso, com este albergue turístico que teve um investimento de 600 milhões de pesos (cerca de R$ 650 mil) e que é a primeira etapa de um projeto que incluirá pousadas para os visitantes, os palenqueros esperam ter uma fonte sustentável de renda que lhes permita deixar para trás as correntes da pobreza.






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