terça-feira, 4 de junho de 2013

Biografia conta a trajetória de J. Borges artista maior da xilogravura brasileira e tido como o “Picasso da cultura popular brasileira”



O livro fala sobre a vida do mestre, que se tornou referência dentro e fora do país e iniciou-se na atividade quando começou a entalhar na madeira a fachada da igreja de Bezerros (PE), que usou em "O Verdadeiro Aviso de Frei Damião"

Ainda garoto, aos oito anos, o franzino José Francisco já ajudava o pai na lida da agricultura. Aos dez, já fabricava e vendia na feira, incipientes colheres de pau. Trabalhou em olaria, confeccionou brinquedos artesanais com figuras do seu limitado universo e vendeu livros de cordel.

Aos 29 anos, José resolveu que iria escrever literatura de cordel. Foi quando fez O Encontro de Dois Vaqueiros no Sertão de Petrolina, xilogravada por Mestre Dila, que vendeu mais de cinco mil exemplares em dois meses. Desde então, começou a fazer matrizes por encomenda e também para ilustrar os mais de 200 cordéis que lançou ao longo da vida.

Reconhecimento internacional

Pelejas do homem do campo, histórias encantadas de heróis, cangaceiros e mitos do sertão ganharam vez e reconhecimento por meio da xilogravura e da literatura de cordel. A arte de talhar imagens em madeira e gravá-las ficou conhecida no Brasil por meio dos folhetos da poesia popular nordestina e, especialmente, pelo traço marcante do xilogravador J. Borges, o mesmo menino que fazia as colheres de pau aso dez anos. As gravuras do artista pernambucano hoje são impressas também em peças de decoração e vestuário e se tornaram conhecidas em países da América do Sul, da Europa e nos Estados Unidos, o que faz de J. Borges o xilogravador mais conhecido do Brasil.

O estilo clássico das gravuras se transformou em escola e na marca registrada do “Picasso da cultura popular brasileira” — como J. Borges foi definido pelo jornal norte-americano The New York Times. Com base em toda essa repercussão e na simbiose entre a arte popular e a vida de J. Borges, o jornalista Jeová Franklin escreveu “A peleja de um gênio para escapar da cana”, uma biografia do xilogravador.

“Eu já havia publicado uma biografia dele pela editora Hedra, de São Paulo, e resolvi ampliar em uma edição com fotografias”, explica Franklin. Mas J. Borges alertou que seria impossível conseguir fotos de infância, já que foi fotografado pela primeira vez aos 20 anos. Então, Jeová Franklin sugeriu algo que fosse mais viável e que se transformaria no maior destaque da biografia. “Pedi ao Borges para fazer xilogravuras que retratassem fases da infância e das profissões. Assim, ele fez 29 gravuras que abrangem a vida dele desde os tempos da escola a trajetória profissional”. Desse modo, a biografia se transformou em uma xilobiografia com gravuras feitas pelo próprio J. Borges.


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