quarta-feira, 5 de junho de 2013

Após 19 cirurgias, João Carlos Martins volta a tocar para homenagear Tom Jobim


Na edição de nº 24 do Prêmio da Música Brasileira, Wagner Tiso, João Carlos Coutinho, Gilson Peranzzetta, Cristóvão Bastos, Leandro Braga e João Carlos Martins tocarão “Eu sei que vou te amar”, uma das composições mais famosas de Jobim

Para homenagear Tom Jobim, não basta lembrar o compositor e o cantor. Também é preciso lembrar o seu principal instrumento. Pensando nisso, o empresário José Maurício Machline resolveu reunir, pela primeira vez, seis expressivos pianistas.

O evento, que acontece dia 12, também celebra o retorno de Martins, afastado da música desde 2002, quando perdeu os movimentos de uma das mãos.

— Jobim foi um grande cantor e compositor, mas também dominava o piano como poucos — observa Machline. — Não existe quem tocasse com aquela economia. Para homenagear o músico e o seu instrumento, era natural chamar artistas que representassem muito bem o piano, e que cada um contribuísse com seu estilo.

Singelo e bonito

Entre tantos clássicos de Jobim, a opção por “Eu sei que vou te amar” é estratégica.

— Queria justamente pegar uma música que já sofreu todos os tipos de releitura, e oferecer um enfoque novo, que saísse do lugar comum — lembra Machline. A difícil empreitada de escrever um arranjo para seis pianos de cauda ficou a cargo de Wagner Tiso. Os cinco representantes da música popular começam tocando no fosso, até a intervenção de Martins, que surge no palco representando a música erudita. No fim, todos os pianos dialogam, mostrando a fusão entre popular e o erudito que tanto marcou a obra de Jobim.



— Eu já havia feito um arranjo para seis pianos, só que foi para o Hino Nacional, uma música potente, e que tem um arranjo que já parece pronto — lembra Wagner Tiso. — Já com o Tom você mergulha em algo mais profundo. O Zé (Machline) me incentivou.  O desafio era jogar com a simplicidade e a economia de uma música como “Eu sei que vou te amar”. Também queria aproveitar a qualidade de cada instrumentista, fazer o mais singelo e bonito possível. Agora, o teste final vai ser no ensaio.

Depois de um primeiro encontro na casa de Machline, onde analisaram a partitura, o grupo ensaiará na próxima quarta-feira. Animado com a parceria, João Carlos Coutinho lembra a importância de Jobim para o piano.

— Ele criou uma maneira de tocar piano que se mantém até hoje — diz. — Tem produtor que chega e fala: “Faz aquela onda Tom Jobim”. Com ele, o menos era mais. Sempre achava a nota certa.

A volta, depois de muita dor

Desde 2002, João Carlos Martins já realizou 19 cirurgias para recuperar o movimento de uma das mãos. O pianista está ansioso para voltar aos palcos.

— Depois de tocar a obra de Bach completa, para mim é uma honra tocar Tom Jobim no Municipal depois de uma longa ausência — diz Martins. — E, pelo que vi na partitura, será excelente. O Wagner é aquela pessoa que, como Tom Jobim, consegue fazer da MPB algo maior. Quando você vê um arranjo dele, logo percebe a influência de Villa-Lobos na nossa música. É um outro patamar.

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