domingo, 16 de junho de 2013

A biografia histórica de Norman Mailer sobre o mito Marilyn Monroe é relançada depois de 40 anos

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O diferencial básico do texto clássico do jornalismo americano, "Marilyn", é a decisão de Norman Mailer de se desfazer da imagem fácil do mito para ficar com o mistério da atriz

Depois de 40 anos fora de catálogo, está sendo relançada pela Record Marilyn, biografia histórica de Norman Mailer, um dos mais brilhantes escritores e jornalistas do século passado. No livro, ele vai além dos estereótipos associados à Marilyn Monroe ao revelar muito da personalidade do maior símbolo sexual do século XX. 

“Romance pronto a jogar pelas regras da biografia”, nas palavras do autor, o livro relata a vida amorosa da loura, resgata várias histórias, questiona a versão oficial de sua morte e se empenha em descobrir como Norma Jean, uma garota como tantas, se tornou simplesmente Marilyn Monroe.

Ali, como em outras grandes biografias, junto à vida e à essência de Marilyn, o tema é impossibilidade de captar um ser humano, ainda mais quando seu principal talento é a construção de personalidades e invenção de si mesmo. Talvez, por isso, Mailer preferia sugerir que seu Marilyn, clássico do jornalismo literário americano, escrito em, não era exatamente uma biografia; estava mais próximo de ser “uma espécie de romance”.
Ele explica: “Use um ladrão para pegar um ladrão, e um artista para um artista”. 

Assim, o que ele quer é construir uma possibilidade de Marilyn: é uma biografia em grande parte especulativa, ainda mais por fazer a opção de mergulhar nos aspectos psicológicos da personagem. Assim, a imagem de uma órfã sofrida que a atriz fez de si mesma ao longo de sua carreira, citando a crueldade do seu orfanato e um possível abuso sexual, é descartada. Mailer prefere trabalhar com os conflitos dos desejos e personalidades dela – aqui, é finalmente mais do que uma imagem – que geram esses depoimentos “inventados”.


A essência da obra de Mailer é o procedimento de se desfazer da imagem do mito (uma Marilyn pronta para consumo) para ficar com um mistério. O preço disso é a angústia de não poder solucioná-la, mas uma dúvida é melhor do que falsas certezas e impressões cômodas.

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