quinta-feira, 2 de maio de 2013

Roberto Carlos censura até uma pesquisa acadêmica sobre o movimento cultural dos anos 60

Roberto Carlos: persona non grata para os editores 

O Rei fez uso da “tesoura” mais uma vez. Em 2007, ele já havia proibido a distribuição da biografia “Roberto Carlos em Detalhes”, do historiador Paulo Cesar de Araújo. No fim dos anos 1970, foi censurado “O Rei e Eu”, de seu ex-mordomo Nichollas Mariano


As realezas nacionais adoram polemizar e adicionar arranhões indesejáveis às suas biografias. Pelé levou anos evitando reconhecer uma filha, negando a sua paternidade e angariando a antipatia de parte dos seus súditos. Já Roberto Carlos, - conhecido entre os editores como “Mãos de Tesoura”, - costuma embrenhar-se nos porões da ditadura e censurar qualquer escrito que faça menção ao seu nome. 

Pela terceira vez, o rei da Jovem Guarda foi à Justiça tentar impedir a circulação de um livro no qual é citado, numa atitude que, para muitos, demonstra autoritarismo e desprezo pela liberdade de expressão. Dessa vez, o alvo é uma pesquisa acadêmica sobre o movimento cultural dos anos 1960, do qual ele faz parte. A professora Maíra Zimmermann, catarinense de 31 anos, autora de “Jovem Guarda: Moda, Música e Juventude” (Estação das Letras e Cores), recebeu uma notificação extrajudicial no dia 8 de abril, dando um prazo de dez dias para que fosse retirada das livrarias a parca edição de mil exemplares de sua obra. Advogados dela recorreram e, por enquanto, o livro continua à venda. “Foi um trabalho de cinco anos. Tive todos os cuidados, inclusive com os direitos das imagens que utilizei. Não é um livro de fofoca. O foco é acadêmico” 

Apesar do cunho meramente acadêmico, o cantor arvorou-se a proprietário único do movimento musical Jovem Guarda e vetou a publicação do trabalho da estudante. A cantora Wanderléa, outra representante do movimento musical, teceu rasgados elogios à publicação de Zimmermann, destacando a qualidade, as minúcias e fidedignidade da pesquisa, mas evitou dar qualquer declaração sobre a atitude do censor. 

Euriques Carneiro

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