terça-feira, 21 de maio de 2013

O “brega” já foi sucesso nos tempos da ditadura militar

Waldick Soriano: um dos rotulados como "brega"


Com forte apelo popular e com músicas de letras pobres e rimas fáceis, os artistas rotulados como “brega” conviveram com duras críticas a seus trabalhos mesmo depois de se tornarem celebridades


O sucesso que alcançaram não foi suficiente para evitar que fossem excluídos da historiografia da música brasileira por décadas. Ouvido por muitos e desprezado por outros tantos, o brega voltou recentemente às páginas dos jornais por conta da morte de Waldick Soriano, cantor, compositor e ícone deste movimento. Antes, Waldick já tinha se tornado “cult” graças, principalmente, ao documentário dirigido pela atriz Patricia Pillar, "Waldick Soriano - Sempre no Meu Coração"


Seus representantes são vários. Odair José, Nelson Ned, Agnaldo Timóteo e Paulo Sérgio são apenas alguns dos nomes mais conhecidos da geração de cantores bregas que marcou época durante o regime militar. Ao contrário dos artistas da MPB, eles não tiveram formação universitária e não compunham prioritariamente canções de protesto. O Brasil dos cafonas era outro. Suas músicas falavam quase sempre sobre a rejeição, seja ela amorosa ou social. Por conta disso, foram taxados de alienados e ignorados pelas elites culturais.

No entanto, está em marcha uma retomada do brega e bandas jovens, como Los Hermanos e Mombojó, já regravaram canções de artistas considerados cafonas. Sem dúvida, ao menos no meio acadêmico, um dos responsáveis por tal resgate é o historiador Paulo César de Araújo, autor da biografia censurada sobre Roberto Carlos. Ele escreveu a mais completa análise sobre a música brega e o regime militar, abordando vários aspectos da carreira dos artistas que compunham esse movimentos, suas agruras e as relações com o regime de governo da época.

Dentre os que sofreram com a pecha de porta-vozes da ditadura militar, estão Don e Ravel, por gravarem músicas de caráter ufanista. Eles pareciam mais inconformados. O Agnaldo Timóteo tateava entre a arrogância ao ressentimento: "Eu sei que canto bem pra caramba. Esses críticos não entendem nada". E assim, cada um tem a sua história de vida, como o Odair José que era taxado pejorativamente de “TED” numa alusão infame à sua popularidade entre as empregados domésticas.

Diante das circunstâncias sociais e a origem dos artistas, dá para interpretar como uma rejeição social. Isso os ajudou no sucesso desses artistas. O público que vai ouvi-los também é formado por porteiros, empregadas, garçons e imigrantes nordestinos. São pessoas frequentemente humilhadas e ofendidas no cotidiano brasileiro. Então, sempre vai haver essa identificação enquanto estes artistas estiverem na ativa. Em 2013, como nas décadas de 70 e 80, há um público fidelíssimo para esse segmento musical


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