quinta-feira, 2 de maio de 2013

Exposição em São Paulo homenageia o autor de “O Profeta”, Khalil Gibran


Nos anos 80, o livro “O Profeta” tornou-se cult e, 10 em cada 10 pessoas que queriam mostrar traços de erudição, o tinham como referência e achavam-no fundamental para entender conhecer a alma do povo muçulmano

Gibran Khalil Gibran (1883-1931), nasceu no Líbano, terra então dominada pelo Império Turco Otomano, há milênios conturbada e há milênios preocupada com o fenômeno filosófico e religioso. Com o crescimento do perigo fascista para a região, lá conhecido como “sionismo”, mudou-se para os EUA, ali radicando-se desde o início do século passado e tornando-se uma das principais referências intelectuais para o conhecimento da alma do povo muçulmano, druso, maronita ou cristão ortodoxo em geral, libaneses em particular.

Gibran queria passar a velhice num monastério do século 7 em Bicharré, sua cidade natal localizada há 120 quilômetros de Beirute, mas não deu tempo. Ele morreu aos 48 anos, em Nova York. O local, porém, foi comprado pela irmã dele e seu corpo foi enterrado lá. No ano seguinte, tudo o que havia em sua casa nos EUA foi levado para o monastério, que hoje abriga o Museu Gibran. E é de lá que vem o acervo da exposição em homenagem aos 130 anos do artista, que será aberta nesta quinta (2) para convidados e sexta (3) para o público, no Memorial da América Latina. 

Autor de O Profeta (1923), livro que o projetou no Ocidente e foi parar na cabeceira de celebridades, Gibran será homenageado este ano em diversos países, e o Brasil, que tem a maior comunidade libanesa fora do Líbano, correu para abrir a festa. "Há quase dois anos estamos preparando a exposição. Queríamos que o Brasil tivesse o privilégio de ser o país a dar início às comemorações", conta Lody Brais, presidente da Associação Cultural Brasil-Líbano e coordenadora da programação brasileira.

Até o dia 26 de junho, o público poderá ver 52 pinturas originais, documentos, cartas, edições nos mais diferentes idiomas, objetos pessoais, como seu estojo de pintura, e manuscritos, como o original de Jesus - O Filho do Homem.

Um filme mostrando a relação de personalidades com a obra do libanês também está na programação. "Khalil Gibran foi um grande criador de aforismos e parábolas e influenciou escritores no mundo todo. Paulo Coelho foi um deles. Além disso, John Kennedy e George Bush usavam suas frases em discursos", diz Brais. Ela conta ainda que Elvis Presley e John Lennon eram grandes fãs, e que Johnny Cash chegou a gravar The Eye Of The Prophet, um audiolivro em fita cassete com poemas de Gibran. Algumas dessas frases, propagadas pela internet, terão destaque na exposição.

As comemorações não ficarão restritas à mostra do Memorial. Em 30 de julho, no Centro Cultural Fiesp, a Companhia Teatral Arnesto nos Convidou faz a leitura dramática de Um Profeta em Nova York, peça de Samir Yazbek inspirada na vida e obra de Khalil Gibran. Reproduções de seus quadros estarão espalhadas pelas estações de metrô e de trem de São Paulo a partir de agosto. E haverá imagens dele nos bilhetes de loteria e em carimbo dos Correios.

Toda a iniciativa mira também a nova geração. "Sua obra é atemporal e um alimento para a alma", finaliza Lody Bras.

130 ANOS DE GIBRAN - KHALIL GIBRAN - Memorial da América Latina. Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, 3ª a dom., 9 h/18 h. A entrada é gratuita.


Referência: estadao




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