quarta-feira, 8 de maio de 2013

“Aqui em Nova Iorque...”. Era com essa frase que Paulo Francis abria as suas inserções nos telejornais da TV


Nascido Franz Paul Trannin da Matta Heilborn, Paulo Francis (Rio 10930 – 1997), era jornalista, crítico de teatro e escritor

Figura eminentemente polêmica, era repudiado pela sua postura arrogante que lhe valeu a ira dos colegas críticos de teatro, entre eles, a emblemática Barbara Heliodoro. Já, como romancista, tentou fazer uma crítica geral da sociedade brasileira através dos seus romances Cabeça de Papel (1977) e Cabeça de Negro (1979), mas o seu livro mais lido foi O Afeto de que se encerra (1980).


Logo depois, tornou-se comentarista televisivo da Globo, o que representou uma virada emblemática já que, por diversas vezes, tinha apontado a sua metralhadora verbal para Roberto Marinho, acusando-o de ter provocado o seu banimento do país durante uma de suas prisões, em um artigo d’O Pasquim, intitulado "Um homem chamado porcaria". Celebrizou-se pelas suas aparições histriônicas no ar, onde exagerava na voz arrastada e grave, sua marca registrada, que lhe rendeu inumeráveis imitações.

Hoje, no 21º andar de um prédio na esquina da Rua 47 com a segunda avenida, em Manhattan, há uma biblioteca formada sobretudo por títulos de política e história americanas que, há 16 anos, repousa à espera de um destino no Brasil. Desde a morte de Paulo Francis, quase 5.000 livros seguem praticamente intocados em seu escritório. A viúva, a jornalista Sonia Nolasco, ainda mora no apartamento, mas se limitou a guardar alguns de seus próprios livros nas estantes e retirou outros, que distribuiu entre amigos dele. 

A intenção de Sonia é enviar do material para o país. Seu desejo é que o destinatário seja o Instituto Moreira Salles (IMS), instituição privada que se especializou na compra e na conservação de acervos literários e é o destino dos sonhos de nove entre dez famílias de escritores brasileiros. Embora se fale em "doações", as negociações para cuidar de tais papeladas quase sempre envolvem somas consideráveis.

Enquanto isso não ocorre, a biblioteca de Francis fica a revelar a peculiar educação sentimental de um comentarista de TV que nasceu e se criou sob a lógica da Guerra Fria. Expõe também laços afetivos e certas engrenagens da mente de um dos mais polêmicos jornalistas brasileiros do século 20.

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