sábado, 4 de maio de 2013

A “Bonitinha...” de Nelson Rodrigues ganha nova versão para o cinema


Apesar do bom momento pelo qual atravessa o cinema nacional, os produtores da mais nova versão para as telonas da peça “Bonitinha, mas ordinária” enfrentaram sérias dificuldades para levar o projeto adiante, por absoluta falta de apoio financeiro


Nova adaptação da famosa peça (e filmada três vezes) de Nelson Rodrigues sobre um industrial que oferece dinheiro a um de seus empregados para que ele se case com sua filha de 17 anos, vítima de uma curra. Pelo “serviço”, ele receberia o valor de R$ 5 milhões. O rapaz, indeciso entre o enriquecimento fácil e a fidelidade aos seus sentimentos por uma jovem de sua classe social, a qual será envolvida pelo mundo inescrupuloso dos ricaços, desmascara a ingenuidade da menina oferecida.

O produtor Diler Trindade levou quatro anos para finalizar o projeto do filme, que é mais uma adaptação para o cinema, da peça homônima de Nelson Rodrigues, desnudando a dificuldade para se fazer cultura neste país. Por falta de patrocínio, ele chegou a tomar dinheiro emprestado, endividando-se além da conta. Mostrando a inocuidade das leis de incentivo quanto o tema é mais polêmico, ele afirmou: “As diretorias de marketing das empresas não queriam nem ouvir falar em associar suas marcas ao universo algo mundano e pouco convencional de Nelson Rodrigues”.

O diretor Moacyr Goes fez Bonitinha... atraído pela crise de valores na sociedade brasileira que a peça expressa. Se isso já era forte quando Nelson escreveu seu texto, tem tudo a ver com o Brasil de hoje - a necessidade de construção da ética. Na trama, Edgar (João Miguel) fica em dúvida entre partir para um casamento forçado aliado a conveniência da grana e os valores pessoais. "Baixa a cabeça", lhe diz a mãe, enquanto lava seu cabelo. O conselho, que soa como uma ordem, é para que Edgar deixe de ser o homem ereto que gostaria de ser - inspirado no pai -, submetendo-se ao poder do dinheiro.

Essa pode não ser a versão mais cara do “Bonitinha...” para o cinema, mas certamente é a que promete as melhores interpretações e uma carga dramática diferenciada. É esperar o lançamento nos cinemas e conferir.

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