sexta-feira, 31 de maio de 2013

Venda de quadro de Portinari por US$ 1,4 milhão estabelece novo recorde para o pintor brasileiro


Nem de só de Picasso, Miró, Cézanne ou Goya vive o mercado artístico mundial. Em recente leilão da Christie's, a arte latino-americana obteve grande sucesso com vendas suplantando todas as expectativas
Como termômetro do atual momento, uma lúdica pintura de crianças soltando pipas de Cândido Portinari foi vendida por 1,4 milhão de dólares em leilão de arte latino-americana da Christie's, estabelecendo assim um novo recorde para o artista brasileiro.
O quadro "Meninos Soltando Pipas", de 1941, foi o mais caro vendido no leilão da noite de quarta-feira, que totalizou 16 milhões de dólares e estabeleceu novos padrões de referência para outros artistas latino-americanos. "A força do mercado brasileiro reinou suprema", disse Virgilio Garza, chefe de arte latino-americana da Christie's. 

Cândido Portinari, falecido em 1962, deixou um vasto cabedal artístico, aí incluídos murais monumentais para os a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos e a sede da ONU em Nova York que marca profundamente o traço da sua arte.

Outros destaque da arte sul-americana

A estátua de bronze "Dancers", feita no ano 2000 pelo colombiano Fernando Botero, e que levantou 1,14 milhão de dólares, foi outra grande venda. O trabalho, revestido em pátina marrom, mostra um musculoso homem nu e uma mulher, com a mão esquerda em seu ombro direito.

"Mujeres con Frutas", do mexicano Alfredo Ramos Martínez, um retrato de duas jovens mulheres indígenas mexicanas, foi vendido por 1,07 milhões dólares.

Ramos Martínez criou a peça pouco depois de se mudar para Los Angeles no final dos anos 1920 para obter cuidados médicos especializados para sua filha. Celebridades de Hollywood da época colecionaram seu trabalho.

Especialistas em arte tinha grandes expectativas antes das vendas de arte latino-americana em meio a um mercado flutuante, provocadas por uma venda recorde de arte contemporânea no início deste mês. A venda de arte contemporânea da Christie's arrematou 495 milhões de dólares - a mais alta cifra de qualquer leilão de arte na história.

Durante o leilão de quarta-feira, recordes foram estabelecidos para a peruana Tilsa Tsuchiya com os 339,75 mil dólares na venda de seu óleo sobre tela de 1974 "Mujer Volando", e para o venezuelano Francisco Narváez, cuja escultura em madeira de ébano sem título de uma mulher ajoelhada alcançou 267,75 mil dólares.

O artista brasileiro Milton Dacosta também atingiu um recorde em leilão com os 171,5 mil dólares na venda de "Figura", um óleo sobre tela de 1954, ​​e "Vista al Pasado", da mexicana surrealista Remedios Varos, um grafite e pigmento sobre papel de 1957, foi vendido por 291,75 mil dólares, recorde para seu trabalho sobre papel.

Outros destaques incluíram três obras do artista brasileiro Alfredo Volpi, incluindo "Fachada (n. 1331)", que foi vendida por 783,75 mil dólares, "Bandeirinhas Horizontais com mastro (No. 1330)", que alcançou 651,75 mil dólares e "Bandeirinhas com mastro. (No. 2133), arrematada por 507,75 mil dólares.


Aos 90 anos, a crítica de teatro Bárbara Heliodora continua sendo o terror de atores e diretores




Bárbara não poupa ninguém: “Porque você não pode imaginar como é cansativo ver um número imenso de espetáculos ruins, como acontece com o crítico que tenta ficar o mais possível em dia com o que está acontecendo na sua cidade” 

O nome de Barbara Heliodora já é suficiente para fazer tremer artistas e diretores de teatro em todo o Brasil. Reconhecida pela total sinceridade com que dá suas opiniões sobre as peças que assiste (o que pode ocasionar resenhas altamente negativas e ácidas), seus ensaios e opiniões são esperados com ansiedade por quem faz os espetáculos.


Quase unanimidade, jura que não se considera uma crítica em nível internacional e conversa com interlocutores como se fosse apenas uma especialista no teatro local do Rio de Janeiro. O meio artístico, porém, sabe da verdadeira importância desta crítica de 90 anos, que quase foi atriz e já dirigiu peças memoráveis no cenário nacional, além de ser considerada uma das maiores experts de Shakespeare no Brasil.


Heliodora Carneiro de Mendonça (Rio de Janeiro RJ 1923) é crítica, ensaísta, professora e tradutora. Extremamente atenta ao que acontece no universo artístico carioca, acompanha a atividade teatral desde os anos 60 e, desde aquela época, acumula desafetos no mundo teatral, o principal deles o diretor Gerald Thomas.

O período em que Bárbara afastou-se da crítica, foi para assumir, de 1964 a 1967, a direção do Serviço Nacional de Teatro, SNT. A seguir dedicou-se basicamente ao ensino. Lecionou história de teatro no Conservatório Nacional de Teatro e, posteriormente, foi professora titular da mesma disciplina no Centro de Letras e Artes da Uni-Rio, do qual foi decana até a sua aposentadoria, em 1985. Ministrou cursos de pós-graduação na Universidade de São Paulo, USP, onde defendeu, em 1975, tese de doutorado intitulada A Expressão Dramática do Homem Político em Shakespeare, posteriormente transformada em livro.

Outra atividade de destaque exercida por Bárbara foi a tradução, figurando entre os seus trabalhos nesse campo muitas peças de William Shakespeare, tais como A Comédia dos Erros, Sonho de uma Noite de Verão, O Mercador de Veneza, Noite de Reis, Romeu e Julieta, César e Cleópatra, Rei Lear, entre outras; O Cerejal e A Gaivota, de Anton Tcheckov, Bodas de Fígaro, de Beaumarchais, Testemunha de Acusação e outras peças, de Agatha Christie; e os livros de teoria teatral O Teatro do Absurdo, A Anatomia do Drama, Brecht: dos males o menor, todos de Martin Esslin; Método ou Loucura, de Robert Lewis; e mais outro estudo sobre seu tema mais assíduo, Shakespeare, de Germaine Greer.

A pesquisadora Maria Inês Barros de Almeida traça o perfil do paradoxo que a crítica e teórica provoca no panorama teatral: "Barbara Heliodora é a crítica mais influente do teatro brasileiro. À sua opinião, rigorosa e durona, atribuem o poder de fazer e desfazer espetáculos. Pela gente de teatro é discutida, temida - já foi alvo de confrontos e desafios de diretores inconformados. A sua fama como colunista de jornal, portanto, ultrapassa outro aspecto da sua vida cultural, a que se dedica com igual intensidade. Estou me referindo à comunicação direta com o público, em salas de aula, em ensaios de textos dramáticos, em conferências, enfim, na constância com que dissemina cultura, convivendo com grande número de pessoas e atendendo-lhes à curiosidade e ao desejo de saber. É aí que aparece a Barbara mestra, madrinha dadivosa, flexível, exuberante, que conquista os espíritos e as mentes e, pelo prazer didático repartido, comunga com as plateias. Neste papel, tenho observado, Barbara Heliodora conquista a todos que a conhecem. É uma unanimidade".

Desafetos e contestadores do seu trabalho, acusam-na de ser uma “atriz frustrada”. Quando indagada sobre esta questão ela respondeu: Eu nunca tive uma carreira de atriz. Fiz dois ou três espetáculos no Tablado, onde aprendi muito, com Maria Clara, a respeito do processo do ensaio. Aliás, de repente me lembrei que posso literalmente provar que não queria ser atriz: Quando a CTCA (Companhia Tonia-Celi-Autran) estava fazendo um teatro de segundas-feiras, Celi me convidou para o elenco de “Conversação Sinfonieta” e eu recusei, explicando a ele que não queria ser atriz. Há anos que eu tinha esquecido disso; que bom que assim posso provar minha afirmação!


quinta-feira, 30 de maio de 2013

“Tribalistas” voltam à ribalta com música de apoio ao casamento entre pessoas do mesmo sexo


Os fãs dos Tribalistas já podem comemorar, pois o trio composto por Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte está de volta e, para comemorar o retorno em grande estilo, lançam música nova


Na manhã da última quarta-feira (29) às 10h, a nova música de trabalhodos Tribalistas intitulada “Joga arroz” foi lançada em ambiente virtual. A página inédita já está disponível para download. A faixa foi gravada como instrumento de apoio à campanha da aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

A música dos Tribalistas será disponibilizada no site da campanha Casamento Civil Igualitário, que foi idealizada pelo deputado federal Jean Wyllys (PSol-RJ), e também nas páginas oficiais de cada um dos artistas integrantes do Tribalistas. No website de Marisa Monte, o Soundcloud, a canção foi postada com a seguinte frase: "Para sensibilizar os deputados, senadores e a sociedade brasileira em nome da liberdade de amar".

Tribalistas

Em meados de 2002, eles revolucionaram a forma como a MPB era feita, alcançando enorme sucesso. Agora, quase 8 anos depois, os Tribalistas voltaram a compor e pretendem reeditar o sucesso de uma década atrás. A primeira indicação de que o grupo voltaria a se reunir foi dada por Marisa Monte, durante recente entrevista no Rio de Janeiro.

Vejam a letra da música “Joga arroz”:

Joga arroz
(Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte)

O seu juiz já falou
Que o coração não tem lei
Pode chegar
Pra celebrar
O casamento gay

Joga arroz
Joga arroz
Joga arroz

Em nós dois
Quem vai pegar o buquê
Quem vai pegar o buquê

Maria com Antonieta
Sansão com Bartolomeu
Dalila com Julieta
Alexandre com Romeu

Joga arroz
Joga arroz
Joga arroz

Em nós duas em nós todos
Em nós dois

Exposição denominada “Ave Aves” está em cartaz desde 23.05, no Aeroporto Internacional de Salvador


O Aeroporto Internacional de Salvador tem uma atração especial para passageiros e visitantes: a exposição do artista baiano Chico Liberato, que encanta passageiros e visitantes com a profusão de cores dos seus imensos painéis


Desde 23 de maio, no Aeroporto Internacional Deputado Luís Eduardo Magalhães, em Salvador, Chico Liberato, um dos artistas baianos mais conhecidos nacionalmente, apresenta sua exposição denominada Ave Aves, composta de painéis em grandes dimensões. Eles ocupam a área de acesso ao aeroporto, interagindo com a concepção arquitetônica do local, transformando-o em espaço expositivo, ao tempo em que desperta a atenção dos visitantes para os temas ecológicos e culturais do Brasil.


Os painéis ressaltam a beleza e as cores das aves genuinamente brasileiras, tão presentes na cultura indígena, uma das fontes de referência na obra do artista. “Não é uma exposição de quadros, é uma instalação”, define a produtora CândidaLuz Liberato, filha do artista à frente da iniciativa, viabilizada com patrocínio privado e do Governo da Bahia, através do Fazcultura, Secretaria da Cultura e Secretaria da Fazenda do Estado.
CândidaLuz ressalta que a escolha do local, em princípio, confere à exposição um objetivo mais abrangente, pois extrapola o espaço usual de exposição de arte que são museus e galerias. “A temática e a beleza das obras, contudo, têm um caráter universal. E, como toda expressão que valoriza a identidade cultural, pode ser apreciada por gente de todos os lugares, nativos e estrangeiros”, diz ela, que começou a projetar a exposição há cerca de cinco anos. 

Durante esse período, CândidaLuz e Chico Liberato lidaram com questões ligadas ao próprio perfil do projeto e os trâmites para a liberação da instalação das obras. “Não queríamos uma coisa gratuita, mas algo que se integrasse e aproveitasse o potencial desse espaço”, diz a produtora. Tanto que a exposição, de fato, divide-se em duas partes, sendo que esta primeira chama-se “Ave Aves”. Ela compreende seis painéis com duas faces, com 5 x 3,2 metros. A serem afixados no vão de acesso de veículos à área de embarque, contendo o olhar do artista sobre pássaros da fauna brasileira em diálogo com elementos, cores, figuras e signos da cultura popular – um traço marcante no trabalho de Chico Liberato.

Futuro e trajetória - A segunda parte da exposição, que deve abrir em breve, traz dois objetos tridimensionais, denominados “Nichos de Aves”, com tamanho aproximado de dois metros. Em princípio, eles deveriam ficar sob a claraboia do aeroporto, mas a futura reforma do local inviabilizou a instalação. “Outro local está sendo pensado, mas com o mesmo cuidado, para não ferir a concepção do projeto nem a integração obra-espaço”, adianta CândidaLuz.


O critério não é à toa. O baiano Chico Liberato é um dos artistas mais reconhecidos do estado, pelo seu trabalho como pintor, escultor, desenhista, artista multimídia e cineasta. Um dos pioneiros do cinema de animação no Brasil, ele é autor do famoso e internacionalmente premiado Boi Aruá (1983), primeiro longa de animação da Bahia.


Sua filmografia destaca a cultura popular e as figuras míticas da cultura e imaginário do sertão. Entre seus filmes, estão Caipora (1974), Muçagambira (1982),Caranaval (1985), Um Outro (2008) e Ritos de Passagem (2012), segundo longa em animação. Como artista plástico, já expôs em diversos estados brasileiros e em Paris, num trabalho ligado à valorização das expressões populares do país. Seus projetos atualmente são desenvolvidos pela Liberato Produções Culturais, comandada pela sua filha CândidaLuz.


quarta-feira, 29 de maio de 2013

“Mesmo sem querer fala em verso, quem fala a partir da emoção” (João Cabral de Melo Neto)




Fui apresentado ao universo literário de João Cabral de Melo Neto, na segunda metade da década de 70, quando assisti na TV, a minissérie “Morte e Vida Severina”, adaptada da obra do poeta pernambucano


Fã de Elba Ramalho, - que acabava de despontar no cenário musical com o ótimo disco “Ave de Prata”, - acompanhei embevecido as atuações da própria cantora paraibana e mais as de Tania Alves, Sebastião Vasconcelos e daquele que, para mim, encarna a alma do Nordestino puro e autêntico, o excelente ator José Dumond.


Os conterrâneos de Luiz Gonzaga, ficam em cima do muro quando perguntados qual o maior poeta pernambucano de todos os tempos. Alguns citam Manuel Bandeira, outros falam de Ariano Suassuna, (esquecendo que este é natural da Paraíba) e outros mais, elegem João Cabral de Melo Neto.

Como tantos outros contemporâneos, João Cabral de Melo Neto, ilho de Luís Antônio Cabral de Melo e de Carmen Carneiro Leão Cabral de Melo, viveu parte da infância em engenhos da família nos municípios de São Lourenço da Mata e de Moreno. Aos dez anos, com a família de regresso ao Recife, ingressou no Colégio d’Uchoa, dos Irmãos Maristas, onde ficou até concluir o curso secundário. Em 1938 frequentou o Café Lafayette, ponto de encontro de intelectuais que residiam no Recife.

Dois anos depois a família transferiu-se para o Rio de Janeiro mas a mudança definitiva só foi realizada em fins de 1942, ano em que publicara o seu primeiro livro de poemas - "Pedra do Sono".

No Rio, depois de ter sido funcionário do DASP, inscreveu-se, em 1945, no concurso para a carreira de diplomata. Daí por diante, já enquadrado no Itamarati, inicia uma larga peregrinação por diversos países, incluindo, até mesmo, a República africana do Senegal. Em 1984 é designado para o posto de cônsul-geral na cidade do Porto (Portugal). Em 1987 volta a residir no Rio de Janeiro. Essa longa vivência no exterior, lhe deu uma visão sistêmica da cultura e dos costumes de vários países, aí incluídos países aristocráticos e outros, integrantes do continente africano.

A atividade literária acompanhou-o durante todos esses anos no exterior e no Brasil, o que lhe valeu ser contemplado com numerosos prêmios, entre os quais - Prêmio José de Anchieta, de poesia, do IV Centenário de São Paulo (1954); Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras (1955); Prêmio de Poesia do Instituto Nacional do Livro; Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro; Prêmio Bienal Nestlé, pelo conjunto da Obra e Prêmio da União Brasileira de Escritores, pelo livro "Crime na Calle Relator" (1988).

Em 1990 João Cabral de Melo Neto é aposentado no posto de Embaixador. A Editora Nova Aguilar, do Rio de Janeiro, publica, no ano de 1994, sua "Obra completa". A um importante trabalho de pesquisa histórico-documental, editado pelo Ministério das Relações Exteriores, deu João Cabral o título de "O Brasil no arquivo das Índias de Sevilha". Com as comemorações programadas neste final do século, relacionadas com os feitos dos navegadores espanhóis e portugueses nos anos que antecederam ou se seguiram ao descobrimento da América, e, em particular ao do Brasil, a pesquisa de João Cabral assumiu valor inestimável para os historiadores dos feitos marítimos, praticados naquela época.

Da obra poética de João Cabral pode-se mencionar, ao acaso, pela sua variedade, os seguintes títulos: "Pedra do sono", 1942; "O engenheiro", 1945; "O cão sem plumas", 1950; "O rio", 1954; "Quaderna", 1960; "Poemas escolhidos", 1963; "A educação pela pedra", 1966; "Morte e vida severina e outros poemas em voz alta", 1966; "Museu de tudo", 1975; "A escola das facas", 1980; "Agreste", 1985; "Auto do frade", 1986; "Crime na Calle Relator", 1987; "Sevilla andando", 1989.

Em prosa, além do livro de pesquisa histórica já citado, João Cabral publicou "Juan Miró", 1952 e "Considerações sobre o poeta dormindo", 1941.

Os "Cadernos de Literatura Brasileira", notável publicação editada pelo Instituto Moreira Salles - dedicou seu Número I - março de 1996, ao poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto, com selecionada colaboração de escritores brasileiros, portugueses e espanhóis e abundante material iconográfico. 

Euriques Carneiro

Filme premiado em Cannes aborda relação entre duas adolescentes e acende a discussão sobre o tema


Filme francês põe em discussão decisões e escolhas, justamente no momento em que a nossa sociedade, em termos globais, discute a união entre pessoas do mesmo sexo

O histórico dos filmes com sexo explícito, tem o ponto de partida em "O Império dos Sentidos", de Nagisa Oshima, que pela primeira vez mostrou uma relação sexual na sua plenitude, tendo os atores Eiko Matsuda e Tatsuya Fuji como protagonistas. Estabelecido o escândalo, com o filme sendo retalhado e proibido em diversos países (o Brasil só o liberou integralmente em 1982), gradualmente foi estabelecido como obra de arte sob o tema do amor obsessivo. Hoje ninguém duvida que "O Império dos Sentidos" se trata de um filme de arte. 


Quando "O Império dos Sentidos" surgiu em 1976, no Festival de Cannes (diz a lenda que foram necessárias 13 sessões para atender a exigência do público em assisti-lo), parte dos expectadores ficou meio que escandalizada, afinal tratava-se de algo inédito no cinema. Pontuando a realidade daquela era, no início da década de 70, o filme “Emanuele tropical”, mostrou cenas de uma mulher com seios totalmente à mostra, fazendo a festa dos adolescentes e marcando uma revolução para a época.

Era a realidade da existência na tela, literal, com as suas nuances - existenciais, morais, filosóficas. Um marco. Essa percepção da realidade cotidiana na tela pode ser percebida na publicação, "Cinema I - Imagem Movimento", de Gilles Deleuze: expressão. Para Deleuze, o Cinema não reconstitui, nem retrata, nem copia a realidade: o cinema a expressa. E o seu maior elemento no processo de criação é a montagem.

“A Vida de Adèle”

O que chama a atenção em "A Vida de Adèle" é a contemporaneidade, já que o filme trata de duas garotas adolescentes que fazem as suas descobertas, decisões e escolhas, justamente no momento em que a nossa sociedade, em termos globais, discute a união entre pessoas do mesmo sexo. Como elemento a discutir, estão duas adolescentes, uma delas de 15 anos em cenas de sexo explícito e com a suspeita de tudo foi real e não encenação.

Seria esse o último tabu quebrado pelo cinema? Só o tempo, - este inexorável senhor da razão, - poderá esclarecer. E preparemo-nos para uma provável confusão a ser armada pelos contrários à liberdade dos corpos, os quais certamente se colocarão contra a exibição de "A Vida de Adèle". Talvez não haja muita resistência, pois o mundo mudou muito desde que as mulheres, a partir dos anos 60 marcharam em defesa do direito aos seus próprios corpos, mas ainda existe ilhas de preservação dos “bons costumes” que se arvoram contra a realidade de um mundo novo. Esse mundo é melhor ou pior que o anterior? Depende do prisma sob o qual ele vai encarado e, mais uma vez, aguardamos o nosso amigo tempo; ele sim mostrará a realidade.




terça-feira, 28 de maio de 2013

A Região Norte do Brasil e a sua vasta e saborosa culinária

Pato ao tucupi: destaque maior da culinário do Norte
Qualquer referência à culinária do Norte do Brasil leva automaticamente ao “tacacá”, “pato ao tucupi” ou às diversas maneiras de se consumir açaí, mas a variedade gastronômica daquela região do país vai muito além destes itens
Até pela variedade existente na região, o principal ingrediente dos pratos é o pescado, servido de diversas formas, mas em especial na forma de caldeiradas. A variedade de peixes é imensa, mas dentre elas, destaca-se o pirarucu e o tucunaré. Fortemente influenciada pela cultura indígena, a culinária do Norte inclui ainda variadas espécies como jacarés, aves e animais silvestres, com destaque para a carne de paca.

Especificamente no Pará, são itens obrigatórios de degustação a pescada paraense, o pato ao tucupi e o tacacá. Como acompanhamento, (olha a cultura indígena presente outra vez), a preferência é pelo pirão.

Após a refeição principal, não podem ficar de fora as frutas típicas, e os sorvetes de açaí, cupuaçu, manga, taperebá, graviola e murici, oferecidos também na forma de compotas e doces.
Tacacá: à base de camarão

Principais pratos da culinária do Norte:


Pirarucu
Uma das várias formas de servir o tucunaré

O pirarucu (Arapaima gigas) é um peixe que é encontrado geralmente na bacia Amazônica, mais especificamente nas áreas de várzea, onde as águas são mais calmas. Costuma viver em lagos e rios de águas claras e ligeiramente alcalinas com temperaturas que variam de 24° a 37°C, não sendo encontrado em zona de fortes correntezas e águas ricas em sedimentos.

Este peixe é um dos maiores de água doce do mundo, e conhecido também como o bacalhau da Amazônia. Ameaçado de extinção, é uma espécie protegida ambientalmente falando, mas pode ser comercializado por criados autorizados.


Tucunaré

Os tucunarés são peixes de médio porte com comprimentos entre 30 centímetros e 1 metro. Todos apresentam como característica um ocelo redondo no pedúnculo caudal. É uma das espécies mais consumidas de todo a região, sendo utilizado de várias formas: ao coco, frito ou assado na palha de banana.

Os tucunarés são sedentários e vivem em lagos, lagoas, rios e estuários, preferindo zonas de águas lentas ou paradas. Na época de reprodução formam casais que partilham a responsabilidade de proteger o ninho, ovos e juvenis. São peixes diurnos que se alimentam de qual quer coisa pequena que se movimenta e outros peixes e até pequenos crustáceos.

Pirão

Pirão é um prato tradicional das culinárias do Brasil e de Angola feito à base de farinha de mandioca e item obrigatório para acompanhar os pratos à base de peixes. É um prato originado da culinária dos indígenas brasileiros. A farinha de mandioca não serve para o preparo de pão assado, a não ser quando misturada com a farinha de trigo. De forma pura, a farinha de mandioca é utilizada em pratos como: farofa, beijus, sopas, mingaus e pirões.

O pirão é uma papa de farinha de mandioca feita quando se mistura esta com água ou caldo quente. No Brasil o pirão pode ser preparado com diferentes tipos de caldos. O pirão mais comum é feito com a mistura da farinha de mandioca com a água em que foram cozidos peixes, formando uma papa viscosa que é comida como acompanhamento do prato principal.

Pato no Tucupi

O pato no tucupi é um prato brasileiro típico da culinária paraense. É elaborado com tucupi, líquido amarelo retirado da mandioca brava, e com jambu, verdura típica do estado, que possui propriedade anestésica, causando uma leve sensação de tremor na língua.

O tucupi e o jambu também estão presentes em outra iguaria paraense à base de camarão chamada tacacá, muito preparado no período do Círio de Nazaré.

Pode ser acompanhado por arroz branco ou farinha-d'água de mandioca.


Tacacá

Tacacá é uma iguaria da região amazônica brasileira, em particular do Acre, Pará, Amazonas, Rondônia e Amapá. É preparado com um caldo fino de cor amarelada chamado tucupi, sobre o qual se coloca goma, camarão e jambu. Serve-se muito quente, temperado com sal e pimenta, em cuias. O tucupi e a tapioca (da qual se prepara a goma), são resultados da massa ralada da mandioca que, depois de prensada, resulta num líquido leitoso-amarelado. Após deixá-lo em repouso, a tapioca fica depositada no fundo do recipiente e o tucupi, na sua parte superior.

Sua origem é indígena e, segundo Câmara Cascudo, deriva de um tipo de sopa indígena denominada mani poi. Câmara Cascudo diz que “Esse mani poí fez nascer os atuais tacacá, com caldo de peixe ou carne, alho, pimenta, sal, às vezes camarões secos.”.


Sorvete 

Gelado (português europeu) ou Sorvete (português brasileiro), termo este também utilizado em Moçambique, é um tipo de guloseima doce e gelada que é tipicamente preparada a partir de derivados do leite. Pode possuir diversos sabores, tais como de frutas, chocolate ou caramelo. A mistura é arrefecida enquanto agitada, para evitar a formação de cristais de gelo.

O gelado representa, de uma forma geral, todas as formas de doces gelados, sendo comumente utilizado como sobremesa. No entanto, os especialistas em culinária e os governos de alguns países distinguem vários tipos de gelado de acordo com as peculiaridades das diferentes formas de fabricação e ingredientes: o sorbet, de origem turca (Sherbat), assim como o gelato, de origem italiana, são alguns exemplos.

Na região Norte os sorvetes que se destacam mais são os de açaí, cupuaçu, manga, taperebá, graviola e murici. Quer saber mais? O melhor mesmo é visitar esta belíssima região do Brasil e descobrir seus sabores, seus mistérios e desfrutar da hospitalidade de um povo que adora receber visitantes. Boa viagem!

Chega em novembro, filme baseado na autobiografia de Nelson Mandela




O segundo homem mais respeitado do mundo é o tenista suíço Roger Federer, mas quem encabeça a lista é Nelson Mandela. Um ícone da luta contra o racismo, o ex-presidente da África do Sul começou a escrever sua biografia em 1974, enquanto cumpria pena que durou 27 anos em Roben Island


O filme autobiográfico de Nelson Mandela, "Longo caminho para a liberdade", chega às telonas em novembro. O anúncio foi feito na última segunda-feira (27/5) pelos produtores do filme na África do Sul.


A cinebiografia vai mostrar as memórias do grande líder sul-africano, da infância à liderança política, passando pelas lutas, pela prisão e pela libertação que o conduziram à presidência do país, feito inédito para um negro na África do Sul, país marcado pelo apartheid.

Mandela começou a escrever sua biografia em 1974 enquanto estava preso em Robben Island. O término só ocorreu após sua libertação, em 1990. Ele ficou 27 anos preso. Sua história de combate confunde-se com a com a do país, sendo impossível falar da África do Sul, sem fazer uma ligação com Mandela.

É o ator britânico Idris Elba que terá a delicada missão de dar vida nas telonas a Nelson Mandela, uma das personalidades mais respeitadas do mundo. "Estamos honrados com a autorização de Madiba (apelido de Mandela na África do Sul), para levar sua fascinante história de vida ao cinema", disse o produtor do filme, Anant Singh.

O produtor contou ter ficado muito feliz quando Mandela olhou certas imagens de Elba e perguntou: "o que eu estou fazendo ali?". "Este reconhecimento e esta afirmação de Madiba é muito importante, e faz pensar que valeu a pena querer levar o projeto adiante", explicou Singh. "Longo caminho para a liberdade" foi publicado em 1994 e traduzido em diversos idiomas. Singh comprou os direitos para fazer o filme em 1996.

O livro narra como os anos de clandestinidade, de luta armada e prisão de Mandela se confundem com o combate pela liberdade na África do Sul, minada por 40 anos de apartheid. O filme contou com a participação de um grande elenco sul-africano e foi filmado em diversos locais do Cabo oriental, província natal de Mandela. Além disso, o longa teve locações em Joanesburgo e Capetown.

De acordo com os produtores, a cinebiografia é o único filme que teve a autorização de Mandela e da Fundação Nelson Mandela, centro que trabalha em prol da luta do ex-presidente. Mesmo assim, o percurso de Mandela já foi tema de diversos filmes e documentários. Nelson Mandela, que não faz aparições públicas desde a final da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, está completamente fora da cena política. Neste ano ele foi hospitalizado diversas vezes em decorrência de complicações respiratórias.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Tunísia confirma favoritismo e leva Palma de Ouro com ‘A Vida de Adèle’

Premiação em Cannes

Confirmando as expectativas, o filme francês ‘La Vie d’Adèle’ (A Vida de Adèle), de Abdellatif Kechiche, foi o ganhador da Palma de Ouro em Cannes neste domingo

A premiação de melhor atriz foi para a franco-argentina Bérénice Bejo por "Le Passé" (O Passado), de Asghar Farhadi. O americano Bruce Dern, 76 anos, foi o melhor ator pela atuação no filme “Nebraska”, de Alexander Payne.

Apesar de ser advindo de uma país sem qualquer tradição na produção cinematográfica, não era novidade para ninguém, mas a plateia do Palácio dos Festivais quase foi abaixo quando Steven Spielberg, presidente do júri, anunciou o prêmio para o diretor e as duas protagonistas. Kechiche então subiu ao palco acompanhado por Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux. Entre os agradecimentos, Kechiche, de origem tunisiana, fez uma menção especial em homenagem aos manifestantes pró-democracia da Primavera Árabe na Tunísia.

As duas atrizes, muito emocionadas, agradeceram em seguida. É o primeiro papel principal de Adèle Exarchopoulos, 19 anos. Ela vive a personagem de mesmo nome, mas de 15 anos, em plena ebulição adolescente. O amor e o desejo chegam juntos com uma jovem de cabelos azuis, estudante de artes plásticas. O filme é baseado em uma história em quadrinhos “Le Bleu est une Couleur Chaude” (O Azul é uma cor quente), de Lucie Muroh.

Apesar das expectativas de que o prêmio de melhor atriz fosse para Adèle Exarchopoulos, a escolhida foi Bérénice Bejo. Em “Le Passé” (O Passado), um casal não se vê há quatro anos. A mulher espera o homem, que vem do Irã. Eles vão assinar o divórcio e a partir dessa situação banal, vários dramas e segredos vão explodindo como bombas de efeito retardado. Asghar Farhadi foi o vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro por “A Separação” que também tratava da ruptura de um casamento. O filme teve público de um milhão de pessoas só na França.

Bruce Dern, 76 anos, foi recompensado por seu trabalho em "Nebraska", um road-movie. Ele faz um idoso e alcoólatra que convence o filho a cruzar mil quilômetros na América profunda para buscar um prêmio de aposta. Para o filho, trata-se de um golpe contra o pai.

O filme "Soshite Chichi ni Naru" (Tal Pai, Tal Filho, em tradução do título em francês) de Hirokazu Kore-Eda recebeu o Grande Prêmio do Júri. Kore-Eda é um especialista em emoções contidas. No caso, duas famílias se confrontam com a descoberta de um terrível drama, a de que os filhos, de seis anos, foram trocados na maternidade.

Os outros prêmios em Cannes :
Grand Prix de Cannes: Llewyn Davis, de Ethan e Joan Coen.
Melhor direção : Amat Escalante (México), por ‘Heli’.
Melhor roteiro : Jia Zhangke (China), por ‘A Touch of Sin’
Melhor curta : ‘Safe’, de Byoung-gon Moon (Coreia do Sul)

"Meninos Soltando Pipas" será destaque brasileiro em leilão de arte latino-americana

Portinari: destaque brasileiro em leilão de NY
Cândido Portinari, um dos maiores nomes da pintura brasileira é o autor de "Meninos Soltando Pipas" (óleo sobre tela, 1941), que deve ser a obra brasileira mais valorizada dos leilões, com um valor estimado pela casa Christie's em 1,2 milhão de dólares

O aquecimento do mercado de arte e o interesse dos compradores asiáticos devem contribuir para bons resultados em dois leilões de arte latino-americana, nesta semana, em Nova York. O quadro de Portinari é parte de uma fase na carreira do pintor paulista marcada por referências às brincadeiras infantis, segundo a Christie's.

Entre os demais destaques nas vendas da Christie's e Sotheby's estão uma escultura de bronze de um casal dançando, do colombiano Fernando Botero, e telas do mexicano Alfredo Ramos Martínez e do chileno Roberto Matta. O mercado artístico está estimulado pelo sucesso de recentes leilões de arte impressionista e contemporânea. Uma sessão da Christie's em 15 de maio angariou 495 milhões de dólares, maior valor já registrado em um leilão de arte.

"Obviamente, a venda de arte contemporânea foi histórica", disse Virgilio Garza, diretor de arte latino-americana da Christie's. "Então esperamos continuar com esse nível de energia que o mercado está."

A Christie's estima que seu leilão de quarta e quinta-feira chegará de 24 a 34 milhões de dólares. O recorde anterior para um leilão de arte latino-americana é de 33,7 milhões de dólares, estabelecido em maio de 2008, meses antes do colapso do mercado financeiro global. Já a Sotheby's espera conseguir 20,7 a 28,7 milhões de dólares no seu leilão de arte latino-americana na terça e quarta-feira.


Unicamp se destaca como uma ilha de excelência em um mar de ineficiência



A Universidade de Campinas - Unicamp, tem números dignos de fazê-la figurar entre as melhores universidades do mundo. Quase metade dos cursos da Unicamp apresenta nível de excelência internacional, segundo a última avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes)


Para se ter uma ideia, enquanto o conjunto de programas de pós-graduação no Brasil está concentrado entre os conceitos 3 a 5, com ênfase em torno do conceito 4, na Unicamp existe um claro predomínio do conjunto de cursos com conceitos 5, 6 e 7, que perfazem 82% dos programas.

DESTAQUE NA PÓS-GRADUAÇÃO - Além de manter a liderança nacional em relação à qualidade, a pós-graduação da Unicamp também vem expandindo as atividades nesse segmento. Entre 2009 e 2012, foram iniciados cursos de mestrado e doutorado em 11 dos 71 programas vigentes, envolvendo oito unidades. O conhecimento gerado pela pós-graduação da Unicamp tem sido difundido para além dos limites da instituição por intermédio da divulgação das dissertações e teses produzidas.

Uma das estratégias adotadas nesse sentido é a disponibilização dos trabalhos acadêmicos pela internet, o que permite o acesso a um sem-número de interessados. Ao final do ano de 2012, o número de teses e dissertações chegou a 38.695, o que corresponde ao total de teses e dissertações produzidas pela Universidade desde o início dos programas de pós-graduação. Esta produção já foi acessada cerca de 31.282.860 vezes e apresentou, até o final de 2012, um total de 6.198.201 downloads.
Atestando a universalização da Unicamp, salta aos olhos a ampliação do número de alunos estrangeiros na pós-graduação da Universidade. Entre 1998 e 2001, havia 330 estudantes nesse segmento, decrescendo para uma média de 250 entre 2002 e 2006, e ficando em 300 alunos até 2010, quando o grupo representava apenas 2% dos matriculados. Em 2011 e 2012, esse contingente elevou-se ligeiramente, alcançando, respectivamente, as marcas de 424 e 597 alunos, refletindo os esforços institucionais de internacionalização no âmbito do ensino e pesquisa. Estes números indicam que houve um aumento na participação relativa desse segmento na Unicamp, passando de 3,82% em 2011 para 5,3% em 2012. 

Os resultados obtidos em relação aos alunos estrangeiros refletem o incremento na política de internacionalização implementada a partir de 2009, quando o setor ganhou peso estratégico na administração central. Coube à PRPG coordenar o Grupo de Trabalho instituído em 2009 pela Reitoria com o objetivo de estabelecer metas e ações para expandir o grau de internacionalização da Universidade. Entre elas, a ampliação da visibilidade internacional da Universidade e a criação de um International Office.

A escola preparou-se para dar suporte às atividades de internacionalização, melhoria das condições e busca e criação de novas oportunidades para mobilidade e intercâmbio internacional de alunos e professores/pesquisadores e maior participação destes em redes, consórcios e convênios internacionais.

Quando se percebe uma verdadeira indústria de escola de nível superior inundando o mercado com profissionais de preparo questionável, a atuação e destaque da Unicamp enche-nos de orgulho nos dá a certeza de que possível ter aqui, ensino de nível internacional. É tudo uma questão de querer fazer, ter vontade política e alocar os recursos e valores intelectuais na forma e quantidade adequadas.

domingo, 26 de maio de 2013

Catálogo completo da obra Picasso será relançado pela Cahiers d'Art

Guernica: obra maior de Picasso
Obra de Pablo Picasso, - autor do painel “Guernica”, produzido em 1937 e atualmente exposto em um pavilhão da Exposição Internacional de Paris, - terá relançamento em 33 volumes

A Cahiers d’Art pretende relançar em breve os 33 volumes do mais completo catálogo da obra de Pablo Picasso, que a editora começou a publicar em 1932. O catálogo contém mais de 16 mil pinturas e desenhos e resultou da amizade e colaboração de toda uma vida entre o pintor e Christian Zervos, que fundou a Cahiers d’Art em Paris, em 1926. Mais informações disponíveis pelo site www.cahiersdart.fr.

De nome longo e pomposo, Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno María de los Remedios Cipriano de la Santísima Trinidad Ruiz y Picasso, ou simplesmente Pablo Picasso, nasceu em Málaga, 25 de outubro de 1881 e faleceu em Mougins, em 8 de abril de 1973). Pintor dos mais cultuados, foi também escultor e desenhista, tendo se aventurado ainda no mundo da poesia.

Foi reconhecidamente um dos mestres da arte do século XX e é considerado um dos artistas mais famosos e versáteis de todo o mundo. Sua obra é composta por milhares de trabalhos, não somente pinturas, mas também esculturas e cerâmica. Juntamente com Georges Braque ele também é conhecido como sendo o co-fundador do Cubismo.

UEFS sediou a grande final do 6º Festival de Sanfoneiros na última sexta (24)

Troféu Dominguinhos: láurea aos vencedores
Cícero Paulo Feitosa, de nove anos de idade: o destaque











Corpo de jurados do Festival
Presença de jovens valores no 6º Festival de Sanfoneiros é a garantia de que a tradição forrozeira continua viva por todo o Nordeste brasileiro. As apresentações foram acompanhadas por excelente público que lotou o Auditório Central da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS)

O ritmo continua em alta e a identificação do público nordestino com um dos símbolos da musicalidade regional, a sanfona, levou mais duas mil pessoas ao Auditório Central da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). Na noite desta sexta-feira (24), aconteceu a grande final do 6º Festival de Sanfoneiros, organizado pelo Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca) e o público vibrou desde as 19h até os primeiros minutos da madrugada de sábado, contagiado pelas apresentações dos concorrentes e dos grupos que integraram a programação do festival.


Forma muitas as atrações que impressionaram o público, mas o garoto Cícero Paulo Feitosa, de nove anos de idade, representante de Juazeiro do Norte, CE, roubou a cena e recebeu a premiação do júri popular na categoria 2 (acima de oito baixos). Luiz Gonçalves de Andrade venceu na escolha do júri popular na categoria 1 (até oito baixos) e também faturou o prêmio da categoria pela escolha do júri oficial.


O segundo colocado na categoria 1 foi Elthon Dheime Machado Mascarenhas, o Machadinho, de Rafael Jambeiro, BA, de 16 nos, que já venceu o Festival de Sanfoneiros em duas oportunidades; o terceiro colocado foi Godealdo de Jesus, de Riachão do Jacuípe, BA.

Na categoria 2, o campeão foi Jefferson Dias Rios, de Cruz das Almas, BA. A segunda colocação ficou para Thiago Mendes Souza, de Salvador, BA, enquanto que o terceiro lugar ficou para Kelvin Diniz Gomes da Silva, de Capim Grosso, BA. Após receber o “Troféu Dominguinhos”, o campeão Jefferson Rios, em ato de reconhecimento, passou a taça para o garoto Cícero Feitosa, em ato bastante aplaudido pelo público. Os primeiros colocados receberam, além do troféu, uma premiação em dinheiro. 


O evento contou com a participação de representantes da sociedade de diversos municípios. O reitor da Uefs, José Carlos Barreto, afirmou que o Festival de Sanfoneiros deixou de ser um evento da Universidade, transformando-se em um patrimônio imaterial de toda a comunidade. A diretora do Cuca, Celismara Gomes, agradeceu a todos os envolvidos na organização do Festival, creditando o sucesso aos servidores que se empenharam, como nos anos anteriores, “para proporcionar este grande evento de resgate da cultura popular”. Outro destaque do evento foi a montagem de uma verdadeira praça de alimentação, onde foram servidos os produtos alusivos aos festejos juninos, sem faltar a impagável tapioca com variados recheios e os inúmeros sabores dos licores.


A grande final do 6º Festival de Sanfoneiros de Feira de Santana contou, ainda, com a participação dos artistas Daniel de Araújo e Novais, Jadson Bastos de Macêdo, Joselito Ferreira Bezerra e Leandro da Conceição Aquino (categoria 1), além de Antônio Mendes Soares, José Apóstolo dos Santos, Joselino Pereira dos Santos, Manoel Ferreira de Oliveira e Pedro Pinheiro dos Santos (categoria 2). O corpo de jurados foi formado por artistas locais, capitaneados pelo renomado forrozeiro Targino Gondim.


Quem foi prestigiar o evento saiu convicto de que o forró terá vida longa, a julgar pela maciça presença de público, pela qualidade dos músicos que se apresentaram e, principalmente, pela forte presença de jovens tocando sanfona e mantendo viva e pujante a fogueira acesa pelo mestre Luiz “Rei do Sertão” Gonzaga. Viva o forró; viva a arte e a cultura do Brasil.

sábado, 25 de maio de 2013

Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão se consolida-se como o maior e mais importante festival de música clássica da América Latina


O maior evento de música erudita do País acontece de 29 de junho a 28 julho e, pela segunda vez, será organizado pela Fundação Osesp. O orçamento previsto para este ano é R$ 6, 2 milhões: 2,5 milhões recebidos do governo do Estado e o restante patrocinado pela iniciativa privada



Conhecido e respeitado internacionalmente, o Festival é passagem obrigatória de conceituados artistas de todo o mundo. Ao longo de sua história, nomes do porte de Eleazar de Carvalho, Magda Tagliaferro, Yehudi Menuhin, Hugh Ross, Mstislav Rostropovich, Michel Philippot, Kurt Masur, Dame Kiri Te Kanawa, Trio Beaux Arts, Ysaÿe Quartet e Le Poème Harmonique, entre muitos outros, brilharam nos palcos e classes do Festival.


Em sua mais recente edição, fizeram parte da programação os regentes Frank Shipway, Carlos Kalmar, Claudio Cruz e Yan Pascal Tortelier, os pianistas Nelson Freire, Cristina Ortiz, Maria João Pires e Arnaldo Cohen, os oboístas Albrecht Mayer e Alex Klein, os violoncelistas Antonio Meneses e Marc Coppey, os violinistas Gilles Apap e Dmitri Berlinski, além de grupos como Akademie für Alte Musik Berlin, Arditti Quartet e Les Musiciens de Saint-Julien.


Além da apresentação em concertos, esses grandes artistas também fazem parte da programação pedagógica do Festival, dando aulas e master classes a jovens músicos. Anualmente, estudantes de música de diferentes partes do mundo - sobretudo do Brasil, América Latina e América do Norte - escolhem o Festival de Campos do Jordão para se aperfeiçoarem. Em 2011, o Festival recebeu mais de mil inscrições, e foram selecionados 166 bolsistas. Muitos renomados artistas brasileiros foram bolsistas do Festival de Campos do Jordão em edições anteriores, e reconhecem a sua importância no caminho para a profissionalização de jovens músicos.


A qualidade do Festival não se restringe à programação. O evento oferece também atenção especial para a comunidade de Campos do Jordão, por meio de seus projetos de responsabilidade social. Formação musical para alunos e professores das escolas públicas da região, apresentações musicais em asilos da região, ingressos gratuitos ou com desconto para moradores da cidade estão no foco das ações responsáveis do Festival.


Realizada este ano, a 43ª edição do Festival Internacional de Campos do Jordão contou com mais de 78 concertos e com a participação de grandes artistas. Durante as quatro semanas do evento (de 30 de junho a 29 de julho), um público de mais de 66 mil pessoas acompanhou a programação artística no Auditório Cláudio Santoro, nas igrejas e na Praça do Capivari.

São Paulo recebe exposição com roupas e acessórios de Evita Perón



Evita: Paixão e Ação é o título da exposição sobre Eva Perón que expõe desde ontem sexta-feira (24) na cidade de São Paulo, uma coleção de vestidos, sapatos, acessórios pessoais e documentos originais da eterna primeira-dama argentina




Para lembrar os 60 anos da morte de Evita Perón, ícone político e social da Argentina, foi aberta ao público nesta sexta-feira (24/05) a exposição “Evita: Paixão e Ação”. No acervo, seis vestidos usados por ela, fotografias, acessórios, que mostram um pouco da história e da personalidade de Evita. A mostra fica em cartaz no Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso, de 24 de maio a 7 de junho, com entrada gratuita.

Segundo o curador Gabriel Miremont, a exposição foi montada especialmente para o público brasileiro. “Entre as peças está o vestido que ela usou quando veio ao Brasil, publicações da Fundação Eva Perón em português e um pin com o rosto de Evita e as bandeiras argentinas e brasileiras”, explicou.

Outro ponto importante, ainda na visão do curador, é mostrar a preocupação de Evita com a inclusão social. “Perón e Evita trabalharam pela América que vivemos hoje, em que há direitos para o trabalhador, em que as mulheres podem ser presidentes – como aconteceu com a Argentina e com o Brasil. Nosso objetivo não foi contar o começo nem o fim da vida de Evita, mas o momento da ação, em que trabalhou pelas pessoas.”

Autoridades brasileiras e argentinas participaram da cerimônia de abertura como Carlos Henrique Meyer, ministro de Turismo da Argentina; Luis Maria Kreckler, embaixador da Argentina no Brasil; Agustin Molina, cônsul-geral da Argentina em São Paulo; Walter Vicioni Gonçalves, superintendente do Sesi-SP; e o 2º diretor secretário da Fiesp, Mario Eugenio Frugiuele.

Para Meyer, o objetivo da exposição é aproximar as novas gerações do exemplo de Evita na luta por igualdade, justiça social e solidariedade. “Em cada objeto, é possível reconhecer a ideologia, a força e a ação da mulher argentina mais significativa da história. É uma honra para nós tornar possível a difusão dessa paixão e dessas ações.”

Sobrinha-neta de Evita e presidente do Museu Evita, Cristina Álvarez Rodriguez disse estar orgulhosa por trazer Evita para São Paulo, em especial, para a avenida Paulista. “Evita fomentou a educação e a cultura, por isso é uma honra estar aqui porque eu sei que a Fiesp [Federação das Indústrias do Estado de São Paulo] também incentiva a educação, por meio de suas escolas. Brasil e Argentina são irmãos muito unidos e vão ficar cada vez mais próximos se continuarmos apostando na educação e na cultura”, agradeceu.

Cristina espera que a exposição seja uma inspiração aos visitantes. “Mostramos uma Evita humana, de carne e osso. Uma mulher com muito valor e coragem, que com sua vida de apenas 33 anos transformou a realidade argentina e fez uma revolução social. Espero que as pessoas gravem no coração uma frase da Evita: ‘Onde há uma necessidade, nasce um direito’.” Para paulistas e visitantes, trata-se de excelente oportunidade para conhecer um pouco de uma das principais personagens da história política da Argentina.

Serviço

Exposição “Evita: Paixão e Ação”
Quando: de 24 de maio a 7 de junho
Local: Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso – Avenida Paulista, 1313, térreo inferior.
Horário: de segunda-feira, das 11 às 20 horas; terça a sábado, das 10 às 20 horas e, domingo, das 10 às 19 horas (no dia 24, das 14 às 20 horas).
Entrada gratuita

O Pelourinho é palco em Salvador das comemorações dia Dia da África


Historiador baiano afirma que a celebração da data é importante em um país onde mais da metade da população é negra, mas particularmente em Salvador onde a predominância é de afrodescendentes

 

A luta dos povos africanos por sua independência e emancipação será comemorada em todo o mundo neste sábado, 25 de maio, Dia da África.
Os espetáculos têm entrada franca e serão realizados em várias capitais do país, a partir das 19h. Em Brasília, apresentam-se os músicos Elfatih Hussain e Banda Blue Nile, do Sudão; Oliver Tuku e Banda Black Spirits, do Zinbábue, e Toumani Diabaté, do Mali, são os convidados especias que irão fazer o show da África no Brasil. Além das apresentações musicais, os grupos realizam uma Master Class com professores e alunos da Escola de Música de Brasília. 

O coordenador-geral de Cooperação de Assuntos Bilaterais do MinC, Bruno Melo, um dos organizadores do apoio do Ministério da Cultura às comemorações, disse que o objetivo da promoção destes espetáculos foi o de valorizar as raízes histórico-culturais que unem as trajetórias do Brasil e dos países africanos e de inserir o Brasil nas comemorações do dia 25 de maio, que se estendem pelo mundo todo.


Em Salvador, a mais africana das capitais brasileiras, sexta (24) e sábado (25), serão dias repletos de atividades. Entre os eventos programados, está a celebração no Pelourinho com shows de artistas locais e internacionais, promovidos pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), em parceria com UNEB, UFBA e UFRB.

A festa contará com figuras cativas do cenário cultural de Salvador, como Guiguio, ex- integrante do Ilê Ayiê, e o afoxé Filhas de Gandhy, e com atrações do Guiné Bissau, como as bandas Nós Kuió Bwé e Socakuduro Bidinte, e o músico Patchi de Rima.

Segundo a SecultBA, a programação do Dia da África integra um conjunto de ações desenvolvidas anualmente pela instituição para fomentar e celebrar a cultura negra e africana.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Festivais: momentos históricos da nossa MPB

Gil e Nana, os autores de "Bom dia"

Noite de quarta-feira, o futebol na TV uma chatice só, vou navegando pelos canais da TV até chegar a uma imagem pouco usual: Nana Caymmi na flor dos seus vinte e poucos anos, defendendo a canção “Bom dia”, dela e de Gilberto Gil, no II Festival de Música Brasileira (TV Record), em 1967

Esse festival foi um divisor de águas na música popular brasileira. Ficaram para trás os cantores que usavam terno e smoking, os intérpretes que apenas cantavam o amor e os fãs que idolatravam seus ídolos à distância. Entraram em cena roupas coloridas, compositores que, seguindo Bob Dylan, queriam provar que era possível falar sobre qualquer assunto e fãs que iam muito além da idolatria. Mais do que adorar seus ídolos, queriam saber o que eles pensavam e o que vestiam - para, em última análise, ser como eles.

Revelando-se o transgressor de sempre, Caetano se apresentou no festival com um terno xadrez marrom e uma camisa de gola rulê laranja-vivo. Os argentinos que o acompanhavam, integrantes do grupo Beat Boys, irromperam em cena de cabelos longos, roupas cor-de-rosa-choque e guitarras elétricas. Gilberto Gil, em Domingo no Parque, usava blazer marrom e camisa branca. Até Edu Lobo, representante do bloco mais comportado, ousou um pouco: camisa de gola rulê preta e casaco azulado.

Marcou época ainda, as imagens recorrentes das fãs na plateia, representadas aqui por uma moça que teve a divertida ideia de usar uma camiseta estampada com a letra U - vogal da vaia. O zoom sobre esses três momentos mostra os três principais elementos da revolução: o aumento do poder da TV, o surgimento de um novo tipo de ídolo e o fã participativo que lhe correspondia. 

O II Festival de Música Popular Brasileira, conhecido como "O festival da virada":

· Local: Teatro Paramount

· Data: outubro 1967

· Prêmio Sabiá de Ouro

· Classificação:

1º Lugar: Ponteio (Edu Lobo e Capinam) – intérpretes: Edu Lobo, Marília Medalha, Momentoquatro e Quarteto Novo

2º Lugar: Domingo no Parque (Gilberto Gil) – intérpretes: Gilberto Gil e Os Mutantes

3º Lugar: Roda Viva (Chico Buarque) – intérpretes: Chico Buarque e MPB-4

4º Lugar: Alegria, Alegria (Caetano Veloso) – intérpretes: Caetano Veloso e Beat Boys

5° Lugar: Maria, Carnaval e Cinzas (Luiz Carlos Paraná) – intérpretes: Roberto Carlos

6° Lugar: Gabriela (Francisco Maranhão) – intérpretes: MPB-4

· Melhor Intérprete: Elis Regina – O Cantador (Dori Caymmi e Nelson Motta)

· Momento Marcante do III Festival de MPB

· Beto Bom de Bola (Sérgio Ricardo) – intérprete: Sérgio Ricardo

Parte de exposição de Marilyn Monroe é roubada a caminho de Praga



Para os que têm complexos terceiro-mundistas e acham que estes fatos só ocorrem por aqui: lá na Europa aristocrática também tem larápios e os casos de roubos ou furtos também acontecem por aquelas plagas


A exposição, em comemoração ao 50º aniversário de sua morte, foi criada pelo Museu Salvatore Ferragamo, em Florença, no ano passado. Ferragamo foi o sapateiro favorito da atriz, que tinha uma dúzia de pares feitos à mão.Parte de uma exposição de roupas e fotografias de Marilyn Monroe foi roubada enquanto era transportada da Itália para a República Tcheca, informou o curador do evento nesta quarta-feira (22).


O curador Jan Trestik disse que um caminhão que transportava roupas e fotografias foi invadido em um ataque aparentemente coordenado na região central da República Tcheca contra caminhões que transportam mercadorias de luxo da Itália.


O porta-voz do Castelo de Praga, David Sebek, que deverá sediar a exposição, afirmou que a maioria das peças, incluindo seus vestidos, já tinha chegado intactas.


O porta-voz policial de Praga Tomas Hulan disse que os policiais estavam investigando o caso, mas se recusou a dar detalhes.

A vida e a obra do compositor Aldir Blanc esmiuçadas no livro “Em Resposta ao tempo”, do jornalista Luiz Fernando Vianna


Quem admira as músicas de João Bosco sabe que a maioria delas tem a co-autoria de Aldir Blanc, seu parceiro de todas as horas

Mesmo que as pessoas não reconheçam o nome do Aldir Blanc, à primeira vista, é difícil encontrar alguém que não conheça O bêbado e o equilibrista, Mestre sala dos mares, De frente pro crime. São músicas que estão na memória coletiva de todos”. Quem afirma conhece. Luiz Fernando Vianna goza de uma amizade com o compositor carioca há exatos 20 anos.


Talvez, por isso, o recluso Aldir tenha ficado tão à vontade para abrir as portas e deixar o jornalista destrinchar os pormenores que permeiam sua turbulenta trajetória. Uma das filhas, Patrícia Ferreira, ficou incumbida da pesquisa e teve acesso irrestrito ao acervo do pai. O resultado, recheado de material inédito, aparece em Resposta ao tempo, recém-lançado.


A conduta informal na realização do livro foi fundamental para a extração de histórias pouco conhecidas e jamais esclarecidas. A ideia partiu de Patrícia e de um amigo do pai, que logo receberam impulso da editora. A escolha de Vianna foi intrínseca: “Eles são amigos desde 1993. Quando informei a Aldir quem faria o texto, ele vibrou. O processo foi muito mais confortável”, revelou Patrícia.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Veteranos como Morgan Freeman e Robert de Niro estão em, 'Last Vegas', uma espécie de 'Se beber não case'



No longa, Morgan Freeman, Kevin Kline e Robert De Niro são amigos de infância que se reúnem já na terceira idade - para celebrar a despedida de solteiro de Billy, interpretado por Michael Douglas
O que acontece quando atores do primeiro escalão de Hollywood se reúnem em uma comédia leve, descompromissada e com um quê de familiaridade em seu roteiro? O resultado é Last Vegas, próximo longa de John Turtletaub que chega em dezembro, nos cinemas. Conhecido por filmes “Sessão da Tarde” como Fenômeno (1996) e Jamaica abaixo de zero (1993), o diretor conseguiu um quarteto de peso em uma trama que mistura elementos de Red: Aposentados e perigosos com o pastelão Se beber não case.

No longa, Morgan Freeman, Kevin Kline e Robert De Niro são amigos de infância que se reúnem – já na terceira idade - para celebrar a despedida de solteiro de Billy, interpretado Michael Douglas. Pelo primeiro trailer divulgado na internet, o elenco recheado de vencedores do Oscar promete muitas risadas em atuações relaxadas e confortáveis.

Não é novidade que “dinossauros de Hollywood” estejam arregaçando as manguinhas e se arriscando em tramas mais leves. Freeman, que já protagonizou a franquia Todo poderoso (interpretando ninguém menos que Deus) e a comédia Antes de partir, onde contracena com Jack Nicholson, parece caminhar pelo gênero com facilidade – vide a interpretação, já nos minutos finais do trailer, de um velhinho “ligadão” em Red Bull. Outro que vem vestindo os sapatos do humor há um bom tempo é De Niro, acostumado com o besteirol de 'Entrando numa fria' e suas muitas continuações.


A bem da verdade, nenhum deles é estranho às comédias – apesar de terem abraçado o filão após o sucesso consolidado e estantes recheadas de estatuetas. A exceção da regra é Kevin Kline, que sempre dominou o público em comédias adocicadas, como sucesso dos anos 90 'Será que ele é'.

Para a felicidade do fã clube dos medalhões, não impede a participação em tramas mais pesadas, e tampouco anuncia sinais de uma possível aposentadoria. Michael Douglas, por exemplo, participa do Festival de Cannes com Behind the Candelabra, onde interpreta a versão de Steven Soderbergh do pianista gay Liberace. Seja no humor leve ou em tramas mais densas, é sempre bom perceber que estes artistas ainda se deliciam com o que fazem e o fazem com gosto. Quem lucra, no final das contas, é o espectador.


Fonte: CB

Viajando só, mas com agradabilíssimos companheiros


Antes das sete da manhã já estou na estrada rumo ao trabalho. Como meu costumeiro colega de viagem não veio hoje, escolho um DVD que há muito tempo não vejo: “Estampas Eucalol”, de Xangai, gravado em 2005


Ao ouvi-lo cantar trechos de “O Violeiro” (Elomar Figueira de Melo) sem qualquer acompanhamento, fico a me perguntar como é que algumas figuras da música brasileira, que desafinam até calados, podem ser classificados como cantores.


Há muito tempo atrás, atuando na bateria de caixas de Santo Estêvão (BA) ao lado do amigo Nélson Bispo dos Santos Filho, ele cantarolava “Sampa”, do poeta baiano Caetano Veloso e comentava comigo: “Euriques, como é que esses caras conseguem fazer algo tão bonito e eu não sou capaz de compor uma única linha?...”. Lembrei destas palavras do amigo Nélson, embalado pelos versos de Hélio Contreiras em “Estampas Eucalol”. Para os mais novos: na década de 70, existia uma marca de sabonete chamada Eucalol, que trazia nas embalagens fotos de grandes monumentos ao redor do mundo, como as Pirâmides do Egito, a Estátua da Liberdade, o Big Ben e a Torre Eiffel, entre outros. Então o Contreiras, em um lampejo típico dos poetas, compôs: “...viajava o mundo inteiro, nas estampas Eucalol / à sombra de um abacateiro / Ícaro fugia do sol...”.
E Xangai, para mim, o maior intérprete da obra de Elomar, continua a desfilar as composições do mestre, como em “Puluxia das Sete Portas”: 

Se alembra qui nóis num tem nada na vida
O bem qui nóis tinha Deus deu Deus levô
Dexô nóis cum a graça e as fôrças da vida
Cum quê nóis amassa o pão com suó...


Coisa de gênio!

Ouvindo a voz firme como um jequitibá rei de Xangai, não pude deixar de fazer um paralelo com os versos de Luiz “Rei do Sertão” Gonzaga, em “Hora do Adeus”:


“O meu cabelo já começa pratiando
Mas a sanfona ainda não desafinou
A minha voz vocês reparem eu cantando
Que é a mesma voz de quando meu reinado começou...”



Logo em seguida, o baiano de Itapebi convoca outra cabeça diferenciada para a sua apresentação, o segundo maior poeta paraibano, (o primeiro é Ariano Suassuna), Jessiê Quirino e faz um show à parte com a magistral “Bolero de Izabel”. Aí as lágrimas embaçam os meus olhos e escorrem rosto abaixo, pois essa música era a favorita do meu inesquecível e adorado filho Marcel Carneiro, o qual o Criador chamou para perto de Si, antes do combinado.


Ainda tomado pela mais forte das emoções, estaciono o carro e procuro refazer-me para mais um dia de luta e labuta, com os versos de mais uma pérola de Elomar, em “Curvas do rio” ressoando nos ouvidos: não chora, conforma, mulé, eu volto se assim Deus quiser...


Euriques Carneiro

terça-feira, 21 de maio de 2013

Filme japonês sobre troca de bebês é favorito em Cannes


Um filme do diretor japonês Kore-eda Hirokazu sobre troca de bebês, que põe em questão a natureza versus criação, estreou no sábado no Festival de Cinema de Cannes e já se tornou um dos favoritos ao prêmio principal, ao lado de uma produção iraniana também elogiada

"Soshite Chichi Ni Naru" (Tal Pai, Tal Filho) é um dos dois filmes japoneses da lista de 20 que tentarão levar para casa em 26 de maio a Palma de Ouro, o prêmio principal do maior festival de cinema do mundo, realizado na Riviera Francesa.

O Japão já venceu por quatro vezes, a mais recente em 1997, com "A Enguia" (Unagi), de Shohei Imamura. A outra produção do país na mostra deste ano é o thriller policial "Wara No Tate" (Escudo de Palha), de Takashi Miike.

O filme de Kore-eda tem nos papéis principais o cantor e ator Masaharu Fukuyama como o alcoólatra Ryota que, com sua meiga esposa, Midori, interpretada por Machiko Ono, educa o filho Keita, de 6 anos, para que conquiste o sucesso.

Sua vida familiar vista exteriormente como perfeita é rompida um dia depois de o hospital onde Keita nasceu informar que cometeu um erro, pois o menino não é seu filho biológico.

"Por que eu não percebi? Eu sou uma mãe!", lamenta Midori depois da revelação, que obriga o casal a tomar uma decisão angustiante: manter Keita como seu filho ou desfazer a troca de crianças.

O filme encontra momentos de humor e humanidade quando Ryota e Midori conhecem o casal, interpretado por Yoko Maki e Lily Franky, que ficou com seu filho biológico.

Lojistas, de classe social diferente do casal Fukuyama, eles ficam horrorizados com o comportamento de Ryota, que os vê como simplórios, incapazes de criar seu filho.

Mas a primeira impressão é ofuscada pelo reconhecimento da afetuosidade e evidente amor por seu filho.

"Eu queria criar esta reviravolta total na moralidade do personagem principal", comentou Kore-eda com os jornalistas. "Queria criar um verdadeiro choque em sua mente."

O emotivo filme de Kore-eda contrasta com os primeiros quatro dias da competição, marcados por obras com temática de violência.

O mexicano "Heli" inclui uma doentia sequência de tortura enquanto no filme chinês "Tian Zhu Ding" um homem é levado a promover ataques sangrentos depois de fracassados esforços para deter autoridades corruptas.

Outro drama que rivaliza com o filme de Kore-eda, Le Passe ("O Passado"), do diretor iraniano Asghar Farhadi, também recebeu criticas elogiosas depois da estreia, na sexta-feira.

"Os apostadores provavelmente ainda colocam o filme de Asghar Farhadi à frente na corrida pela Palma de Ouro", escreveu Donald Clarke, do Irish Times.


Fonte: Reuters

O “brega” já foi sucesso nos tempos da ditadura militar

Waldick Soriano: um dos rotulados como "brega"


Com forte apelo popular e com músicas de letras pobres e rimas fáceis, os artistas rotulados como “brega” conviveram com duras críticas a seus trabalhos mesmo depois de se tornarem celebridades


O sucesso que alcançaram não foi suficiente para evitar que fossem excluídos da historiografia da música brasileira por décadas. Ouvido por muitos e desprezado por outros tantos, o brega voltou recentemente às páginas dos jornais por conta da morte de Waldick Soriano, cantor, compositor e ícone deste movimento. Antes, Waldick já tinha se tornado “cult” graças, principalmente, ao documentário dirigido pela atriz Patricia Pillar, "Waldick Soriano - Sempre no Meu Coração"


Seus representantes são vários. Odair José, Nelson Ned, Agnaldo Timóteo e Paulo Sérgio são apenas alguns dos nomes mais conhecidos da geração de cantores bregas que marcou época durante o regime militar. Ao contrário dos artistas da MPB, eles não tiveram formação universitária e não compunham prioritariamente canções de protesto. O Brasil dos cafonas era outro. Suas músicas falavam quase sempre sobre a rejeição, seja ela amorosa ou social. Por conta disso, foram taxados de alienados e ignorados pelas elites culturais.

No entanto, está em marcha uma retomada do brega e bandas jovens, como Los Hermanos e Mombojó, já regravaram canções de artistas considerados cafonas. Sem dúvida, ao menos no meio acadêmico, um dos responsáveis por tal resgate é o historiador Paulo César de Araújo, autor da biografia censurada sobre Roberto Carlos. Ele escreveu a mais completa análise sobre a música brega e o regime militar, abordando vários aspectos da carreira dos artistas que compunham esse movimentos, suas agruras e as relações com o regime de governo da época.

Dentre os que sofreram com a pecha de porta-vozes da ditadura militar, estão Don e Ravel, por gravarem músicas de caráter ufanista. Eles pareciam mais inconformados. O Agnaldo Timóteo tateava entre a arrogância ao ressentimento: "Eu sei que canto bem pra caramba. Esses críticos não entendem nada". E assim, cada um tem a sua história de vida, como o Odair José que era taxado pejorativamente de “TED” numa alusão infame à sua popularidade entre as empregados domésticas.

Diante das circunstâncias sociais e a origem dos artistas, dá para interpretar como uma rejeição social. Isso os ajudou no sucesso desses artistas. O público que vai ouvi-los também é formado por porteiros, empregadas, garçons e imigrantes nordestinos. São pessoas frequentemente humilhadas e ofendidas no cotidiano brasileiro. Então, sempre vai haver essa identificação enquanto estes artistas estiverem na ativa. Em 2013, como nas décadas de 70 e 80, há um público fidelíssimo para esse segmento musical


segunda-feira, 20 de maio de 2013

Virtuose da sanfona, Cezzinha começou a tocar depois que o pai comprou a sanfona de um amigo: "Foi o destino mesmo”


O instrumentista Cezzinha é se diferencia da maioria das produções de forró por ser da escola do xote e do baião, mas ter gravado com músicos de outros estilos, o que deu mais liberdade estilística ao seu trabalho


Antes ele só tocava, mas agora canta também e lança novo álbum como preparativos para estrear em DVD. A mistura da sanfona dançante com o aconchego da temática romântica, proposta por ele, tem tudo para agradar aos apreciadores do legítimo forró.

“A sanfona é meu corpo, minha alma”, afirma o pernambucano Cezzinha, de 28 anos, cantor, compositor e sanfoneiro dos bons. O elogio não é gratuito. Foi o mestre Dominguinhos quem disse e apostou as fichas no jovem músico, tal qual um certo Luiz Gonzaga fizera com ele há algumas décadas. No mundo dos sons, as histórias se repetem. Em 2008, por incentivo do cicerone, o novato gravou o que viria a ser seu primeiro projeto fonográfico. Agora, ele dá o passo seguinte.

Cezzinha acaba de lançar o segundo CD, o independente “Porque tem que ser assim”, e prepara o DVD de estreia. No disco, todo autoral, o músico apresenta parcerias com Nando Cordel, Clodo Ferreira, Ulisses Silveira e Chico Pessoa. A mistura da sanfona dançante com o aconchego da temática romântica, proposta por ele, tem tudo para agradar aos apreciadores do forró mais lento e melódico, mesmo que Cezzinha beba na fonte dos veteranos e tenha tocado com nomes de peso do cenário nacional. “Quero renovar essa linguagem romântica do forró, mas com uma proposta mais contemporânea”, observa.

PORQUE TEM QUE SER ASSIM
CD de Cezzinha. Independente, 8 faixas. Preço: R$ 10. À venda no site cezzinha.com.br.

O canal History mostrou neste domingo (19), nuances da civilização Asteca



O canal por assinatura History tem programação com formato que contempla públicos de diferentes ideias e vertentes. A produção aborda temas de interesse geral, como geologia e astronomia, entre outros; no último domingo (19), a civilização asteca foi um dos temas explorados

História da civilização


A civilização Asteca foi formada por um conjunto de etnias indígenas que possuía um idioma comum, o náhualt. Habitavam as regiões de Tenochitlán e Tlatelolco, na Mesoamérica, entre os séculos XII e XVI. Os astecas, juntamente com os maias e os incas, foram as grandes civilizações da era pré-colombiana. Apesar de não se autodenominarem astecas, ficaram com esse nome por acreditar-se que a maioria das tribos era oriunda deAztlán.

Depois do colapso da mítica cidade de Tollan, no princípio do século XII, ocorreu uma imensa migração de índios toltecas e chichimecas em direção a região de Cholula, zona oeste do atual estado de Puebla, no México. Os migrantes estabeleceram alianças com os habitantes nativos e conseguiram vencer os olmecas numa disputa, finalmente ocupando a zona do Planalto Central. A última grande migração foi de uma outra tribo, ocorrida durante os séculos XIII e XVI e neste intervalo de tempo, o povo que agora chamamos astecas, já havia ocupado quase todo o território.

Depois de percorrer imensos territórios, no século XIV, a civilização asteca estabeleceu-se definitivamente no atual Valle do México. Fundaram a capital, Tenochtitlán, numa pequena ilha, nos arredores do lago Texcoco. Durante os primeiros anos, tiveram que lutar com inúmeras tribos locais pela posse das melhores porções de terra para obtenção do domínio político da região. A medida que ganharam terreno, foram estabelecendo um poderoso sistema baseado na obediência, trabalho e pagamento de impostos. O alicerce da expansão asteca foi seu poderoso exército. Entretanto, após reconhecer a soberania do imperador asteca, os povos conquistados, mantinham uma representação própria, que procurava conviver da forma mais pacífica possível com o poder central dos astecas.

Provando ser um povo com visão de futuro, a civilização asteca desenvolveu a noção do cultivo hidropônico nas áreas ao redor do laco Texcoco, fazendo crescer plantações sobre suas águas. A cultura asteca deve a sua força, entre outros aspectos importantes, ao avançado grau de desenvolvimento técnico e científico. A educação de seu povo neste campo foi fundamental, alcançando níveis de abstração maiores do que qualquer outra cultura, principalmente nos ramos da matemática e da astronomia. 
A medicina mexicana transcendeu sua própria época e está presente na base de diversas bebidas e cosméticos da modernidade. A engenharia terrestre e naval, as técnicas agrícolas e o desenvolvimento de uma escrita própria foram outros aspectos fundamentais da civilização asteca.

domingo, 19 de maio de 2013

Zé Lezin orgulhosamente apresenta: “Esse cara não sou eu”


Nairon Oseas Alves Barreto nasceu em Patos (PB), é formado em Comunicação Social e Direito pela Universidade Federal da Paraíba. Especialista em piadas de matutos, começou a carreira de humorista em um grupo de dança folclórica na UFPB e tornou-se figura conhecida do humor brasileiro com o personagem “Zé Lezin”


O espetáculo nasceu para ser apresentado uma única vez em Maceió, mas devido ao enorme sucesso, já passou por Aracaju, Salvador, Feira de Santana e segue percorrendo várias cidades do Nordeste. O advogado Nairon Barreto interpreta o mesmo personagem há 25 anos, contudo, a cada espetáculo, ele incorpora novidades. Satiriza os acontecimentos importantes no cotidiano do Brasil.

Tudo o que acontece nos país para ele é um prato cheio. Essa peça humorística pretende satirizar a vida de um dos mais amados, queridos e reconhecidos ídolos da música brasileira e latina - Roberto Carlos. O Rei, como é conhecido, desde o movimento da Jovem Guarda nos anos 60, vem marcando a vida de milhões de fãs até os dias atuais, ora com suas músicas românticas, ora com as suas baladas.

No espetáculo “Esse Cara Não Sou Eu”, Zé Lezin brinca com a música de Roberto Carlos e afirma que esse tipo de homem não existe, logo depois tenta provar a sua tese através de paródias, sátiras, piadas e tiradas de improviso, quando muitas vezes interage com o público. “Não tem mistério no que faço. Na verdade, é porque faço com amor, com um carinho enorme pelas pessoas que acompanham minha carreira desde o início e pelos novos fãs do matuto”, diz Nairon, afirmando que procura tomar um banho de cultura popular para se inspirar. “Deixo claro nos shows, que o matuto é uma pessoa altamente consciente e que o forte da piada não está na pimenta, está no enredo, e eu não me considero um piadista, eu conto causos”.

Nairon Barreto é com certeza um comediante que confirma o Nordeste como grande celeiro do humor no Brasil. Como Zé Lezim, só sua presença no palco já provoca uma crise de risos. O comediante que afirma ser no interior onde se desenvolve a verdadeira cultura nordestina, traz em seu repertório inúmeras piadas que não deixa dúvidas sobre sua afirmação. A respeito do nome do espetáculo, ‘Esse cara não sou eu’, Nairon alega que o ‘cara’ da música de Roberto Carlos não existe. “Se ele existisse, a primeira providência da mulher dele seria passar um par de chifres. Um cara desses é leso!”, fazendo uma analogia com o nome do seu personagem.

O comediante disse ainda que um cara que pensa em você toda hora ‘só pode ser um maníaco, um doente mental que precisa fazer tratamento’ e riu. Sobre a diferença entre Nairon e o personagem Zé Lezin, o humorista declarou que já não consegue distinguir o personagem do ator: ‘já virou a mesma coisa’.


Com o grande sucesso do show de Zé Lezin, paira no ar uma ameaça: que Roberto Carlos acione a justiça para proibir que o humorista continue a divertir sua vasta plateia, usando a sua música (chatinha, por sinal), como mote.