quinta-feira, 4 de abril de 2013

Paulo Jobim fez apresentação única em Uberlândia


 Com ingresso fixado em 01 kg de alimento não perecível, Paulo Jobim, filho de Tom Jobim, fez um show no último dia 26.03, no Center Convention, em Uberlândia


Moradores e visitantes de Uberlândia (MG) tiveram o prazer de assistir a ”Orquestra Popular do Cerrado, que convidou Paulo Jobim”. Juntos viajaram pelo universo musical de Tom Jobim, um dos mais importantes compositores de todos os tempos, reconhecido internacionalmente pela qualidade das canções. Parceiro do pai em diversas composições, o compositor, produtor, arranjador e instrumentista Paulo Jobim juntou-se à Orquestra Popular do Cerrado, em evento que ressaltou a ligação estreita, porém pouco conhecida dos universos “Jobinianos” e da música de Minas.

Muito mais ligado ao movimento da Bossa Nova de quem, sem dúvida, foi um de seus pilares, Tom Jobim sempre teve grande interesse pelas coisas de Minas Gerais, principalmente pelos universos dos escritores Mário Palmério e Guimarães Rosa. Foi inspirado no conto Duelo, do livro Sagarana, do criador de “Diadorim”, que ele escreveu Matita Perê, canção e título de seu álbum seminal. No trabalho, estão presentes os elementos mais contundentes da sua obra: o apreço pelas coisas da terra e de sua gente, além da fusão das linguagens erudita e popular, na medida em que a canção, de texto longo, é apresentada com orquestra acrescida de instrumentos populares como violão e percussão.

Ainda como prova do apreço pelo repertório mineiro, em seu último trabalho gravado, o CD “Antônio Brasileiro”, Jobim registra a canção Trem Azul, de Sô Borges e Ronaldo Bastos, executando no arranjo o solo antológico de Toninho Horta da primeira gravação do álbum Clube da Esquina. Uma das poucas regravações de Matita Perê, do DVD Jobim Sinfônico, ficou a cargo de Milton Nascimento, outro artista mineiro com grande afinidade estética com Jobim. Paulo, por sua vez, esteve presente no álbum Clube da Esquina II, contribuindo com Olho D`água, a mesma Valse, com letra de Ronaldo Bastos.

Para esse show foram escolhidas canções consagradas do período da Bossa Nova como Corcovado, algumas que refletem a ligação de Tom com as coisas rurais como a toada Correnteza e as canções Matita Perê e Boto além de outras que representam sua obra camerística, como a Valsa do Porto das Caixas.

Foi uma oportunidade única para os uberlandenses saborearem a obra do expoente máximo da Bossa Nova, casando perfeitamente com a qualidade musical de inúmeros representantes mineiros como Milton Nascimento, Lô Borges e Francis Hime, entre tantos outros expressivos nomes das gerais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário será publicado após análise.
Obrigado!