sábado, 13 de abril de 2013

Filme argentino "O Último Elvis" não tem nenhuma música do roqueiro na trilha sonora


Sem contar com qualquer apoio da Elvis Presley Enterprises , o longa-metragem do diretor argentino Armando Bo tem sido aclamado pela crítica e alcançando números inimagináveis para uma película portenha
 “No filme, em momento algum, se vê ou se escuta Elvis Presley. O enredo se baseia na vida de Carlos Gutiérrez; na problemática de ele ter a vontade de ser outra pessoa”, explica o diretor argentino Armando Bo, estreitando a temática do longa O último Elvis, em cartaz na cidade. Num filme caro para os padrões portenhos, 40% do 1,2 milhão de euros reservados ao orçamento foram gastos com direitos autorais, sem direito a nenhuma canção de autoria do Rei do Rock. “O filme não tem o apoio da Elvis Presley Enterprises. Não havia o interesse deles por um produto argentino. Usam a marca Elvis como Disney. Pela profundidade, fomos motivados a seguir nosso próprio caminho”, explica o diretor, que vem de uma linhagem célebre de atores.

Aos 35 anos, Armando é interessado pela sétima arte num espectro amplo. Escreveu, com Alejandro González Iñárritu (Babel), e Nicolás Giacobone, Biutiful — indicado ao Oscar, como representante mexicano. “Goste ou não, Biutiful é uma experiência intensa. Um filme deve deixar o espectador imerso, sem aborrecimentos. Para isso, é preciso trabalhar”, opina. Na fita, um cantor, coroa numa crise de identidade que beira a loucura, embarca na bad trip de se achar, de fato, um clone de Elvis Presley.

Sentindo-se detentor de um conhecimento sólido, depois da colaboração com o mexicano Alejandro González Iñárritu, no roteiro de Biutiful, o diretor argentino Armando Bo partiu para a realização do projeto do longa O último Elvis, gestado por anos. No filme, um cantor tem como obsessão absoluta galgar o posto de substituto de Elvis Presley. "Às vezes, as pessoas criam um micromundo e isso acontece com esse personagem: de certa maneira, se desdobrou em ser o Elvis, no cotidiano, mas, subitamente, o mundo lhe dá uma porrada, dizendo — "não: assuma a sua vida" — e ele tem que lidar com isso", explica o cineasta.

Uma chacoalhada também foi sentida na vida real quando, a menos de dois meses das filmagens, por problema de agenda, um ator, já escalado, declinou da participação. Ao acaso, o diretor chegou a um intérprete admirável: o estreante John McInerny, na verdade, formado em arquitetura. "Foram quatro meses de árdua preparação, até que houve empatia entre o personagem e o cantor amador. Não queríamos ser bizarros, na nossa proposta de filme", explica Bo. Dois meses de esforço, em 12 horas diárias de filmagem no inverno argentino, surtiram efeito.

"No meu processo de pesquisa para o filme, descobri que somos todos imitadores de alguém — tomamos algo ou nos inspiramos em alguém, segurando-nos em imagens", comenta o diretor. O último Elvis teve boas chances de ir ao Oscar, como melhor filme estrangeiro (perdendo a vaga prévia da seleção para Infância clandestina). Com prêmios da Academia Argentina de Cinema, a fita obteve indicação de melhor filme, no competido festival de Sundance (Estados Unidos).

Atualmente empenhado nos longos processos de criação, junto a Alejandro González Iñárritu e Nicolás Giacobone (ambos de Biutiful), Bo adianta querer filmar, no ano que vem, na Espanha ou nos Estados Unidos. Fã do cinema setentista, Armando Bo saúda os anos 70, como o período em que as atividades da realização de um filme se "consolidaram, verdadeiramente". Dele é que assume ter tirado algum proveito para a formação de cineasta. "Até ali, tudo era feito de modo artesanal. Naquele período, despontam filmes de perfeccionismo imbatível, entre os quais O poderoso chefão (do Francis Ford Coppola) e os filmes de Stanley Kubrick (particularmente, Laranja mecânica e Barry Lyndon)", observa. Influências de peso, para um estreante.

Fonte: CB

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