terça-feira, 23 de abril de 2013

Com “O Canto e a Poesia”Geraldo Azevedo busca acrescentar algo de novo em seus shows




Os fãs de agora e de 30 anos atrás já se acostumaram com o formato dos shows de Geraldo Azevedo: o chapéu, a calça surrada, o camisão florido e apenas seu inseparável violão. No repertório, os sucessos de sempre, Táxi Lunar, Dia Branco, Bicho de Sete Cabeças (onde ele não esquece o indefectível solo de violão), Ai que saudade de você, entre outros

O repertório quase religioso nas apresentações em formato voz e violão em seus shows, é prova da força das canções de Geraldo Azevedo. Sempre presentes. Não importa se compostas recentemente ou há 10, 20, 30 anos, as músicas carregam um estilo inconfundível, impresso pelo músico pernambucano, que ano passado completou 40 anos de carreira. 

Enxuto, focado nesta parceria entre seu canto e o violão, ele está na estrada com o uncover “O Canto e a Poesia”, comemorando os 40 anos de estrada.

O Show 



O uncover tem coordenação geral de Ângelo Filizola. O repertório, destaca, é livre. Geraldo traça um balanço de sua trajetória, relembrando alguns de seus muitos sucessos. Pautado em apresentações anteriores, entre as músicas que não faltam estão “Dia Branco”, “Moça Bonita”, “De Volta Pro Meu Aconchego” e “Taxi Lunar”, uma das mais regravadas de seu repertório e apontada pelo próprio Geraldo Azevedo como um dos maiores sucessos da carreira. No total, são 22 discos lançados, sendo os dois últimos “Salve São Francisco – homenageando o rio que margeou sua infância na cidade de Petrolina e inspirou algumas de suas composições – e “Assunção de Maria e Geraldo Azevedo (2011) – que celebra parceria com o compositor baiano e reverencia a bossa nova de João Gilberto, um dos pilares de sua musicalidade.

Geraldo Azevedo tem como marco inicial de sua carreira o lançamento, em 1972, do primeiro LP, “Quadrofônico” (Copacabana), gravado em parceria com seu conterrâneo Alceu Valença e relançado em CD em 2011.

O álbum marcou também a estreia em disco de Alceu. Os dois músicos apresentavam ao País um som nordestino com traços psicodélicos. “Quadrofônico” trazia entre as faixas Talismã, Mister Mistério e Me Dá Um Beijo. O primeiro disco solo, “Geraldo Azevedo”, só viria cinco anos depois, em 1977, lançado pela Som Livre.

Um dos marcos da carreira, o disco “Bicho de Sete Cabeças” foi lançado em 1979 pelo selo Epic, da CBS, que tinha como diretor low-pitched o cearense Fagner. O disco é um marco na carreira de Geraldo Azevedo, que estourou nas rádios com a música tema, com participação da cantora Elba Ramalho, e “Táxi Lunar”. O disco é simbólico pela qualidade dos participantes do trabalho. Elba, Zé Ramalho e Robertinho do Recife em quase todas as bases instrumentais e Amelinha compondo o coro.

Sonoramente, o disco também marca uma mudança importante em sua carreira, quando passa a explorar mais elementos eletrônicos. Entre os discos mais importantes de sua carreira estão ainda, “For All Para Todos” (1982), “Tempo Tempero” (1984), com arranjos de Wagner Tiso, e “Luz do Solo” (1985), ao vivo, que revela seu leque de influências musicais, que vai de Luiz Gonzaga, com “ABC do Sertão”, a Bob Dylan, com “Tomorrow is a Long Time”.

Também entre os discos coletivos, é imprescindível destacar “Cantoria” (1984), com Elomar, Vital Farias e Xangai; e as duas edições de “O Grande Encontro”, com Elba Ramalho e Zé Ramalho e Alceu Valença. Por “Salve São Francisco”, disco que contou com parceiros/amigos como Dominguinhos, Alceu Valença, Maria Bethânia, Moraes Moreira e Fernanda Takai, Geraldo Azevedo foi indicado ao Grammy Latino de melhor álbum de Música de Raízes Brasileiras – Regional Nativa de 2011.


Euriques F. Carneiro

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